i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Heranças da erva-mate

Vila Leão e Alto da Glória: residências da família Leão ajudaram a moldar região

  • PorLuciane Belin, especial para HAUS
  • 15/06/2020 10:11
Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE| Foto:

Em uma caminhada no entorno do Passeio Público, é possível parar na lateral do parque - o primeiro aberto ao público de Curitiba - e reparar nas placas indicativas que se encontram na esquina entre a Rua Luiz Leão e a Avenida Agostinho Leão Júnior.

Seguindo por esta última, em quatro quadras estará na Rua Maria Clara e, em cinco, na Rua Ivo Leão. Virando à esquerda, em alguns minutos se chega à Avenida João Gualberto - esta, por sua vez, perpendicular à Comendador Fontana e paralela à Avenida Cândido de Abreu. Sem esquecer de mencionar também a Travessa Rui Leão, um pouco abaixo.

Estas vias não foram nomeadas desta forma sem sentido, muito pelo contrário. Os ilustres curitibanos que emprestam seus títulos às ruas em questão não apenas foram cidadãos importantes para a história de Curitiba, como também viveram ali mesmo, no perímetro delimitado pelas travessas, ruas e avenidas citadas acima.

Foto: Reprodução/Google Maps
Foto: Reprodução/Google Maps

Neste trecho do bairro Alto da Glória, estão algumas construções seculares que marcam a história do Paraná, algumas inclusive tombadas como Patrimônio Estadual, compondo o que informalmente alguns historiadores e arquitetos chamam de Vila Leão, conforme explica Khae Lhucas Ferreira Pereira, pesquisador da Fundação Cultural de Curitiba.

“A região no entorno do palacete chegou a ser conhecida como Vila Leão, por reunir em um mesmo perímetro várias construções ligadas à família. O próprio Palacete Leão Jr, a Capela da Glória, a casa ao lado que pertencia ao Desembargador Agostinho Ermelino de Leão (pai de Leão Jr.) e a casa da Maria Dolores Leão (frente)”, detalha.

Segundo a socióloga Amélia Siegel Corrêa, co-responsável pela pesquisa “Palacete dos Leões: a história de uma casa”, financiada pelo Fundo Municipal de Cultura da FCC, as famílias ervateiras se instalaram em duas regiões da cidade: o Batel e o Alto da Glória. “No caso do Alto da Glória, à época de construção do Palacete Leão Jr., a região era considerada fora da cidade. O bairro se desenvolveu a partir da instalação das famílias Leão, Veiga e Fontana.”

Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/Divulgação BRDE

Conheça a seguir um pouco sobre a história de cada uma destas construções.

Casa do Desembargador Leão

No grande terreno que pertencia à família Leão, a primeira construção foi a que pertenceu ao Desembargador Agostinho Ermelino de Leão, juiz de Curitiba. Na colina, que ainda era situada fora do perímetro urbano, ficava o antigo sobrado do Barão de Holleben, engenheiro alemão que visitou Curitiba por volta de 1870. “O Desembargador adquire esta propriedade para instalar sua família naquela chácara, uma região pouco concorrida, mas que em 1873 é cortada por carroções que tomam por ali o acesso à Estrada da Graciosa para o litoral”, explica Pereira.

 A casa do Desembargador Leão ficava onde hoje se encontra o estacionamento do Palacete dos Leões. Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE
A casa do Desembargador Leão ficava onde hoje se encontra o estacionamento do Palacete dos Leões. Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE

Segundo o pesquisador, no convívio familiar, os Leão promoviam tertúlias e teatros. “A esposa do Desembargador, Maria Bárbara, até o final da vida estaria entretendo as crianças como a doce “vovó da chácara”, tocando piano nos saraus. Por conta do patriarca, o juiz que também era dramaturgo, a família preparava a encenação de peças e dispunha de um baú de fantasias, tendo um espaço para apresentações chamado “Theatro da Glória””.

