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O vaso quebra nozes passou por vários protótipos até chegar na versão final.
O vaso quebra nozes passou por vários protótipos até chegar na versão final.| Foto: Camila Nemetz Kohler/Divulgação

Aprender com os processos da natureza para resolver os nossos problemas é a premissa do biomimetismo, que consiste em estudar as melhores ideias da natureza para depois imitá-las, resolvendo assim questões de função, seja em uma peça ou de uma grande obra. Biólogo de formação, o designer de produto Patrick Afornali é um apaixonado pelo tema, e o aplicou na sua nova coleção, a Biomas, que traz como inspiração três grandes biomas brasileiros: a Caatinga, o Pantanal e os Pampas.

Filho de marceneiro, Afornali cresceu no meio a madeiras e serras, mas não se via fazendo grandes peças de mobiliário. Baterista em uma banda de rock grunge, ele chegou a estudar e a trabalhar no ateliê de um luthier (profissional especializado em desenvolver instrumentos de corda). "A ideia era construir instrumentos", conta.

O designer Patrick Afornali, em seu ateliê.
O designer Patrick Afornali, em seu ateliê.

Com o tempo, acabou migrando para o desenho e a execução de objetos, que ele desenvolve em sua marca solo há pouco mais de um ano (antes disso integrou a equipe da Cannelle Design). Afornalli sempre segue um conceito conectado à natureza: é projeto dele um dos primeiros vasos do mundo desenvolvidos para espécies de orquídeas epífetas, que foi exposto em 2020 na Semana de Design de Paris.

Em Biomas, o designer traz dois novos modelos de vasos para plantas: o Mandacaru e o Quebra-Nozes. O primeiro, feito de aço carbono, vem também com um conjunto de agulhas para que a flor seja "espetada"dentro do recipiente, permanecendo estática. "A ideia das agulhas é que elas sejam o ponto de apoio da flor, algo meio brutalista", fala Afornali.

Fotos: Camila Nemetz Kohler.
Fotos: Camila Nemetz Kohler.

O segundo modelo é sua peça xodó, que se inspira na Caatinga e traz uma função: a de quebrar a casca de uma noz ou castanha. "Sou viciado em função e estava há anos prototipando ele, até que cheguei na versão final. A relação peso altura do vaso com o tubo de madeira é o suficiente para quebrar e conseguir remover a casca", explica.

O vaso quebra nozes passou por vários protótipos até chegar na versão final.
O vaso quebra nozes passou por vários protótipos até chegar na versão final.| Camila Nemetz Kohler/Divulgação

Os declives e aclives dos Pampas serviram de inspiração para os centros de mesa em madeira freijó com quatro diferentes acabamentos, que podem funcionar ainda como fruteira, bandeja ou apenas compondo no ambiente.

Fecham a coleção Biomas dois modelos de banco, como o Sertão, cuja estrutura é de madeira de Araucária de reuso. Inspirado no semiárido da Caatinga,  Afornali convidou a artista têxtil Yala Fezer, da Tramados, que realizou a trama de tecido que integra a peça. "A ideia foi remeter ao solo seco da caatinga, e a trama casou muito com as cores da madeira. Trouxe a sensação de calor e aconchego" fala o designer.

Em estrutura metálica, o Banco Tuiuiú é revestido com fibras de miolo de junco, material que costuma ser um descarte na cestaria, para lembrar os ninhos majestosos da ave símbolo do Pantanal (os tuiuiús chegam a fazer conjuntamente o espaço para abrigar os filhotes). As dimensões do modelo são maiores que os convencionais, o que permite utilizá-lo como uma mesa lateral ou de centro.

As peças de Patrick Afornali estão disponíveis em lojas de design de Curitiba e São Paulo, ou pelo e-commerce da marca.

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