Inspirada na civilização maia, Cancún terá 1ª cidade eco inteligente do mundo

A cidade eco inteligente projetada pelo italiano Stefano Boeri privilegia áreas verdes e só irá permitir o acesso com carros elétricos e barcos

Imagem: Stefano Boeri Architetti/The Big Picture/Divulgação

por Fernanda Massarotto *

30/10/2019

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Os números impressionam: 577 hectares dos quais 400 destinados a parques, 7,5 milhões de plantas de 400 diferentes espécies; 260 mil árvores, cerca de 2,3 por habitante. Esta é a primeira cidade eco inteligente e estará pronta em 2026 a 100 quilômetros de Cancún, no México. A arrojada iniciativa é do grupo imobiliário Karim’s que engajou o arquiteto Stefano Boeri, pai do premiado Bosco Verticale, um edifício residencial sustentável em Milão, na Itália, que ficou famoso mundo afora.

A futura Smart Forest City é inspirada nas enigmáticas cidades-floresta das civilizações maia e será a primeira autossuficiente e sustentável do planeta. Uma mini Vale do Silício latinoamericana. “A proposta é criar um polo dedicado à inovação que irá abrigar instituições acadêmicas, centros de pesquisa e empresas preocupadas com os temas ligados à sustentabilidade”, explica o arquiteto Stefano Boeri. As obras já começaram e acontecem em colaboração com o escritório alemão Transsolar Lima Engineering, responsável por implementar sistemas de eficiência energética.

Como funcionará a cidade inteligente

Inteligente, futurística e ecológica, a cidade green foi pensada para acolher seus residentes de maneira planejada. O acesso ao centro só será consentido por meio de carros elétricos, barcos e lanchas. Trens e veículos a combustão poderão chegar somente até a entrada da metrópole.  Painéis solares serão instalados ao redor de todo o perímetro da cidade/floresta horizontal. Uma torre de dessalinização irá fornecer água tratada vinda do mar por meio de um sistema de canais usados para circulação e irrigação no cinturão externo de plantações agrícolas.

Os 120 mil moradores poderão usufruir das mais avançadas tecnologias. E tudo será sustentável e “smart”. Todo o lixo produzido será recuperado e reciclado e cada habitante terá a sua disposição 40 metros de superfície verde. O projeto urbanístico foi concebido de acordo com princípios de infraestrutura energética, mobilidade e integração de espaços verdes que estarão por toda parte, inclusive nos tetos das casas, nos muros e até nas ruas. Até mesmo a distribuição de edifícios e lojas de comércio seguirão um planejamento igualitário.

“Haverá diferentes tipologias habitacionais para todo o tipo de morador: estudantes, pesquisadores e professores”, comenta o arquiteto italiano que optou por não criar um centro tradicional mas várias praças que servirão como pontos de integração entre os bairros.

A tecnologia é uma ferramenta fundamental na estilo de vida sustentável e na administração da cidade inteligente. Sensores instalados internamente nos edifícios e casas irão coletar dados e fornecer informações relevantes armazenados em um data-base. “Tais dados serão usados para melhorar e incrementar o abastecimento e economia de energia. Por exemplo, o morador poderá saber previamente os melhores horários para usar seus eletrodomésticos e assim reduzir o uso energético. Isso significa, pagar menos pelo fornecimento”, observa Stefano Boeri que revela a criação de um parque ornitológico para receber os turistas que passam por Cancún.

*Especial para a Gazeta do Povo, de Milão.

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