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Calçadas verdes estão sendo implantadas em cinco lugares da Área Calma para potencializar o acalmamento do trânsito no Centro, aumentar a segurança dos pedestres, instigar deslocamentos a pé e tornar a cidade mais colorida. Foto: Lucilia Guimarães/Ippuc/Divulgação
Calçadas verdes estão sendo implantadas em cinco lugares da Área Calma para potencializar o acalmamento do trânsito no Centro, aumentar a segurança dos pedestres, instigar deslocamentos a pé e tornar a cidade mais colorida. Foto: Lucilia Guimarães/Ippuc/Divulgação| Foto:

A cruzada de caráter oficial de Curitiba por uma cidade mais humana e pedestre-friendly ganha mais um capítulo. Desde a última terça-feira (1º), a prefeitura está implantando áreas verdes que funcionam como extensões das calçadas em cinco cruzamentos da Área Calma: Rua Carlos de Carvalho com Alameda Cabral; Rua Cândido Lopes com Rua Ébano Pereira, perto da Biblioteca Pública do Paraná; Rua Cândido Lopes com Avenida Marechal Floriano Peixoto, junto à Praça Tiradentes; Rua Inácio Lustosa com Rua Mateus Leme; e Rua Inácio Lustosa com Avenida Cândido de Abreu.

Nos próximos dias as áreas verdes piloto também receberão balizadores para impedir a entrada de automóveis nos espaços demarcados, sem obstruir a passagem dos carros pelas vias. Os cruzamentos também vão receber novas faixas de pedestres, rebaixamento de meio fio para assegurar a acessibilidade e nova sinalização.

Curitiba adota solução nova-iorquina de calçadas verdes para incentivar deslocamentos a pé na região central
| Luiz Costa

A solução vem com o intuito de aumentar a segurança dos pedestres e incentivar deslocamentos a pé na região central da cidade, que até final do ano passado concentrou maior parte dos atropelamentos de Curitiba, tipo de acidente que mais causa mortes na cidade.

“O pedestre é o principal e mais importante usuário do Centro. São aproximadamente 500 mil pessoas que passam por ali todos os dias. Por isso pensamos em uma maneira de potencializar a Área Calma, e de diminuir a distância entre os mares de asfalto, que são difíceis de atravessar a pé”, esclarece o coordenador de mobilidade e transporte do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Márcio Augusto Teixeira.

Curitiba adota solução nova-iorquina de calçadas verdes para incentivar deslocamentos a pé na região central

“Nós não podemos pensar no desenvolvimento de Curitiba com apenas um modal, de somente uma tipologia de usuário da cidade. Temos que inverter a lógica e começar gradativamente a se habituar com a nova realidade”, lembra Teixeira.

Para o arquiteto e urbanista Carlos Hardt, especialista em Gestão Urbana e professor da PUCPR, a solução é muito bem vinda. “Disponibilizar mais espaço para o pedestre é uma iniciativa louvável”, avalia Hardt. “Vale lembrar que qualquer mau comportamento do pedestre independe da solução urbanística. Portanto, não vejo as áreas verdes como um incentivo para o abuso dos pedestres. Tudo depende do respeito que as pessoas têm umas pelas outras e pela cidade”, sentencia o arquiteto.

Curitiba adota solução nova-iorquina de calçadas verdes para incentivar deslocamentos a pé na região central

A solução foi importada de Nova York, que, desde 2007, mantém o projeto DOT, dentro do Departamento de Trânsito da cidade norte-americana, que tem como missão tornar a megalópole cada vez mais segura, eficiente e ambientalmente responsável para as pessoas.

Buenos Aires também adotou as extensões das calçadas e ajudou Curitiba na implantação do projeto. As três cidades integram o grupo C40 de Grandes Cidades para Liderança do Clima, e projetos como esse, que incentivam os deslocamentos a pé, são prioritários para a rede de cidades.

A intenção ainda é levar essa solução para outras áreas de Curitiba. O estudo do Ippuc considerou 200 cruzamentos e os responsáveis pela ideia afirmam que outros espaços ainda são passíveis de receber as calçadas verdes.

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