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Entrevista

“O Brasil precisa de arquiteto pé no chão”, diz nova presidente do CAU-BR, 1ª mulher a ocupar o cargo

  • PorIsadora Rupp, especial para HAUS
  • 18/01/2021 19:09
“O Brasil precisa de arquiteto pé no chão”, diz nova presidente do CAU-BR, 1ª mulher a ocupar o cargo
| Foto: Divulgação/CAU-BR

A arquiteta e urbanista Nadia Somekh está acostumada a ser a pioneira na representatividade feminina dentro do meio de arquitetura e urbanismo: na última quinta-feira (14), ela foi eleita a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) para o triênio 2021-2023.

Não é a primeira vez que Nadia ocupa espaços nunca antes ocupados por mulheres: graduada e doutora pela Faculdade de Arquitetura de Urbanismo (FAU) da USP e professora emérita da universidade presbiteriana Mackenzie ela foi, em 2005, a primeira diretora da faculdade onde leciona.

Sobre a presidência do conselho, acredita que a eleição de uma mulher não demorou tanto como em outras entidades. "O CAU tem 10 anos [fundado em 2011]. Pior é o IAB [Instituto de Arquitetos do Brasil] que elegeu homens por mais de 90 anos e reconheceu apenas recentemente a primeira mulher", diz. Nadia refere-se à eleição de Maria Elisa Baptista para a presidência do IAB, em 2020, e ao prêmio máximo da entidade, o Colar de Ouro, dado em 2019 para Rosa Kliass. "O reconhecimento é uma novidade. Os homens estavam na hegemonia e achavam que isso era normal. Nós não queremos excluir homens, mas sim sermos incluídas. Temos uma perspectiva de gestão feminina no sentido de cuidar" salienta.

Nadia Somekh
A arquiteta Nadia Somekh é a primeira mulher a ocupar a presidência do CAU-BR. | Divulgação/CAU-BR

Pesquisadora do CNPQ sobre a verticalização das cidades brasileiras e autora de livros como “A Cidade Vertical e o Urbanismo Modernizador” e "Bexiga em Três Tempos", Nadia traçou um diagnóstico sobre a profissão de arquiteta quando coordenou a comissão de equidade de gênero na gestão anterior do CAU (de 2018 a 2020). Apesar de as mulheres serem a maioria da classe (cerca de 65%), há discrepâncias na área salarial, relatos de assédio e falta de reconhecimento técnico. "Elas são autoras de projetos que não podem assinar, o crédito não é dado a elas. Falta voz e visibilidade" frisa a presidente.

Mais Arquitetos

Na mesma comissão, Nadia propôs o Programa "Mais Arquitetos", para ampliar o trabalho de arquitetura social no Brasil, algo que irá continuar na sua gestão como presidente junto aos conselhos estaduais, para estimular o trabalho de arquitetos e engenheiros em mais municípios do Brasil. "O povo reconhece o valor dos médicos porque precisa [deles]. O dos advogados porque tem defensoria pública. E não vemos o reconhecimento da arquitetura, que pode melhorar as condições de habitabilidade no Brasil".

Vista aérea da favela de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro
Vista aérea da favela de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. | va/se/VANDERLEI ALMEIDA

Para ela, além desse resgate do prestígio social, o Brasil está precisando de mais arquitetas e arquitetos "pé no chão". "Cerca de 1/3 das casas no Brasil são precárias. Precisamos de profissionais que melhorem a habitabilidade. Que achem soluções para a umidade, para as crianças não terem asma" exemplifica. "É preciso enfrentar a vulnerabilidade da maioria da população brasileira com o desenvolvimento de programas de habitação de interesse social".

Moradia

Na visão de Nadia, programas como o Banco Nacional de Habitação (BNH) e o Minha Casa Minha Vida (MCMV) não conseguiram resolver o problema maior da habitação, que é o de atender a população pobre.

A presidente, que fez um trabalho acadêmico sobre a atuação do BNH (criado em 1964), acredita que é necessário observar a questão fundiária e de regulação de preços dos imóveis. "Temos que estimular o setor, mas programas como o Minha Casa Minha Vida ataca as faixas de renda mais altas. O que a gente precisa é ver o que a população pobre necessita", ressalta Nadia, que está analisando o Casa Verde Amarela, programa habitacional do atual governo federal, em substituição ao (MCMV). As regras do novo programa foram publicadas no dia 15 de janeiro via decreto.

Outro aspecto fundamental na visão da nova presidente do CAU é que os arquitetos olhem para a periferia. "45% da população com uma renda média mora em casas de periferia. Pessoas que querem reforma, e não tem arquiteto para fazer um projeto de melhoria. Habitação é um interesse social", finaliza.

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