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Dia 7 de julho celebra-se o centenário de nascimento do arquiteto e engenheiro Lolô Cornelsen| Foto: Arquivo do Lolô

Na próxima quinta-feira, dia 07 de julho, o arquiteto e engenheiro Ayrton João Cornelsen, popularmente batizado de Lolô Cornelsen, completaria 100 anos. Uma das grandes figuras do modernismo brasileiro, considerado "pai" de projetos icônicos, como a Estrada da Graciosa e a Rodovia do Café, Lolô, porém, faleceu em março de 2020, aos 97 anos.

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Para celebrar os 100 anos, a família Cornelsen organizou um evento gratuito no Museu Oscar Niemeyer (MON) no próximo dia 7. A partir das 20h, no auditório Poty Lazarotto, acontecerá a mesa-redonda “Reflexões sobre a obra do Lolô”, mediada por Rafaela Tasca, com os arquitetos Salvador Gnoato, Marcos Bertoldi, Guilherme de Macedo e Fernando Canalli.

| Arquivo do Lolô

O evento contará ainda com obras em audiovisual, com destaque para os vídeos “Lolô Maravilha”, de Acir Guimarães, e “Lolô – Sem Palavras”, de Iko e Hiran Pessoa de Mello, e o feature sonoro “Lolô – Últimas Palavras”, de Airton Pissetti.

Outra grande atração do evento será o pré-lançamento do livro “Lolô Cornelsen – Vida e Obra”, obra assinada por Guilherme de Macedo e Jose Henrique Zuchi. Os projetos arquitetônicos mais relevantes de Lolô, até suas contribuições para o desenvolvimento social e econômico do oeste e sudoeste do Paraná, são retratados no livro, que será lançado oficialmente ainda em 2022.

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Lolô posando para retrato em uma de suas últimas entrevistas para HAUS, em 2016| André Rodrigues/Gazeta do Povo/Arquivo

Macedo pesquisou sobre Cornelsen ainda na faculdade, trabalhou em um escritório na icônica Residência Belotti, projetada pelo arquiteto, e chegou a conhecer Lolô, contato que o estimulou a reunir as principais obras do celebrado curitibano. “Ele é muito diverso e sempre acaba surpreendendo a gente”, comenta Macedo. “A ideia do livro é tentar alinhar a produção do Lolô, conseguir juntar em um material mais robusto toda a trajetória dele que, até então, se encontrava de forma pontual e muito isolada”, complementa.

Para Macedo, o centenário resgata a relevância de Cornelsen destacando a variedade de seus projetos e toda a influência que teve, tem e que ainda pode ter na arquitetura paranaense e brasileira. “Acredito que o principal ponto seja mostrar essa diversidade de coisas e momentos que a gente pode passar, que a gente não precisa ficar refém de um só tipo de arquitetura ou só um tipo de trabalho”, destaca. “Ele fazia algo que vinha de dentro para fora dele, queria fazer aquilo independentemente do que os outros pensassem, porém sempre pensava no outro. É o maior aprendizado que ele pode ter deixado: buscar ser eficiente de forma sustentável, inventiva e econômica, pensando sempre num Paraná melhor”, defende Macedo.

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Lolô-cornelsen-arquivo-do-lolo-centenario-mon-evento-pre-lancamento-biografia (1)| Arquivo do Lolô

Quem foi Lolô?

Lolô Cornelsen se formou simultaneamente em Arquitetura e Engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ganhando projeção nacional como um dos últimos arquitetos da geração de modernistas brasileiros.

Decidiu se dedicar à arquitetura depois de receber a bênção do urbanista francês Alfred Agache em 1941, que viu no jovem um futuro promissor. Como diretor do DER-PR, as linhas de seu lápis deram origem a mais de 400 km em estradas. Além disso, planejou a colonização do oeste e sudoeste do Paraná, estruturando diversas novas cidades com planos diretores, e foi responsável pelo projeto de alguns marcos do urbanismo, entre eles o ferry-boat de Guaratuba.

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Lolô-cornelsen-arquivo-do-lolo-centenario-mon-evento-pre-lancamento-biografia (1)| Arquivo do Lolô

Após ser tachado de comunista durante o Governo Juscelino Kubitschek -- graças ao seu gosto pela cor vermelha e por ter sido enviado pelo presidente para divulgar a arquitetura brasileira em Moscou --, Lolô imigrou para Portugal durante os anos de governo militar.

Em seus anos no exterior moldou um extenso currículo com casas modernistas, clubes, hospitais, escolas, campos de golfe e hotéis em países da Europa, África, América do Norte e do Sul. Em 1976, retorna para Curitiba e cria diversas casas com influências claras da arquitetura portuguesa, como a Vila Camões, tida como o primeiro condomínio residencial da capital paranaense.

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Lolô-cornelsen-arquivo-do-lolo-centenario-mon-evento-pre-lancamento-biografia (1)| André Rodrigues/Gazeta do Povo/Arquivo

Apaixonado por esportes, foi jogador de vôlei, arriscou-se na corrida com barreiras e chegou a defender a Seleção Paranaense de Basquete. Mas foi no futebol que teve suas maiores conquistas esportistas. Foi tricampeão do Campeonato Paranaense com a camisa do Clube Atlético Paranaense, em 1943, 1944 e em 1945. O arquiteto também foi convidado a redesenhar o escudo do clube Atlético Paranaense, sendo o criador do tradicional CAP estilizado e inspirado no estilo barroco que acompanhou o rubro-negro até 2019.

A paixão pelos esportes também acompanhou seus projetos. Além dos estádios Couto Pereira e Pinheirão, em Curitiba, Lolô também foi responsável pela Vila Olímpica do Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Sua experiência com estradas também renderam a Lolô emblemáticas participações na construção de autódromos como o Autódromo Internacional de Curitiba, Autódromo de Jacarepaguá (Rio de Janeiro), Autódromo de Luanda (Angola) e Autódromo de Estoril (Portugal).

Nos últimos anos de vida, Lolô dedicou-se a pintar e projetar campos de golfe. Ele também fazia parte do Banco de Ideias do Instituto de Engenharia do Paraná, no qual ajudou a projetar e aprimorar casas pré-moldadas (baratas e de fácil construção) para auxiliar na reconstrução do Haiti, após a destruição do terremoto de 2010.

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