Diversidade de sotaques do país aparece de forma visual na 13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico

Mulheres também são destaque na Bienal, da escolha do júri aos projetos selecionados para a exposição

Foto: Karina Pizzini

por Karina Pizzini*

02/12/2019

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A representatividade brasileira é a marca da 13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico, que teve sua abertura realizada no último sábado (30), no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Da escolha dos jurados, representado quase que meio a meio por homens e mulheres de todas as regiões do país, à seleção dos projetos em destaque, a Associação de Designers Gráficos do Brasil (ADG), organizadora da mostra, se propôs a expor todos os sotaques do design brasileiro na Bienal.

“Essa Bienal buscou trazer a brasilidade ao extremo. É a Bienal dos sotaques, estamos tirando todas as fronteiras e demostrando que, do Oiapoque ao Chuí, temos um Brasil único, forte e extremamente criativo”, diz o conselheiro da ADG Brasil e coordenador geral da Bienal, Tulio Filho. O designer também reforça a importância das mulheres nesta edição. “Nós tentamos valorizar ao máximo o papel da mulher dentro do design. Então, temos muitos projetos feito por mulheres, sobre mulheres e para mulheres”, acrescenta.

Foto: Karina Pizzini

O curador da mostra, Gustavo Greco, selecionou 59 dos 272 projetos que ganharam destaque do júri para a exposição. Um dos critérios de escolha foi a pluralidade dos artistas e conceitos trabalhados pelos designers. “Questões como nosso momento político, o feminino, o preconceito, de um Brasil plural e de suas dimensões continentais e copiosas heranças culturais foram levadas em consideração. Temos projetos de todas as regiões do Brasil expostos aqui”, conta.

Gustavo fez questão de trazer os produtos até a exposição para que o público pudesse observar como o design está presente no dia a dia das pessoas, “da hora que a agente acorda até a hora de dormir”. Embalagens de eletrodomésticos, bebidas e alimentos; estampas de roupas; livros e outros produtos, incluindo um ônibus, além do design clássico de cartazes, podem ser observados durante a exposição, que segue em cartaz no MON até 15 de dezembro (a entrada é gratuita).

Tulio reforça também que a mostra não se destina somente a profissionais e estudantes da área. A diversidade do público visitante é o ponto chave da Bienal. Somente no sábado (30) e domingo (1), cerca de 3 mil pessoas passaram pela exposição.

Mulheres no design

Ser designer mulher no Brasil é ainda uma tarefa muito desafiadora. Quem afirma é a designer Dandara Almeida, coordenadora executiva da Bienal e diretora da ADG Brasil, que aponta o fato de as mulheres ainda serem minoria na área, sobretudo no ambiente da criação.

“Nós somos uma associação que carrega no nome o Brasil – ADG Brasil – e entendíamos que muito dos recortes dos registros trazia uma produção centrada no Sul e Sudeste do país. A partir disso, pensamos que, para que refletíssemos isso nesse registro, seria muito importante que revíssemos a base do júri”, explica.

Foto: Karina Pizzini

Dandara conta que, inicialmente, as indicações de designers para compor o júri contavam com somente 15% de mulheres. “Quando levantamos essa questão para o grupo, fomos prontamente atendidas e entramos em um processo muito bom para que conhecêssemos mais pessoas. Ao final, conseguimos um número muito mais igualitário, quase 50% de homens e 50% de mulheres, e ainda conseguimos ter mulheres de quase todo o Brasil [representadas no júri]. Isso ficou muito refletido nos projetos selecionados”, complementa.

Além da banca, as mulheres aparecem, também, na assinatura dos trabalhos selecionados para as exposições da Bienal Brasileira de Design Gráfico. As designers Aline Biliu e Mila Giacomo, do Miranda Estúdio de Salvador, por exemplo, expõem produtos autorais do estúdio criados para uma coleção sobre Jorge Amado, que ganhou destaque na categoria “Fronteiras – Moda” com o projeto Ser Amado.

Foto: Karina Pizzini

Elas contam que além do regionalismo, ambas são baianas, levantam a bandeira do empoderamento de mulheres, sobretudo das que são mães. “Miranda significa mulher ligada às artes e à família e nós levantamos essa bandeira. Sentimos que inspiramos outras mulheres. Nós temos que ocupar o espaço que é nosso, não precisamos ocupar o espaço de ninguém, tem espaço para homens e mulheres, mas levantamos essa bandeira, inclusive para empoderar outras mulheres”, ressalta Aline.

Na exposição ainda é possível encontrar outras profissionais que não só estão entre os projetos destacados, como também ressaltam em suas obras a questão da mulher. A exemplo do livro de Gabriela Sá, Translúcido – Mulheres Brasileiras na História do Design, destaque na categoria “Pensando o Design”, com publicações feitas sobre o design gráfico. O livro é uma pesquisa da história de mulheres projetistas brasileiras durante 50 anos do século 20 que analisa aspectos socioculturais e a relação entre suas produções e o registro de conhecimento do design brasileiro.

Serviço

13ª Bienal Brasileira de Design Gráfico
30 de novembro a 15 de dezembro de 2019
das 10 às 18 horas
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Salão de Atos do Museu Oscar Niemeyer
Rua Marechal Hermes, 999 – Curitiba/PR

*Especial para HAUS

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