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Espanhola radicada em Milão é referência mundial em arquitetura e design

  • PorFernanda Massarotto*
  • 27/01/2020 08:37
Bandejas em formatos orgânicos para a Bottega Ghianda. Foto: Laila Pozzo/Doppia Firma
Bandejas em formatos orgânicos para a Bottega Ghianda. Foto: Laila Pozzo/Doppia Firma | Foto:

O dia da designer Patricia Urquiola parece ter mais de 24 horas. Disposição é o que não falta para a arquiteta de 58 anos que trocou a Universidade Politécnica de Madri pela de Milão, no final dos anos 1980. A espanhola que virou milanesa adotou a cidade como sua nova casa, onde fez carreira. E que carreira!

Hoje, ela é considerada uma das profissionais mais importantes do design e da arquitetura mundial. No seu escritório trabalham mais de 70 pessoas de 18 nacionalidades – uma verdadeira Torre de Babel. Aqui falamos 14 idiomas”, conta ela, que em seu time tem 50% de profissionais do sexo feminino e 50% do sexo masculino.

Os trabalhos desenvolvidos por Patricia Urquiola vão desde peças de design até obras residenciais, hotéis, butiques, instalações, curadorias e direção de arte. “Fazemos de tudo um pouco. Nossos projetos podem durar de um mês a cinco anos”, revela a designer que possui uma lista de clientes de primeira linha, como Moroso, Kartell, Louis Vuitton, Flos, B&B e, recentemente, Cassina, da qual também passou a ser responsável pela direção artística.

Considerada a rainha das cores. Foto: Massimiliano Sticca
Considerada a rainha das cores. Foto: Massimiliano Sticca| Massimiliano Sticca

Em um mundo dominado por designers homens, a espanhola não se sente intimidada. Pelo contrário. Para ela, o bom design não tem gênero. “Admiro muitos colegas por diversos motivos. Tenho grande respeito pelos irmãos Bouroullec, Jasper Morrison e Konstantin Grcic”, conta, esperando um dia ver mais mulheres brilharem no mercado.

Quando o assunto é Brasil, ela logo evoca a genialidade de Lina Bo Bardi e Sérgio Rodrigues. “São dois mestres. As peças criadas por ambos até hoje são super atuais. E como não admirar, no panorama contemporâneo, os irmãos Campana, que viraram referência no design brasileiro”, comenta Patricia, que ainda revela o seu grande sonho: “Adoraria dirigir um filme”. E para quem a conhece não é difícil de imaginar que é possível que, em pouco tempo, ela também se torne cineasta.

Você já fez um pouco de tudo. O que falta no seu currículo?

Minha carreira jamais foi pautada por objetivos e desejos. Tive a sorte de ser procurada por grandes empresas com as quais sempre instaurei um relaciona mento profícuo e maravilhoso. Sem falar que ainda pude me exercitar profissionalmente em vários tipos de projetos em diversas partes do mundo. Se
há algo que eu gostaria de incluir no meu currículo seriam mais obras de cunho social e sustentável.

Como você vê esse tema da sustentabilidade? É possível criar e construir reduzindo o impacto ambiental sem perder a essência?

Esse é um tema muito complexo, com o qual nos confrontamos diariamente, principalmente com as empresas com as quais colaboro. Teremos de mudar totalmente o processo de produção e isso requer tempo e método. Atual­mente, vivemos um momento de transição importante no design e na arquitetura. Estamos refletindo e muito. O importante é saber administrar a complexidade projetual usando de forma responsável os recursos disponíveis. É preciso ser sustentável não só no produto, mas no seu processo. No futuro, acredito que o sistema continuará a evoluir e a se diversificar com novas
formas de produção, distribuição e compartilhamento de espaços. O nosso papel como designers e arquitetos será sobretudo o de interpretar a necessidade do planeta e dos consumidores.

Fjord, da Moroso, a peça icônica da arquiteta. Foto: Divulgação
Fjord, da Moroso, a peça icônica da arquiteta. Foto: Divulgação

Como é ser chamada de “a rainha do design”? E como você vê a questão da importância da mulher na área?

