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Área livre de barulho

Saiba como adaptar projetos e construções para reduzir os ruídos que vêm da rua para dentro de casa e amenizar o barulho que você mesmo produz

O ideal é que os materiais antirruído sejam previstos na fase inicial do projeto, mas é possível fazer ajustes na acústica em imóveis usados

por Bruna Covacci, especial para a Gazeta do Povo

24/10/2013

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Comum nas grandes cidades, a poluição sonora se torna um incômodo maior quando atinge os moradores em suas residências. Seja com o barulho do carro que passa, o salto alto da vizinha de cima ou com os cachorros que latem no apartamento ao lado. De acordo com Marco Losso, arquiteto e consultor em acústica, é possível minimizar ou extinguir boa parte desses e outros ruídos.

Isso quer dizer que você pode aplicar soluções só em um cômodo, mas o ideal é fazer um trabalho completo. Mexer no projeto em fase inicial facilita e evita problemas.“Além dos transtornos de uma reforma, pode ser necessário remover acabamentos do piso, quebrar paredes ou remover o forro para aplicar materiais isolantes”, diz Maurício Fassina, gerente de Engenharia da Thá Incorporadora. De maneira geral, matérias primas densas têm maior capacidade de filtrar barulhos. A explicação é fácil: o som é transmitido pelo ar e os materiais mais pesados impedem que o ar passe de uma camada para outra. “Os materiais utilizados para isolamento acústico são os mesmos da construção. Então, se o tijolo ou o gesso for usado de maneira correta se torna um isolante”, diz Losso. Isopor, cortiça e caixas de ovos são mitos da acústica, pois não promovem isolamento.

A lei de olho nos ruídos

Em julho deste ano passou a valer a normativa 15.575/2013, conhecida como a Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Entre as exigências, há uma cláusula dedicada ao isolamento acústico. Pela fachada, só podem passar 39 decibéis do barulho da rua, o que equivale a uma conversa em voz baixa. Pelas paredes de um apartamento para outro, 45 dB.

E 80 dB de impactos no piso. A fiscalização cabe à prefeitura de cada cidade. De acordo com o chefe da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Laska, a lei N.º 10625/2002 fala sobre o limite de decibéis que as residências e pessoas podem emitir. Em zonas residenciais o limite é de 55 dB até às 19 horas, 50 dB até às 22 horas e 45 dB até às 7 horas.

Serviço

Marco Losso (arquiteto e consultor em acústica), Avenida do Batel, 123. Thá Incorporadora. ML Esquadrias. Porta Maggiore.

Por partes

Saiba quais soluções podem ser utilizadas para cada cômodo ou elemento da sua casa:

Vaso com flores de madeira. Na Entre Artes Decorações, R$ 790

No piso, uma técnica bastante usada é a laje flutuante (na foto, o material em preto), em que se cria uma camada de material elástico e resiliente por cima da laje original. O material separa as duas camadas e não permite que o som seja emanado para o andar de baixo. Os preços dos materiais acústicos para piso variam entre R$ 15 e R$ 25 o m²

Castiçal em ferro. Na Entre Artes Decorações, R$ 240
Em tetos e paredes é comum a aplicação da técnica massa-mola-massa. O sistema combina materiais como gesso acartonado, placa cimentícia, lã de vidro (foto) e lã de rocha para atingir um isolamento maior, pois cada camada absorve parte do som. O preço médio é de R$ 25 o m²

Relógio de parede. Na Entre Artes Decorações, R$ 180
Para portas e janelas, Christian Tort, representante comercial da ML Esquadrias, recomenda as esquadrias de PVC, mais isolantes. O valor varia conforme o tamanho e o tipo de vidro usado. Uma janela de 1,50×1,20m com vidro duplo (foto) e esquadria de PVC custa em média R$ 2,5 mil. Em alguns casos, só o vidro laminado (simples) é suficiente para barrar o ruído e é 50% mais barato. O proprietário da Porta Maggiore, José Augusto Fagnani, explica que portas de madeira podem diminuir o ruído em até 60%, mas não podem ser ocas. O preço depende do acabamento e vai de R$ 2 mil a R$ 3,5 mil

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