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Imagem: Jaime Lerner Arquitetos Associados/Divulgação
Imagem: Jaime Lerner Arquitetos Associados/Divulgação| Foto:

O escritório do lendário urbanista curitibano Jaime Lerner apresentou no final do ano passado uma série de soluções arquitetônicas para a reestruturação urbana de diversos pontos de Santos, cidade do litoral de São Paulo. Entre as intervenções propostas, está a requalificação das áreas de palafitas, e não a supressão desse tipo de moradia típica, como seria de se esperar.

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"Há décadas o governo vem tentando remover as palafitas. Mas elas só crescem ano após ano. Percebemos com os nossos estudos que tentar sumir com essas moradias seria como enxugar gelo. As pessoas da comunidade sempre acabam voltando. Elas já estão acostumadas com os serviços próximos e a localização", explica a arquiteta Ariadne dos Santos Daher, coordenadora do estudo global para Santos e integrante do Jaime Lerner Arquitetos Associados.

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"Por que, então, não abraçar essa identidade? Da mesma forma que habitações tradicionais viraram a marca de outras cidades pelo mundo, como Bora Bora, na Polinésia Francesa, ou Veneza, na Itália, por exemplo", sugere a arquiteta.

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O ponto de partida seria substituir aos poucos as casas existentes pelas novas palafitas projetadas por Jaime Lerner, seguidas por regularizações da rede elétrica e de esgoto, e educação ambiental para recuperar os mangues da área. Segundo estudos dos arquitetos, o novo arquétipo da moradia flutuante teria 60 m² e teria uma abertura no teto, como as casas-pátio da Roma antiga, para garantir insolação e ventilação adequadas.

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Como esmiúça o arquiteto Felipe Guerra, que também contribuiu para a solução, a fundação seria toda em concreto e metais anticorrosão, e todo o restante seria de painel wall modular para que os próprios moradores pudessem montar. "Para facilitar a organização, pensamos em pequenos condomínios de 20 casas, com entradas independentes, com geração de energia autônoma e rede de infraestrutura aparente", esclarece Guerra.

Além de já contemplar espaços para expansões futuras das famílias, nos interstícios entre as casas, o projeto também prevê espaços de lazer, áreas esportivas e de relaxamento dentro dos condomínios.

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Para diminuir a área de invasão das casas sobre o mar, a solução foi conceber na divisa com a rua edifícios de 2 ou 3 pavimentos, que também seriam as entradas para os condomínios residenciais e trariam a possibilidade de térreo com uso misto, a fim de povoar o local também com comércios locais.

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"A ideia inicial era levar as pessoas para outro lugar e retirar as palafitas por completo", confidencia o arquiteto Glaucus Renzo Farinello, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Santos.

"Até que se chegou na requalificação das palafitas. Pedimos alguns ajustes. É uma questão polêmica, mas a solução ficou muito interessante, simples e bonita. E, por incrível que pareça, foi muito bem aceita."

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Ariadne e Guerra criaram ainda outras soluções de moradia para outras áreas da cidade, e destacam que cada uma das ideias foram desenvolvidas para casos particulares das comunidades da cidade, e não geradas como solução massificada.

O escritório de Jaime Lerner ainda se debruçou sobre o transporte coletivo e a vida social de outras regiões de Santos. De acordo com Farinello, o projeto do arquiteto curitibano foi doado para Santos pela ONG Comunitas, que é ligada ao Centro Ruth Cardoso e que destina recursos a projetos sociais.

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"Como tantas outras cidades do Brasil, o centro de Santos tem sofrido com o esvaziamento das pessoas", comenta Farinello. "E tem como agravante a competição desigual, pois o centro político está do outro lado da cidade. Então a gente precisa retomar, reocupar o espaço e valorizar o patrimônio belíssimo que temos."

Na opinião do especialista da prefeitura, ações isoladas de comércio e turismo não são suficientes. A solução reside em ter gente morando e utilizando os espaços. "Estabelecer lei de incentivo para repovoamento da região central, conjuntos de desenho urbano para atrair".

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Segundo a Prefeitura de Santos, o projeto foi recebido e está em discussão com a sociedade e validação com os órgãos competentes, como a Marinha, a União, o governo do Estado de São Paulo e o município.

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