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Apartamento Alameda Lorena.
Projeto do Andrade & Mello Arquitetura em apartamento na Alameda Lorena, em São Paulo, que passou por reforma.| Foto: Luis Gomes/Divulgação

É fato, e não tem como negar: obra em casa dá, sim, muito trabalho, estresse, barulho e dor de cabeça. Fora os atrasos no cronograma, infelizmente, comuns. Por isso, ao decidir remodelar o apartamento ou a casa, é preciso ter isso em mente.

Mas reforma não é só incômodo: melhoria da qualidade de vida, funcionalidade e valorização do imóvel - que pode chegar a 60% do valor de compra, sobretudo no caso de apartamentos antigos - são alguns dos benefícios que acabam superando as dificuldades.

Conversamos com a arquiteta Gabriela Casagrande, do escritório Gabriela Casagrande Arquitetura, e com Renato Andrade, arquiteto e sócio do escritório Andrade & Mello Arquitetura sobre o tema. Eles listaram oito aspectos fundamentais na hora de decidir - e executar - uma reforma:

1- Elabore um contrato

"Um contrato bem amarrado, estipulando prazos e com aplicação de multa em caso de atraso é uma precaução", fala a arquiteta Gabriela Casagrande. Jamais pague por uma obra ou serviço antecipadamente. "Normalmente, os escritórios de arquitetura têm parceria com empresas que executam a obra, e o gerenciamento e pagamento é feito mediante fiscalização por parte do escritório das etapas".

2 - Faça a obra de uma só vez

Pela questão do incômodo, é melhor resolver a reforma inteira em uma só tacada, acredita Gabriela. Ou, caso não seja possível a intervenção completa, é melhor fatiar a obra por etapas, ensina Renato Andrade, e não por ambientes. "Primeiro faça toda a parte de areia, que é aquela parte de quebrar, a parte mais cinza, que tem cimento. Com tudo isso pronto, depois você entra com a marcenaria e, por fim, com o mobiliário".

O "antes"da sala de um apartamento adquirido pela arquiteta Gabriela Casagrande para investimento. Foto: Arquivo Pessoal. <br /><br />
O "antes"da sala de um apartamento adquirido pela arquiteta Gabriela Casagrande para investimento. Foto: Arquivo Pessoal.

E o depois. Reforma gerou uma valorização de mais de 60% no imóvel, vendido pela arquiteta posteriormente. Foto: Arquivo Pessoal.
E o depois. Reforma gerou uma valorização de mais de 60% no imóvel, vendido pela arquiteta posteriormente. Foto: Arquivo Pessoal.

3 - Entenda o seu gosto. E mantenha as características originais ao máximo

Para Andrade, certas características do apartamento, sobretudo os antigos, contam inclusive um pouco da história arquitetônica do Brasil. "Descaracterizar muito um imóvel antigo pode ser um tiro no pé. Um apartamento dos anos 1950, é lógico que terá chão de taco. Se não gosta, melhor procurar outro", exemplifica. "Um edifício como o Cinderela, do Artacho Jurado [ no bairro de Higienópolis, em São Paulo], tem o guarda corpo cor de rosa. Se você não gosta da cor, não adianta, não queira mudar o que é característico. Vale também para relacionamento entre casais", brinca.

4 - Jamais troque chão de taco de madeira por materiais menos nobres

Mesmo que o taco esteja detonado, investir em restaurar o piso é o melhor caminho, diz Gabriela. Esse tipo de piso hoje é extremamente caro; segundo ela, acima de R$ 300 o metro quadrado. "Se tem taco, mantenha". Para restauro, geralmente se faz o lixamento de toda a área e finalização com verniz - Gabriela indica o acabamento fosco, o mais elegante.

Projeto Andrade & Mello Arquitetura. Foto: Luis Gomes.
Projeto Andrade & Mello Arquitetura. Foto: Luis Gomes.

5 - Revise a parte hidráulica e elétrica

Para imóveis com mais de 20 anos, o ideal é revisar a parte elétrica e fazer as substituições necessárias. A hidráulica dependerá de cada imóvel; vale a pena, pontua Gabriela, reverter para aquecimento à gás, algo que os edifícios antigos não têm. Não esqueça de um bom acabamento das tomadas. "É algo irrelevante no valor da obra e dá um toque a mais", frisa.

6 - Considere a insolação do apartamento

Segundo Gabriela, apartamentos com face norte não necessitam, obrigatoriamente, de ar condicionado, já que a incidência solar é menor no verão e maior no inverno. Já a face sul é o contrário: neste caso, instale previamente ar-condicionado e converse com o arquiteto sobre soluções de ventilação.

7 - Faça mudanças estruturais reversíveis

Integrar ambientes é uma tendência irreversível na arquitetura, mas pense em possibilidades que possam ser revertidas no futuro - caso você se mude e necessite vender ou, tenha outra ideia depois, fala Renato Andrade. No caso de apartamentos antigos que contavam com a defasada "dependência de empregada", é válido integrar esse espaço a outros cômodos conforme a possibilidade da planta, pontua Gabriela Casagrande.

8 - Leve o encantamento em consideração

Um apartamento com planta ampla e ventilação incrível que está "detonado"pode virar um lugar dos sonhos com as intervenções corretas, acredita Andrade. "Como o custo de investimento da compra nesses casos é menor, é possível se planejar para que o restante do dinheiro seja usado para mudar o que for preciso".

Por isso, se você se apaixonou por um determinado detalhe do imóvel, mesmo que ele não esteja no estado ideal, dê uma chance. "Tenho um cliente que comprou um apartamento no Bixiga porque se apaixonou pela varanda no banheiro, o que dava uma bossa, uma característica própria. Questões estruturais e espaciais importam, mas pense no que também vai ficar relacionado às suas memórias e sonhos naquela casa", crê Renato Andrade.

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