Morre Carlos Ceneviva, o pai da rede integrada de transporte de Curitiba

O arquiteto e urbanista de 82 anos virou referência mundial em mobilidade urbana ao defender soluções inteligentes e de baixo custo para as cidades

Foto: Arquitetos da Revolução/YouTube/Reprodução

por Luan Galani

05/01/2020

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Faleceu na manhã deste domingo (5) o arquiteto Carlos Eduardo Ceneviva, 82 anos, considerado o pai da rede integrada de transporte de Curitiba. A causa da morte não foi divulgada. O velório será nesta segunda-feira (6) às 10h na Capela Vaticano. O sepultamento será na terça-feira (7) no Crematório Vaticano, em Almirante Tamandaré.

Nascido em Catanduva, interior de São Paulo, o arquiteto foi criado em Londrina, no interior do Paraná, e viveu a maior parte de sua vida na capital paranaense, onde integrou a equipe de trabalho de Jaime Lerner na cidade desde 1970. Tornou-se referência mundial em mobilidade urbana, defendendo soluções de baixo custo e alta performance. Foi presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba de 1979 a 1980.

Foto: Arquivo/Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Ceneviva foi responsável pelo fechamento dos terminais e pela implantação da tarifa única. Em 1989 presidiu a Urbs, tendo  encaminhado o processo de incremento da Rede Integrada, com a implantação, em 1991, das Linhas Diretas (Ligeirinhos) e estações-tubo fora das canaletas. Em 1992, implantou os biarticulados no eixo Boqueirão, e em 1995, no eixo Norte-Sul. Essas obras contaram com investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), dentro de um pacote que, além da inovação no transporte, dotou a cidade com as primeiras ruas da cidadania, os núcleos descentralizados de serviços públicos.

Até meados dos anos 2000, o arquiteto desenvolveu estudos e projetos de mobilidade no Brasil e exterior. De volta a Urbs, em 2005, foi um dos responsáveis pela elaboração do anteprojeto de ultrapassagem nas canaletas do expresso que culminou com a implantação do Ligeirão, primeiro no eixo Boqueirão, e mais recentemente no eixo Norte-Sul. Retornou ao Ippuc em 2017 e permaneceu até o início de 2018 no suporte a novos projetos de transporte.

Ceneviva em 2018, quando foi agraciado com a medalha da Ordem Municipal da Luz dos Pinhais de Curitiba. Foto: Prefeitura de Curitiba/Divulgação

“Alma gentil, tímido e humilde, parecia não se dar conta da dimensão de sua obra. Só após alguma insistência é que se dispunha a falar de sua notável trajetória , mas não era necessário qualquer esforço para extrair dele sugestões e considerações sobre o transporte urbano, generoso que era com a ideia de melhorar a qualidade das nossas cidades”, escreveu em homenagem pública neste domingo (6) o arquiteto Jaime Lechinski, que faz parte do escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados. “Como nas pipas que gostava de criar e tão bem sabia empinar, ou na sinuca que jogava com mestria, Ceneviva sabia dos movimentos da cidade, seus caprichos, seu timing, suas demandas e vocações.”

“A arquitetura perde. Poucos arquitetos contribuíram tanto sem receber glórias. Assim foi Carlos Eduardo Ceneviva. Sempre o admirei muito”, lamenta a arquiteta Rosina Parchen, que por décadas chefiou o patrimônio cultural do estado do Paraná.

“Lá nos idos anos de 1970, o mundo só conhecia o transporte por metrô. O transporte com ônibus foi criado aqui. Se não fosse o Ceneviva, nosso sistema de transporte não seria como é hoje. Ele foi chave“, conta o arquiteto Osvaldo Navaro, que trabalhou intimamente com Ceneviva.

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