As atrações se estendiam até mesmo aos ilustres visitantes que chegavam à propriedade. “Em 1884, quando esteve em visita à Curitiba, a Princesa Isabel foi conduzida ao Alto da Glória. Na chácara do Desembargador Leão, sua alteza se admirou com o jardim, com mais de mil pés de pêssegos e a enorme variedade de árvores de mate. A princesa ainda galgou o mirante do sobrado e conseguiu uma vista panorâmica da cidade, como ela registrou em seu diário”.

Embora a edificação em si já não exista mais, a memória foi conservada nos documentos históricos, registros de imprensa e nos relatos dos descendentes do desembargador.

Palacete Leão Jr.

Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE
Foto: Guilherme Pupo/ Divulgação BRDE

A construção mais emblemática da Vila Leão, o Palacete Leão Jr. é uma importante edificação, reconhecida em 1979 como Unidade de Interesse de Preservação (UIP) de Curitiba e, em 2003, Patrimônio Cultural do Paraná.

Inaugurado entre 1901 e 1902, o prédio construído em estilo eclético e um dos exemplares mais bem conservados atualmente da arquitetura dos grandes ervateiros curitibanos pertenceu a Agostinho Ermelino de Leão Jr., filho do Desembargador Leão.

A residência foi projetada pelo cunhado Cândido de Abreu, irmão de Maria Clara Abreu de Leão, com todo o requinte digno de um barão da erva-mate. Atualmente, abriga o Espaço Cultural BRDE, recebendo eventos e mostras culturais de artistas das mais diferentes vertentes.

Palacete dos Leões em um dos últimos eventos sociais realizados na fase residencial da mesma. Foto: Acervo Cassiana Lacerda
Palacete dos Leões em um dos últimos eventos sociais realizados na fase residencial da mesma. Foto: Acervo Cassiana Lacerda

A intensa vida do Palacete Leão Jr.

Há 15 anos transformado em Espaço Cultural BRDE, o Palacete dos Leões não estranha a agitação que resulta das exposições culturais, eventos e visitas de alunos de escolas e universidades que acontecem no local. Isso porque, desde sua fundação, a residência foi sempre muito movimentada. “A família, desde quando se estabeleceu naquela colina, mantinha uma vida social intensa e oferecia frequentes recepções a convidados ilustres. No Palacete, em 1906, foi hospedado o Presidente da República Afonso Pena, o que sugere que era o ambiente mais anfitrião que Curitiba dispunha naquele período em que os padrões da Belle Époque começavam a embelezar o cenário residencial”, diz o pesquisador Khae Lhucas Ferreira Pereira.

Presidente Afonso Pena foi um dos visitantes mais ilustres a terem passado pelo Palacete Leão Jr. Foto: Acervo Cassiana Lacerda
Presidente Afonso Pena foi um dos visitantes mais ilustres a terem passado pelo Palacete Leão Jr. Foto: Acervo Cassiana Lacerda

Considera-se que o primeiro ciclo da moradia do Palacete contempla o período desde sua inauguração, entre 1901 e 1902, quando ali nasceu Maria Clara, filha caçula do primeiro casal residente - Maria Clara e Agostinho Ermelino de Leão Jr. Já o segundo ciclo da moradia corresponde ao período posterior ao falecimento destes, entre 1935 e 1979.

Segundo a socióloga Amélia Siegel Corrêa, o número de moradores oscilou durante as primeiras décadas. “Sabemos que a mãe de Maria Clara Abreu de Leão, a Sra. Maria Cândida Guimarães Ferreira de Abreu (Filha do Visconde de Nácar) morou no Palacete até sua morte, em 1926. Em 1918, quando Maria Dolores Leão de Macedo morreu de gripe espanhola, seu marido, Tobias de Macedo Júnior, casou com sua irmã Maria Clara (Tia Caia), que criou juntos os dois filhos da irmã e os seus três filhos, todos no Palacete. É provável que nos momentos de maior lotação, cerca de 15 pessoas ali moravam”.