Quero simplesmente ser vista como uma boa designer pelas pessoas que eu respeito. A sensibilidade e o talento são duas qualidades intrínsecas a homens e mulheres. É claro que o meu setor é dominado por homens: empresários, técnicos e dirigentes. Porém nós, mulheres, somos multitasking, acostumadas a fazer várias coisas ao mesmo tempo, uma qualidade que para mim é um talento imprescindível para quem vive no meio do design. Um dado importante: 70% dos estudantes de design são mulheres, mas somente 1/5 acaba trabalhando na área. Nos 100 maiores escritórios de arquitetura do mundo, apenas 10% dos cargos de responsabilidade são ocupados por mulheres. Temos de mudar isso.

Você tem grandes colegas e teve grandes mestres ao longo de sua vida. Defina com uma palavra: Achille Castiglione, Vico Magistretti, Tomás Maldonado e Piero Lissoni.

Achille Castiglioni: design. Graças às suas aulas na faculdade (Politécnico) me apaixonei pelo design.

Vico Magistretti: elegante. É um designer, arquiteto e ser humano de grande elegância.

Thomas Maldonado: humanista. É um pesquisador profundo.

Piero Lissoni: coordenado. É capaz de criar tudo: do produto, passando pela preparação até a gráfica.

Se tivesse de escolher entre ser arquiteta ou designer, qual delas escolheria?

Impossível dizer. Ou melhor, optar. Comecei estudando Arquitetura na Espanha e o Design chegou na minha vida profissional mais tarde, quando vim para o Politécnico de Milão. Eu gosto de transitar nesses dois mundos, de me ocupar de diversas tipologias de projetos. Muitas vezes, consigo até mesmo
fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

E como funciona o seu processo criativo?

Os meus projetos ganham vida por meio de encontros, exigências, pessoas, eventos e viagens. Cada projeto possui um processo distinto, mas o mesmo ponto de partida: o diálogo com o cliente. E isso vale para a criação de uma peça de decoração ou uma obra arquitetônica. O importante é estabelecer uma sintonia.

Cadeira Gogan. Foto: Divulgação
Cadeira Gogan. Foto: Divulgação

Para você, o que é um bom design?

Defino o que é um bom produto de design com três substantivos: pesquisa, processo e ética. A pesquisa é um aspecto fundamental para se entender o DNA, a identidade e a história do cliente. O processo é a parte mais rigorosa desse percurso quando se concebe um produto. E, por último, a ética, que é a
responsabilidade que temos em relação ao resultado final.

Muitos falam que o uso das cores é sua marca registrada. Você concorda com essa afirmação?

Não tenho um estilo definido de trabalho, mas, com certeza, o uso da cor tem um papel fundamental nas minhas criações, assim como os materiais e a iluminação. São três elementos que, ao interagirem, proporcionam um resulta do muito interessante. Digo sempre que todas as cores, em um ambiente escuro, são parecidas e por isso mesmo os materiais e a iluminação são fundamentais para determinarem a magia das cores.

Como você vê a relação entre artesanato e design?

Acredito que o designer deve sempre dialogar com o artesão porque é uma forma de conhecer um pouco mais da experiência desses artistas que fazem tudo manualmente. Eles deram vida ao design. Recentemente, desenhei a linha Nuances, de tapetes e pufes, para a GAN. Todas as peças foram costura
das à mão por artesãos locais. Para o Salão do Móvel realizamos uma coleção de bandejas de formas orgânicas, modernas e divertidas para a Bottega Ghianda, uma marca italiana. A inspiração veio do próprio modo como eles trabalham artesanalmente a madeira Alpi, que é um material sustentável.

Se tivesse que escolher uma peça icônica das tantas que já realizou, qual seria?

Cada móvel, cada objeto e cada projeto, todos são importantes. Mas se tivesse que escolher diria que a poltrona Fjord, da Moroso.

O seu amigo e colega de profissão, o americano Murray Moss, diz que você é uma das pessoas mais
felizes que ele já conheceu. Qual o segredo da sua felicidade?

Eu amo o meu trabalho, faço o que eu sempre sonhei em fazer. Sou uma pessoa positiva e recebo muito amor e carinho dos meus amigos, minha família e meus colegas. É esse o segredo.

*Especial para HAUS, de Milão

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