Toca do Urso: cervejaria Colorado simula uma caverna para receber visitantes

Espaço de visitas da Cervejaria Colorado tem projeto surpreendente com espécies nativas, reutilização de materiais locais e otimização dos recursos naturais

Espaço da Cervejaria Colorado, em Ribeirão Preto, terra natal da marca, imita uma caverna para receber os visitantes. Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

por Gazeta do Povo

06/09/2019

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Uma toca de urso. É assim que a gente se sente quando visita a fábrica da Cervejaria Colorado, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. E foi justamente essa brincadeira com o mascote e símbolo da marca de cerveja artesanal o ponto de partida do SuperLimão Studio, que ficou responsável pelo projeto da sede. O resultado foi uma caverna moderna e convidativa.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

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O espaço de quase 2 mil m² nasceu no espaço do antigo estacionamento em frente à fábrica da cervejaria, na Rodovia Anhanguera, no km 308. O diferencial está na utilização de diversas técnicas vernaculares e passivas para se criar um microclima agradável em uma região extremamente quente e pouco ventilada, sem enclausurar o ambiente e sem depender de técnicas ativas de condicionamento.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

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Buscou-se aproveitar o que já existia no entorno, como a copa de duas grandes árvores que sombreiam a área boa parte do dia. O grande salão circular foi enterrado 1,5 metro e a terra retirada do solo foi realocada criando um talude de 3 metros ao redor do salão central, criando uma grande barreira de inércia térmica como nas cavernas. A cobertura circular em formato de asa com clarabóia otimiza a circulação natural e capta vento em qualquer direção, como captadores de vento comuns em construções islâmicas.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

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No centro do salão foi construído um espelho d´água e um conjunto de canais. Todo o retorno da ventilação e ar condicionado acontece por grelhas no piso que ligam estes canais de forma que o ar é renovado e umidificado, diminuindo a temperatura naturalmente como nos antigos castelos medievais.

A somatória destas medidas ajudou a reduzir a temperatura interna em cerca de 15 graus em relação à área externa, sem a necessidade de uso de ar-condicionado (que existe no projeto, mas é utilizado apenas em casos extremos de calor). Além disso, foram plantadas árvores nativas no entorno com o propósito de diminuir a temperatura ao redor do projeto e reduzir a bolha de calor.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

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O formato circular do salão da Toca do Urso é constituído de paredes de gabião, que possuem ótima absorção e garantem conforto térmico dentro do salão, mesmo quando lotado, com mais de 150 pessoas. Além disso, o ângulo da cobertura ajuda a refletir o som e direcioná-lo para a área externa – como uma placa de rebatimento – o que não só reduz o ruído interno, mas distribui de forma uniforme o som das bandas que se apresentam. Semi-enterrado e rodeado de vegetação, o formato também ajuda a bloquear o ruído da rodovia que está próxima à entrada da fábrica.

O projeto não possui fechamentos, de forma que é sempre possível visualizar o jardim e o céu de qualquer ponto do espaço. O balanço entre luz natural e artificial é atingido através de claraboias e bandejas de luz. Há um alto índice de Iluminação natural e, ao mesmo tempo, um bloqueio de radiação que ajuda a diminuir a temperatura interna.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

A cobertura leve de telhas sanduíches com PU permitiram uma estrutura leve feita com vigas de lâminas coladas, que ajudou a diminuir a profundidade das fundações. Os anexos foram construídos através da reutilização de contêineres e até mesmo de um ônibus municipal que circulava na região.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Como um todo, o projeto buscou criar um ambiente que otimizasse os recursos naturais e também o combate ao desperdício e reaproveitamento de materiais. As paredes de tijolos foram assentadas utilizando uma parte da areia inerente do processo de filtragem da cerveja.

A maior parte dos materiais foram adquiridos num raio de, no máximo, 20 km da obra. O jardim é constituído por espécies nativas, boa parte frutíferas e que serão utilizadas na fabricação das cervejas.

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

Fotos: Maíra Acayaba/Divulgação

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