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Wood frame avança como solução construtiva para empreendimentos de interesse social
| Foto: Divulgação/ArquiBusiness

Alternativas às construções tradicionais em alvenaria não faltam (steel frame, paredes de concreto moldado, madeira engenheirada são apenas alguns exemplos), mas a substituição delas por sistemas mais rápidos, eficientes e com um viés mais fabril ainda esbarra em questões relacionadas à legislação, à falta de informação e a uma mudança na cultura de consumo do setor, que vai da incorporação ao usuário final.

E ao contrário do que costuma ocorrer com movimentos de mudança, nas quais elas geralmente vêm de cima para baixo, é na fatia dos imóveis econômicos que os investimentos nessas tecnologias, em especial no método wood frame, tem despontado. Isso porque ele se destaca como uma solução viável para reduzir o tempo e potencializar a eficiência das obras, por custos bastante equivalentes.

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"O wood frame é uma tecnologia que tem um potencial muito interessante em termos de futuro, pois ele avança no processo de industrialização, uma fez que uma parte relevante [da obra] é feita dentro da fábrica. Isso gera uma série de ganhos importantes para a construção civil: produtividade, controle da qualidade, rastreabilidade, segurança dos profissionais (já que um ambiente de fábrica é mais controlado)", avalia Mauro Bastazin, diretor-executivo da HM Engenharia. A empresa está com dois projetos de moradias de perfil econômico em wood frame em andamento em Paulínia, cidade do interior de São Paulo: Brisa da Mata Park e Brisa da Mata Village, que somam 146 unidades.

| Divulgação/HM Engenharia

"É um sistema que melhora o tempo de obra, possibilita maior controle dos custos e [entrega um produto final] com qualidade superior no que se refere ao conforto térmico e acústico do imóvel. Estes são os três pilares que nos fizeram buscar o wood frame", acrescenta Pedro Lorenzi, diretor de incorporação da Treèle Construtora, que está construindo um empreendimento para mais de 180 famílias no bairro Santa Cândida, em parceria com a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab).

Projetos

Composto por painéis formados por quatro camadas: chapa de madeira reflorestada e tratada, placa cimentícia, gesso acartonado (dry wall) e camada antiumidade, o wood frame tem boa parte de sua produção realizada no ambiente fabril - e é tão resistente quanto as construções de alvenaria convencional. As estruturas chegam praticamente finalizadas, apenas para montagem no canteiro de obras, o que exige um nível de detalhamento ainda maior de projeto, principalmente em relação às estruturas elétricas, hidráulicas e também de posicionamento das paredes, uma vez que modificações na fase de obra ou após a entrega do empreendimento demandariam esforço extra para serem realizadas ou, em alguns casos, até seriam impossíveis de serem realizadas.

Outras limitações esbarram em questões legais. Atualmente, por exemplo, o sistema é autorizado para utilização no Brasil para construções térreas ou de até quatro pavimentos, como lembra Lorenzi. Este é o caso, inclusive, do empreendimento em construção em Curitiba. Com projeto assinado pelo escritório ArquiBusiness, o programa do condomínio apresenta blocos de quatro pavimentos, com oito unidades por andar.

Empreendimento Colinas do Norte, em construção no Santa Cândida, em Curitiba.
Empreendimento Colinas do Norte, em construção no Santa Cândida, em Curitiba.| Divulgação/ArquiBusiness

"Um desafio de projeto era o desnível do terreno. Quisemos minimizar ao máximo a escavação do subsolo. Por isso, fizemos o embasamento [da construção] com laje protendida em concreto, diferentemente das obras [tradicionais], que costumam sair do chão. Com isso, os blocos vão ficar mais secos com menos umidade, e geramos um dos primeiros empreendimentos econômicos com quase 90% das vagas cobertas", explica Keiro Yamawaki, sócio-diretor do escritório.

Além dos prédios, há ainda casas sobrepostas no condomínio, totalizando 184 unidades. "Visualmente o projeto fica mais linear, menos enclausurante. Também brincamos com a pintura dos blocos a partir da variação de cores e de orientações da pintura para que mão fique massante. De cada ângulo que a pessoa vê o bloco, ela tem um visual diferente", conclui Yamawaki.

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