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A apropriação dos espaços públicos – no caso Catania – desenvolve as noções de cidadania e a sociabilidade.
A apropriação dos espaços públicos – no caso Catania – desenvolve as noções de cidadania e a sociabilidade.| Foto:

Itália mia, Brasile nostro

Não é exclusividade deles, evidente, mas fica particularmente claro: todos os países europeus, formados a partir de antigos reinos unificados num doloroso processo de formação de nacionalidade, vêm de uma cidade ou região com caracterizações culturais importantes: dialeto, culinária, economia – histórias de antigas relações comerciais, dinásticas e diplomáticas.

Menciono os italianos porque o caso deles é particularmente conhecido: os pequenos – e nem sempre tão pequenos…–  reinos, centrados por cidades poderosas, foram sendo somados na construção do maior império de todos os tempos, o Romano. Se não o maior territorialmente, em ação civilizadora certamente.

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O apogeu foi de poucas décadas, mesmo porque, segundo um historiador moderno, nenhum império tem clímax chegando a mais de meio século de duração. Depois, foi sendo fracionado pelos
dominados e por sua própria força, resultando em cidades-estado que continuaram poderosas: Roma caput mundi, Genova a Magnífica, Veneza a Sereníssima, e assim por diante.

A consolidação de outros impérios no continente europeu e as guerras entre eles, terminam por enfraquecê-las. Só na segunda metade do XIX é que um processo de reunificação levará à formação do país Itália como conhecemos hoje: o país mais bonito do planeta, a cultura artística mais densa, mais refinada e mais prestigiosa, o sonho dos viajantes…

É aí que quero chegar: à cultura das cidades. No caso italiano, nunca senti entre elas efetiva rivalidade ou, melhor dito, hostilidade. Ponto de vista de viajante… talvez exista, mas é subterrânea. E a
resposta ao “da dove sei?” na apresentação, revela do apresentado uma série de coordenadas que, tomadas em consideração, adiantam o relacionamento – sempre, ao que eu perceba, positivamente.

Cá na terrinha, somos mais chegados em estigmatizar que definir as gentes das outras cidades: são isso, são aquilo, são esquisitos – e, ofensa suprema: “são diferentes de nós”. A dificuldade em aceitar a diversidade se apresenta, o mais das vezes – e felizmente! – apenas como ironia, e isso os italianos também fazem. Mas as diferenças – da fala dialetal às paisagens urbanas – são o melhor do convívio humano, é o que faz o encanto das viagens.

Temos que nos apegar – e não fugir! – das nossas personalidades urbanas, nos orgulhar delas e cultivá-las. Com atenção e cuidados especiais – porque a inevitável globalização quer mais é nivelar, descaracterizar, apagar – para dominar.

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