6 projetos de adegas que cabem em diferentes espaços e orçamentos

Pequenas e tecnológicas ou grandes e impressionantes, as adegas precisam de cuidados específicos para garantir a integridade e longevidade dos vinhos

Espaço para mais de 1,3 mil garrafas fica entre o living e a sala de jantar, em projeto de um apartamento no Ecoville desenvolvido pela arquiteta Priscilla Müller. Foto: Eduardo Macarios/Divulgação

por Luan Galani

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As temperaturas mais baixas chegaram de vez. E são um convite quase formal para abrir um bom vinho na companhia de quem a gente ama. Mas sabia que a maneira como você guarda a bebida e até como limpa a adega pode fazer toda a diferença na hora da degustação? Quem ensina é o enólogo Alcioni Dümes, formado pela H. L. K. B. Heilbronn, na Alemanha, que já soma 18 anos de experiência na área e também atua como professor do curso de Sommelier do Centro Europeu.

“Se for em apartamento, a primeira lição é manter a adega longe do elevador. A gente pode não perceber, mas as trepidações não são boas para o vinho”, ensina Dümes. “A luminosidade não pode ser exagerada. O ideal é que se tenha pouca luz natural, pois ela contém raios UV que contaminam o vinho, deteriorando sua estabilidade.” Prefira luzes amarelas, frias e indiretas na adega, e, de preferência, que só se acendam quando for fazer uso do espaço. Assim, a interferência será mínima no vinho.

Apartamento no Ecoville, assinado por Priscila Müller, transformou a adega no coração da sala. Foto: Eduardo Macarios/Divulgação

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O indicado também é que o espaço seja climatizado, com temperatura entre 14 e 16 graus e umidade de até 70% para não ressecar a rolha e não criar bolor no rótulo e no vinho. Se estiver em dúvida de como organizar sua adega, a dica é deixar os vinhos sempre deitados e categorizar o espaço como uma biblioteca, com identificadores. Dessa forma, vai ser bem mais fácil de procurar qualquer vinho da sua coleção. “O cliente pode separar como achar melhor: onde tem os chilenos, os brancos, os rosés, por ordem de país ou por grupo, como os mais leves ou os mais encorpados”, sugere o enólogo.

Adega assinada pelo escritório Arquitetare, de Elaine Zanon e Claudia Machado, que leva o espaço para a área gourmet da casa. Fotos: Nenad Radovanovic/Divulgação

Sem cheiros

Mas atenção para o segredo que pode definir o sucesso ou o fracasso dos seus vinhos: prefira não colocar nada com cheiro na adega, como sachês, nem usar produtos de limpeza com odor forte. “O vinho respira através da rolha e pode ser contaminado com o ar do ambiente”, alerta Dümes. Por isso, opte por panos úmidos e detergentes neutros na hora de higienizar o espaço.

Se ainda não foi possível montar sua própria adega dos sonhos, não se preocupe. As adegas elétricas dão conta do recado. De acordo com o professor do Centro Europeu, elas funcionam bem, garantindo temperaturas adequadas e estabilidade. “Elas funcionam pela lei da física. O ar frio é mais pesado e fica na parte inferior, lugar ideal para deixar os brancos e rosés. Na parte de cima, onde é um pouco mais quente, guarda-se os tintos”, explica.

Adega elétrica pequena integra a sala de estar de apartamento em Perdizes, São Paulo, assinado por Tria Arquitetura. Foto: Alessandro Guimarães/Divulgação

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Possibilidades de interação

Já se foi o tempo em que a adega ficava escondida de todo o resto da casa. Com as novas tecnologias, é possível construir adegas deslumbrantes no coração do espaço social, que acabam virando, inclusive, ponto de admiração das visitas. Como no projeto de um apartamento do Ecoville desenvolvido pela arquiteta Priscilla Müller, em que a adega é o coração da casa, centralizada entre o living social, a sala de estar privativa e a sala de jantar, com 25 m² e espaço para mais de 1,3 mil garrafas.

“A adega virou parte da decoração da casa. Projetamos todas as divisórias entre os ambientes em vidro justamente para que as garrafas fossem protagonista e o ponto alto da sala de jantar”, conta a arquiteta. No centro do espaço, uma mesa de centro criada com caixas de vinhos, e, ao fundo, um grande nicho para expor garrafas de destilados.

Cantinho bar com adega projetado por Roberta Banqueri, onde antes era um espaço de home office. Foto: Divulgação

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Uma casa no Vista Alegre, projetada pelo escritório Arquitetare, de Elaine Zanon e Claudia Machado, também levou a adega para um espaço nobre: o espaço gourmet da residência. Com espaço para até 350 garrafas, alguns vinhos ficaram inclinados a pedido do cliente para facilitar na hora de procurar por algum rótulo específico. Para fazer jus ao estilo sóbrio da família, as profissionais optaram por amadeirados escuros e couro, com mobiliário Artefacto e planejados Florense Carlos de Carvalho. Destaque para a luminária com parte interna folheada a ouro, que banha todo o ambiente com uma luz amarelada sem igual.

Adega foi implantada na sala trazendo charme e funcionalidade. O projeto é das arquitetas Amanda Castro e Giovana Giosa, do Studio AG. Foto: Ricardo Bassetti/Divulgação

Adegas menores também cumprem com o propósito. Se você não tem espaço de sobra, um nicho na sala, um espaço embaixo da escada ou qualquer outra pequena área residual podem se tornar espaços charmosos e funcionais para as adegas elétricas. Confira algumas inspirações!

No apê de 50 m² na Vila Nova Conceição, em SP, a coleção de vinhos foi privilegiada, em projeto dos arquitetos Fábio Basani e Tulio Xenofonte. Foto: Rafael Renzo/Divulgação

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