Venezuelana radicada na Itália revela e abre as portas do mundo para os jovens talentos do design

À frente do SaloneSatellite há mais de 20 anos, Marva Griffin Wilshire é conhecida como "La mamma" do design

Foto: SaloneSatellite/Divulgação

por Sharon Abdalla

29/03/2019

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Sérgio Rodrigues, Philippe Starck. Se os nomes ‘estelares’ são os únicos que vêm à mente quando você pensa no design mundial, precisa conhecer o trabalho encampado pela venezuelana radicada na Itália Marva Griffin Wilshire.

Fundadora e curadora do Salão Satélite (SaloneSatellite, no idioma italiano), evento que integra a programação do Salão do Móvel de Milão, ela é responsável por descobrir e revelar ao mundo jovens talentos do setor. Entre seus “filhos” estão nomes como o de Pedro Paulo Franco, da A Lot of Brasil, para citar um exemplo com DNA brasileiro.

Esta missão, motivada pelo “amor pelo design”, fez com que Marva recebesse a alcunha de “La mamma”, ou seja, a mãe do design, apelido que sintetiza bem o trabalho que realiza há mais de duas décadas.

Em entrevista exclusiva a HAUS, às vésperas da 58ª edição da Semana de Design de Milão, que tem início no próximo dia 9 de abril, Marva relembra sua trajetória, fala sobre os desafios do design contemporâneo e adianta o que podemos esperar do SaloneSatellite deste ano. Confira!

Foto: Barbara Chandler

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Conte-nos sobre como você entrou no universo do design, desde sua atuação na B&B Itália.

A C&B Itália, agora B&B Itália, era a empresa mais inovadora e vanguardista do mundo do design no início dos anos 1970, e eu fui contratada para ser assistente, intérprete e, finalmente, [diretora] de comunicação do CEO Piero Busnelli. Para mim, foi uma grande experiência trabalhar com eles, estar em contato com os mais importantes designers italianos, nomeados “os mestres do design”, e estar envolvida com uma empresa tão incrível.

Você é reconhecida, e até ganhou o apelido de “La Mamma”, por descobrir e revelar ao mundo jovens talentos do design mundial. O que motiva sua paixão por jovens talentos?

Eu não posso explicar o que motiva minha paixão. É meu trabalho, meu interesse e meu amor pelo design.

Que influência isso teve na criação do SaloneSatellite? Você pode falar sobre os desafios e o processo para criar esse sucesso de mais de 20 anos?

Pediram-me para iniciar o SaloneSatellite quando não havia instituições que ajudassem ou cuidassem de jovens designers que estavam iniciando suas carreiras. Eu sabia que esses jovens precisavam mostrar sua criatividade dentro do Salone del Mobile. Então, a organização do Salone del Mobile, depois de discutir o assunto, pediu-me para iniciar este evento. Para mim, a confirmação [de que] o objetivo do SaloneSatellite [foi alcançado] é que os jovens designers que começaram há 22 anos são agora designers internacionalmente conhecidos, solicitados por empresas italianas e internacionais no mundo do design para produzir em massa seus projetos.

Todo jovem designer do mundo quer estar no SaloneSatellite. Quais critérios eles precisam responder para conseguir isso?

O SaloneSatellite tem regras gerais a serem seguidas: os candidatos devem ser jovens designers e arquitetos, com menos de 35 anos, que projetam mas não produzem, propondo soluções inovadoras no mundo do design por meio de projetos, protótipos e propostas provocativas na esperança de encontrar os fabricantes certos para traduzir em massa seus produtos.

Foto: SaloneSatellite/Divulgação

Como você vê o design produzido nas Américas? Ela difere em algum grau ou possui características específicas quando comparado ao produzido nos países europeus ou orientais?

O design das Américas (Estados Unidos, Canadá e América Latina) sempre foi interessante. No passado, houve designers famosos, bem como hoje em dia.

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Falando sobre o Brasil, quais profissionais do design brasileiro você mais admira?

O Brasil produziu incríveis designers, como Sérgio Rodrigues e Joaquim Tenreiro. Hoje, temos Fernando e Humberto Campana mundialmente conhecidos, e jovens designers que começaram no SaloneSatellite, como Pedro Paulo Franco (A Lot of Brasil) e Sérgio Matos, entre outros.

Os avanços e possibilidades da tecnologia vêm transformando o design ao longo das últimas décadas. Como você vê a relação entre as novas tecnologias e o processo criativo? Ela tem somente pontos positivos?

A tecnologia avançada oferece muitas possibilidades no mundo do design, mas acredito na relação entre habilidade e tecnologia para a indústria do design.

Você pode nos dizer o que podemos esperar para o SaloneSatellite deste ano?

O tema do SaloneSatellite 2019 é “Alimento como Objeto de Design”, onde nos concentramos na relação entre design e alimentos e o que é agora uma revolução alimentar muito necessária na qual design, tecnologia e habilidades manuais tradicionais podem se unir para enfrentar os desafios do futuro – das alterações climáticas, que afetam o sistema alimentar em todos os níveis, à falta de recursos e à crucial diversificação na produção e consumo de alimentos. Nestes tempos, temos que repensar os métodos de produção de alimentos, embalagens, distribuição, consumo e descarte. Mas peço a todos os leitores que venham e visitem [o SaloneSatellite] para que possam descobrir o que será apresentado.

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