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Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, laureados com o Prêmio Pritzker 2021.
Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, laureados com o Prêmio Pritzker 2021.| Foto: Laurent Chalet

O casal de arquitetos franceses Anne Lacaton, 66 anos, e Jean-Philippe Vassal, 65 anos, são os vencedores do Prêmio Pritzker 2021, considerada a maior e mais importante honraria de arquitetura do mundo. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (16), em Chicago, pelo presidente da Fundação Hyatt, Tom Pritzker, que financia a premiação há décadas.

A dupla, que vai na intencionalmente na contramão dos 'starchitects' (arquitetos estrela, em tradução livre) são os terceiros profissionais de nacionalidade francesa a serem reconhecidos pelo Pritzker. Até então, em toda a sua história, apenas Christian de Portzamparc, em 1994, e Jean Nouvel, em 2008, haviam sido reconhecidos pelo prêmio.

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Lacaton e Vassal na Universidade de Harvard, onde foram professores visitantes.
Lacaton e Vassal na Universidade de Harvard, onde foram professores visitantes. | Rose Lincoln/Harvard University

Arquitetura minimalista com viés social

A dupla de arquitetos, que também é um casal, é internacionalmente reverenciada pelos projetos de habitação social, de espaços públicos generosos, de instituições de ensino e de planejamento urbano, sempre tomando partido de estruturas pré-existentes, sendo veementemente contra demolições e utilizando materiais banais para erigir construções minimalistas.

“A boa arquitetura é aberta para a vida, aberta para melhorar a liberdade e onde qualquer pessoa possa fazer o que quizer", defende Lacaton, em nota, que é a sexta arquiteta a ser premiada pelo Prtizker em seus em 42 anos de existência. "Isso não deveria ser demonstrativo ou impositivo, mas precisa ser algo familiar, útil e belo, com a habilidade de apoiar, de forma sutil, a vida que ocupará o espaço."

Detalhe de uma das 53 unidades de apartamento para habitação social, em Saint-Nazaire, na França, em 2011.
Detalhe de uma das 53 unidades de apartamento para habitação social, em Saint-Nazaire, na França, em 2011.| Philippe Ruault

Segundo o júri que laureou os arquitetos franceses, o que inclui o diplomata e crítico de arquitetura brasileiro André Corrêa do Lago, Lacaton e Vassal "não apenas renovam o legado do modernismo, como propõem uma definição reajustada da própria profissão da arquitetura; os sonhos e esperanças modernistas de melhorar a vida de muitos ganham fôlego novo por meio de suas obras, que também respondem às emergências climáticas e ecológicas de nosso tempo."

Sua grande obra mais recente é o Palais de Tokyo, em Paris, concluída em 2012, depois de um restauro quase uma década anterior. O espaço do museu cresceu 20 mil m², em parte pela criação de áreas subterrâneas, e pela garantia de que cada espaço valoriza a experiência do visitante. Eles aposentaram os cubos brancos tão característicos em galerias e museus de arte contemporânea, e investiram em espaços com uma estética inacabada.

Um dos espaços do Palais de Tokyo, em Paris, que aposentou o uso do branco em espaços de arte, em prol de cenários mais humanos e flexíveis.
Um dos espaços do Palais de Tokyo, em Paris, que aposentou o uso do branco em espaços de arte, em prol de cenários mais humanos e flexíveis.| Philippe Ruault

O que permite que curadores e artistas criem exposições para todos os tipos de arte, com cenários que vão de espaços mais escuros e cavernosos, até áreas transparentes e banhadas pela luz natural. "Transformar é uma oportunidade de fazer mais e melhor pelo que já existe. Demolir é uma decisão muito fácil e rápida. Isso desperdiça muitas coisas, como energia, material e história. Além do mais, tem um impacto social muito negativo. Para nós, é um ato de violência", afirmam os arquitetos franceses em nota do Pritzker.

Construções modestas, porém refinadas

Depois de se conhecerem na década de 1970 na École Nationale Supérieure d'Architecture et de Paysage de Bordeaux, Lacaton fez um mestrado em planejamento urbano na Bordeaux Montaigne University, em 1984, enquanto Vassal se mudou para o Níger, na África, para trabalhar com urbanismo. Segundo Lacaton e Vassal, foi lá que começou a gênese da sua doutrina arquitetônica, uma vez que o casal foi profundamente influenciado pela beleza e humildade dos recursos, construções e paisagens desérticas daquela região.

“O Níger é um dos países mais pobres do mundo, e mesmo assim seu povo é tão incrível, tão generoso, conseguem fazer quase tudo com nada, encontrando recursos o tempo todo com otimismo, cheios de poesia e inventividade. Foi uma segunda escola de arquitetura para nós", relembra Vassal. Até hoje os projetos da dupla são marcados pelo refinamento simples e pelas soluções modestas.

Casa em Bordeaux, projetada pela dupla francesa que leva o Pritzker 2021.
Casa em Bordeaux, projetada pela dupla francesa que leva o Pritzker 2021.| Philippe Ruault

Hoje, além do escritório, Lacaton é professora de Arquitetura e Design no Instituto Federal Suíço de Tecnologia (ETH Zurich) e professora visitante da Universidade Politécnica de Madri, na Espanha, tendo lecionado no passado em outras instituições de renome, como Harvard, nos EUA, e Delft, na Holanda.

Já Vassal é professor na Universidade de Artes de Berlim, tendo passado pela Universidade Técnica de Berlim e a École Nationale Supérieure d'Architecture de Versailles.

FRAC, em Nord-Pas de Calais, utiliza estruturas portuárias antigas para criar espaços para exibições de arte.
FRAC, em Nord-Pas de Calais, utiliza estruturas portuárias antigas para criar espaços para exibições de arte.| Philippe Ruault
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