Evento social realizado no Palacete Leão Jr. Foto: Acervo Cassiana Lacerda
Evento social realizado no Palacete Leão Jr. Foto: Acervo Cassiana Lacerda

O último familiar a residir no Palacete foi Agílio Leão, que, de acordo com a historiadora e professora da Universidade Federal do Paraná Cassiana Lacerda, encerrou o segundo ciclo residencial do local, uma vez que o tamanho e a complexidade de conservação o levaram a colocar o imóvel à venda. Antes disso, no entanto, a família Leão celebrou uma última vez o espaço. “Antes dessa iniciativa [a venda], os familiares fizeram a última festa no Palacete. Esta festa foi chamada de “Remembering” e algumas das descendentes usaram trajes de D. Sinhazinha, como era chamada Maria Clara Leão”, diz Cassiana.

Capela da Glória

Capela da Glória foi construída em 1895. Foto: Albari Rosa
Capela da Glória foi construída em 1895. Foto: Albari Rosa

Um importante atrativo de visitantes e também de moradores para o Alto da Glória, a Capela da Glória foi construída em 1895 para atender a família. Recém restaurada, é uma Unidade de Interesse de Preservação de Curitiba que ostenta uma arquitetura em estilo neoclássico.

“No auge do ciclo da erva-mate, a virada do século 20, a colina foi arrematada pelo torreão da Capela da Glória, chamando um séquito de palacetes que se levantaram ao seu redor. O templo reporta à glorificação da Virgem Maria e ao nome do bairro “Alto da Glória”, título que o Desembargador tomou como recordação daquele primitivo engenho de mate para alcunhar a colina onde assentou sua família”, reflete Khae.

Casas de Dolores Leão

Irmã de Agostinho Ermelino de Leão Jr., Maria Dolores de Leão casou-se com o comendador Francisco Fasce Fontana e viveu parte de sua vida na chamada Mansão das Rosas, residência da família deste importante ervateiro paranaense, responsável pela construção do Passeio Público.

Maria Dolores Leão Fontana, Francisco Fasce Fontana e o filho Francisco Fido Fontana. Foto: Reprodução/ Acervo da família
Maria Dolores Leão Fontana, Francisco Fasce Fontana e o filho Francisco Fido Fontana. Foto: Reprodução/ Acervo da família

A residência foi demolida na década de 1970 e deu lugar a dois edifícios, restando dela apenas o portal, que pode ser visto em frente de onde hoje se situa o Colégio Estadual do Paraná.

Depois do falecimento do comendador, a viúva “casa-se em segundas núpcias com o advogado mineiro Bernardo da Veiga, também ervateiro que constrói duas residências, em 1896 e 1904, nos dois lados da Capela da Glória”, conta o pesquisador Khae Pereira.

Vila Odette

Foto: Washington Takeuchi/Arquivo pessoal
Foto: Washington Takeuchi/Arquivo pessoal

Mais recente das construções da Vila Leão, a Vila Odette é uma construção que existe discretamente escondida, em parte, pelo bosque da propriedade. Foi construída quando o filho de Leão Jr., também Agostinho Ermelino de Leão, assume o comando da Matte Leão e se casa com Odette Pereira de Leão.

Construída entre 1923 e 1928, a edificação, hoje Unidade de Interesse de Preservação de Curitiba, é assinada pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves, o autor do Castelinho do Batel e de outras construções emblemáticas da época. Diferente das demais, especialmente do Palacete Leão Jr., que tem estilo eclético, a Vila Odette ostenta em sua arquitetura as referências à Normandia, com a presença do falso enxaimel em todo seu exterior.

6 COMENTÁRIOSDeixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 6 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.

  • C

    cassiana lacerda

    ± 0 minutos

    "Palacete Leão Jr e seu entorno para construir sua sede. Sua demolição foi um dos crimes contra o patrimônio, uma vez que era a chama de "Casa da Vovó da Chácara" foi a primeira casa construída às margens do Atalho da Graciosa."O Desconheço o fato de a Princesa Isabel ter visitado a casa do Desembargador ("Casa da Vovó da Chácara," uma vez que a visita foi em 1884) , fatos que irei dirimir nos próximos dias quando terei em mãos todos os textos relativos à visita da Princesa Isabel a Curitiba.

