Arquitetos propõem jardins d’água no Centro Cívico e Cândido de Abreu para pedestres

Projeto da Tellus Arquitetura Sustentável cria um Centro Cívico inteiramente novo, com lagos formados pelo rio Belém e parte da Cândido de Abreu exclusiva para pedestres

Novo Centro Cívico seria palco de jardins com lagos formados pelo Rio Belém. Imagem: divulgação/Tellus Arquitetura

por Aléxia Saraiva

11/10/2019

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Resgatar a conexão dos cidadãos com a natureza. Foi com esse norte que o escritório curitibano Tellus Arquitetura Sustentável propôs uma mudança radical em um dos trechos mais movimentados de Curitiba: o Centro Cívico. E se, em vez de múltiplas pistas para carros, a região entre o Bosque do Papa e o Passeio Público fosse uma passarela verde para pedestres, com diversos lagos formados pelo Rio Belém?

A ideia foi formulada para a 3ª Mostra Arquitetura para Curitiba. O novo trecho se dividiria em dois trechos: o Corredor Verde — ao longo da Avenida Cândido de Abreu — e o Corredor Azul — que representa o percurso do rio Belém, hoje canalizado. Os trechos se encontrariam na Praça Nossa Senhora de Salete, criando um espaço público com jardins, paredes verdes e wetland. O bônus: fazer a população de Curitiba entrar novamente em contato com seu rio e com a vegetação nativa.

O Corredor Azul

Imagem: divulgação/Tellus Arquitetura

O protagonista do Corredor Azul é o Rio Belém, destino de esgotos — e, assim, contaminado — desde 1888. Um novo e limpo Rio Belém ficaria à vista da população em uma wetland, espécie de jardim d’água. Além da função de drenagem urbana, o rio ganharia uma função paisagística.

A wetland seria usada para o tratamento da água: cada bacia teria sua função no processo, e a água seria purificada no percurso de uma bacia para outra. O fim do trajeto traz uma queda d’água e chafarizes que lançam a água — neste ponto, limpa — para cima.

“Ao longo do caminho do rio, as pessoas poderiam se reconectar à paisagem e ao meio urbano, com diversas possibilidades de fruição, desde apreciar os visuais deste parque linear, quanto aproveitar os espaços de lazer, jardins e calçadas as quais o curso do rio é conectado”, explicam os arquitetos no projeto.

O parque se completa com espaços de lazer, jardins e restaurantes ecológicos, fazendo com que o espaço de permanência crie a conexão entre a natureza e os cidadãos.

O Corredor Verde

Imagem: divulgação/Tellus Arquitetura

Encomendada em 1941 a partir da implementação do Plano Agache — primeiro plano diretor da cidade —, a avenida Cândido de Abreu é uma das principais veias da cidade, ligando o centro ao Centro Cívico. No Corredor Verde, ela retoma sua importância com um parque linear. A avenida traria diferentes modais, fazendo carros e ônibus conviverem com espaços exclusivos para pedestres.

O parque linear seria multifuncional, com quadras poliesportivas, playgrounds, anfiteatros e quiosques. Além disso, o paisagismo seria composto apenas por espécies de vegetação local. Pisos drenantes e jardins de chuva integram o desenho.

Imagem: divulgação/Tellus Arquitetura

Uma praça multifuncional também faria parte do Corredor Verde. O trecho entre as ruas Mateus Leme e Euclides Bandeira ganha, aos olhos dos arquitetos, uma rampa verde, cuja função é ser portal para o parque. Abaixo da rampa, funcionam bares; acima, um mirante permite observar o parque, que convive com hortas urbanas que fornecem alimentos para uso local.

Para completar, a proposta traz estacionamentos verticais de infraestrutura sustentável. Com telhados e paredes verdes, esses prédios seriam importantes para melhorar a qualidade do ar ao redor, servindo ainda de solução estética ao bairro repleto de empreendimentos. Painéis fotovoltaicos e vagas para diferentes modais — carros e bicicletas — fecham a ideia.

“Curitiba é conhecida como “cidade verde”, exemplo em iniciativas sustentáveis e limpeza urbana. Contudo, é necessário que se faça jus a esse status. É por meio de uma iniciativa biofílica que a reconexão com o espaço construído e a natureza se torna possível: uma experiência única a cada dia. Ao tornar a vivência de um local boa novamente, todo o entorno pode sentir os efeitos positivos alcançados”, afirma a equipe.

3ª Mostra Arquitetura para Curitiba

Foto: Iram Oteiro/divulgação

A terceira edição da exposição bienal que apresenta provocações e possibilidades para a cidade traz o tema “Cidade Presente, Cidade Ausente”. A exposição consiste em 21 propostas desenvolvidas em parcerias de arquitetos com estudantes de todos os cursos de arquitetura da cidade. Os grupos se debruçaram sobre os projetos durante quatro meses.

Desta equipe, participaram os arquitetos Adriane Cordoni Savi e Ormy Hütner Junior, o engenheira ambiental Aline Medeiros Ferreira de Araujo e os estudantes Juliana Hitomi Hara, Júlia Pereira Fayad, Jennifer Mendes Kwiatkowski, Giovana Terribile, Giovanna Schiwinski Verussa, Jackeline Fukuda Ngan, Icaro Grzyb Brancher e Héber José Fontanin.

Serviço

3ª Mostra Arquitetura para Curitiba

De 15 de outubro a 15 de dezembro no 2º andar do Memorial de Curitiba (R. Dr. Claudino dos Santos, 79 – São Francisco).

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