Cadeira Amazônia, por Tina e Lui. Foto: divulgação
Cadeira Amazônia, por Tina e Lui. Foto: divulgação| Foto:

O design genuinamente brasileiro acaba de ganhar uma nova plataforma de divulgação e valorização da matéria-prima e do trabalho desenvolvido pelos designers nacionais. Inaugurada no fim de junho, em um evento digital devido à pandemia do novo coronavírus, a + 55 Design tem o fortalecimento da cadeia de produção nacional, de ponta a ponta, como premissa e faz isso por meio de peças exclusivas assinadas por um time de 16 profissionais.

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"O mundo todo está olhando para o Brasil. As pessoas valorizam muito o que a gente tem, mais do que nós mesmos. Sentia falta de uma plataforma que mostrasse isso com bastante força: quem são os contemporâneos do design brasileiro, quem está fazendo ele agora", conta Tatiana Amorim, sócia-fundadora da marca juntamente com a jornalista Ticiana Villas Boas.

Sofá Pam Am, por Arthur Casas Design. Foto: divulgação
Sofá Pam Am, por Arthur Casas Design. Foto: divulgação

O time de criativos que assinam para a marca inclui nomes consagrados, como Studio Arthur Casas, Studio MK27, Ricardo Bello Dias, MOOC, Tina e Lui, Guto Requena, Ilse Lang, Marília Pellegrini, Marina Linhares, Maria Candida Machado, Neca Abrantes e Metro Arquitetos. Assinaturas promissoras, como Bruno de Carvalho, Roberta Banqueri, Nildo José e Adalfan Filho, que despontam no cenário nacional, completam a seleção, com curadoria de Clarissa Schneider.

“A durabilidade, integridade e funcionalidade dos produtos são pontos cruciais na poética da +55 Design, que busca na riqueza da biodiversidade brasileira e no talento nacional o seu compromisso com a ética e estética”, aponta ela, em nota. "É uma seleção de produtos e desenhos atemporais. Não queremos ter produtos datados, que no ano que vem saiam de linha ou estejam démodé", completa Tatiana.

Estante Bandeirola, por Bruno de Carvalho. Foto: divulgação
Estante Bandeirola, por Bruno de Carvalho. Foto: divulgação

As peças, que compõem mais de 80 itens originais, de sofás, poltronas e mesas a luminárias e acessórios, estão expostas no showroom da marca, localizado na Avenida Gabriel Monteiro da Silva, tradicional endereço do setor de design e decoração em São Paulo. Com 500 m², o espaço tem projeto arquitetônico pelo Studio Arthur Casas, com fachada em cobogós de argila, ambientes integrados e muita luz natural.

Ecossistema

Enfatizando ainda mais o DNA brasileiro, a produção das peças da +55 Design - em referência clara ao código telefônico do país - envolve associações de artesãos de norte a sul, seja pela comercialização das peças produzidas por eles ou pela integração de seus saberes e modos de fazer às assinadas pelos designers. Entre elas estão as associações Turiarte, Apara, Xique-Xique e Artesanato Maravilha, sendo esta última ligada à Casa do Rio, na Amazônia.

Almofadas tecidas pelas artesãs que integram as associações de artesanato. Foto: divulgação
Almofadas tecidas pelas artesãs que integram as associações de artesanato. Foto: divulgação

A sustentabilidade é outra das características intrínsecas à coleção da marca, que trabalha com madeiras certificadas com o selo de responsabilidade socioambiental FSC e o Selo Origens, que promove negócios sustentáveis na Amazônia.

"Cada vez mais as pessoas vão questionar a origem das coisas [que estão consumindo]. Não é mais possível comprar um móvel de madeira sem saber a procedência dela, [se ela não veio de] uma madeireira ilegal, porque essa conta nós, nossos netos iremos pagar", alerta Tatiana.

E a preocupação com um consumo mais sustentável ainda vai além, envolvendo inclusive a logística de entrega das peças. Móveis soltos, como cadeiras, por exemplo, são envolvidos por um saco de tecido (que pode ser reutilizado pelo cliente), ao invés do tradicional plástico, antes de serem embaladas. Já as cerâmicas são envoltas por flocos de mandioca (que se decompõem em apenas três dias), que assumem o lugar do isopor ao proteger as peças para o transporte nas caixas de papelão.

Poltrona Sertanejo, por Adalfan Filho. Foto: divulgação
Poltrona Sertanejo, por Adalfan Filho. Foto: divulgação

"[Estas questões] soam como diferencial, mas eu não enxergo assim. Enxergo como uma obrigação. O lixo de plástico quando se entrega móveis é uma coisa surreal. Nós precisamos eliminar o plástico das embalagens. Ainda não conseguimos, mas estamos tentando", pontua Tatiana.

Todas essas "histórias a contar" fizeram com que as sócias optassem por manter as vendas da loja, inicialmente, no espaço físico. Para atingir mercados além do paulistano, por sua vez, a aposta está na distribuição por meio de parcerias com marcas e profissionais de outras praças. "Já temos dois espaços fora de São Paulo, um em Salvador e outro em Goiânia. [Nos próximos dias] será a vez de Porto Alegre. Há conversas em andamento para Brasília, interior de São Paulo e também para Curitiba. Teremos lojas que nos representem nas principais capitais", projeta Tatiana.


Conteúdo editado por:Luan Galani
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