    Denunciar abuso

    A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

    Qual é o problema nesse comentário?

    Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

    Confira os Termos de Uso

    • C

      cassiana lacerda

      ± 6 minutos

      "Mais acima, onde ficava a residência de Ivo de Abreu Leão é que funcionava o "Teatro da Glória", construído pelo desembargador que escrevia peças, para incentivar o teatro, além disso,seu filho o escritor Ermelino de Leão apresentará peças.de sua autoria no Teatro da Glória. Sobre os trajes de peças, posteriormente usados pelas crianças, nunca tive notícia desse fato. Soube, isso sim, que os trajes de festa "Remenbering", a última festa realizada no Palacete Leão Jr. pela família em 1982. A "Casa da Vovó da Chácara" foi demolida quando a IBM adquiriu o

      Denunciar abuso

      A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

      Qual é o problema nesse comentário?

      Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

      Confira os Termos de Uso

      • C

        cassiana lacerda

        ± 13 minutos

        Júnior, quando instalada no Portão, até que a mesma empresa também sofreu um incêndio. Vila Leão nada tem a ver com o Alto da Glória, portanto, ou mesmo com o Palacete Leão Jr, que teve esta denominação consagrada quando da visita de Afonso Pena. Assim, o Desembargador permanece na chácara de Nhá Laura até adquirir a casa do Barão de Holleben, em 1870.

        Denunciar abuso

        A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

        Qual é o problema nesse comentário?

        Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

        Confira os Termos de Uso

        • C

          cassiana lacerda

          ± 15 minutos

          Júnior, quando instalada no Portão, até que a mesma empresa também sofreu um incêndio. Vila Leão nada tem a ver com o Alto da Glória, portanto, ou mesmo com o Palacete Leão Jr, que teve esta denominação consagrada quando da visita de Afonso Pena. Assim, o Desembargador permanece na chácara de Nhá Laura até adquirir a casa do Barão de Holleben, em 1870.

          Denunciar abuso

          A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

          Qual é o problema nesse comentário?

          Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

          Confira os Termos de Uso

          • C

            cassiana lacerda

            ± 16 minutos

            Pois bem, o Engenho da Glória, movido pelas águas do Rio Belém (1834) e, posteriormente movido a vapor (1872) tinha anexa a residência de seu proprietário Caetano José Munhoz, o primeiro a instalar um engenho na região. Na residência anexa o Presidente Zacarias, por ocasião de sua posse como Presidente de Província do Paraná. Logo foi o engenho de Caetano José Munhoz que deu nome ao bairro: Alto da Glória. Bairro este, que nunca teve o nome de Vila Leão, como diz a reportagem. Vila Leão era o nome do conjunto de moradias dos funcionários da empresa Leão

            Denunciar abuso

            A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

            Qual é o problema nesse comentário?

            Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

            Confira os Termos de Uso

            • C

              cassiana lacerda

              ± 19 minutos

              "A Coluna Haus da Gazeta do Povo publicou recentemente matéria sobre os palacetes do bairro que hoje conhecemos como Alto da Glória. O texto merece alguns reparos Comecemos pela origem do nome que se entendeu ao bairro: GLÓRIA. Este era o nome do engenho de Caetano José Munhoz situado quase em frente da Chácara de Nhá Laura, chácara esta que será a primeira moradia do casal Desembargador Agostinho Ermelino de Leão e Maria Bárbara Correia, que para poder habitar o casarão teve quer obter licença para moradia, pois o local ficava fora do quadro urbano de Curitiba.

              Denunciar abuso

              A sua denúncia nos ajuda a melhorar a comunidade.

              Qual é o problema nesse comentário?

              Obrigado! Um moderador da comunidade foi avisado sobre a denúncia. Iremos avaliar se existe alguma violação aos Termos de Uso e tomar as medidas necessárias.

              Confira os Termos de Uso

              Fim dos comentários.