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Igreja Matriz de Ouro Preto. Foto: André Macieira/Iphan/Divulgação
Igreja Matriz de Ouro Preto. Foto: André Macieira/Iphan/Divulgação| Foto:

Funcionária de carreira do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1974, a museóloga Célia Corsino foi exonerada do comando da superintendência do Iphan de Minas Gerais (Iphan-MG), um dos mais importantes do país, já que o estado concentra 60% dos bens tombados pelo instituto, conforme publicação no Diário Oficial da União na última quarta-feira (25).

Em seu lugar, por nomeação do ministro do governo federal, Osmar Terra, da pasta da Cidadania, entrará o jornalista Jeyson Dias Cabral da Silva, que é cinegrafista da Câmara Municipal de Juiz de Fora, e já atuou como assessor legislativo do ex-vereador e hoje deputado federal Charlles Evangelista (PSL).

A alteração na direção do Iphan-MG , que acontece após mudanças polêmicas em outras quatro superintendências do instituto pelo Brasil, gerou perplexidade em diversas entidades da área do patrimônio e políticos do estado pela falta de conhecimento técnico do novo indicado.

Painel de Portinari para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, em que ele representa o santo e diversos animais. Foto: divulgação
Painel de Portinari para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, em que ele representa o santo e diversos animais. Foto: divulgação

Preocupados com a troca no comando, os prefeitos de Diamantina (Juscelino Roque, do PMDB), Congonhas (Zelinho, do PSDB) e Ouro Preto (Júlio Pimenta, do PMDB) enviaram cartas ao ministro Osmar Terra pedindo a permanência de Célia na superintendência. As três cidades gozam do status de patrimônio da humanidade pela Unesco.

Autoridade mundial em patrimônio é substituída por cinegrafista no comando do Iphan-MG

Mãe do patrimônio imaterial brasileiro

Célia é considerada autoridade mundial em patrimônio por todo o seu histórico, mas principalmente por ter ajudado a criar o Registro dos Bens Culturais de Natureza Imaterial, o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, ambos datados de 2000, e o primeiro museu brasileiro de patrimônio imaterial em uma antiga estação ferroviária de Belo Horizonte, como lembra o renomado arquiteto carioca Cyro Lyra, 81 anos, que até hoje atua no patrimônio por todo o Brasil.

“As pessoas não precisam ser arquitetas para lidar com patrimônio. Mas não podem ser tecnicamente despreparadas. Veja a atual presidente do Iphan, por exemplo, a Kátia Bogéa. É historiadora, educadora, com muita sensibilidade ao patrimônio e conhecida pela educação patrimonial que semeou no Maranhão”, defende Lyra. “Mas isso não se adquire da noite para o dia. O conhecimento técnico se forma ao longo da vida. É básico! Minas Gerais perde muito sem ela.”

*Com informações de Aléxia Saraiva.

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