Site permite fazer download do projeto e imprimir seus próprios móveis de madeira

Plataforma reúne peças criadas por designers e arquitetos do mundo inteiro e conecta usuários e fabricantes para produção de mobiliário mais sustentável, personalizado e produzido localmente

Foto: Opendesk

por Luciane Belin*, com ArchDaily

11/04/2019

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A possibilidade de materializar objetos por meio de uma impressora 3D há anos promete revolucionar o mundo do design e, de fato, vem fazendo suas contribuições com a criação de mobiliários e peças de decoração e arte únicas no mundo todo. Mas nem só de plástico vive essa ideia de “imprimir coisas”. Algumas plataformas digitais vêm disponibilizando projetos para a fabricação de móveis de madeira a partir de desenhos feitos por artistas, designers e arquitetos do mundo inteiro e que estão a alguns cliques de distância.

Uma das iniciativas que colocam esses produtos à disposição é a Opendesk, que reúne criadores de peças e empresas capacitadas para fabricá-las. E os tipos de móveis são muitos – as opções incluem mesas, cadeiras, armários, bancadas, entre outras.

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Funciona assim: você faz o download do projeto de um móvel e envia para uma máquina CNC (de Controle Numérico Computadorizado, sistema de fresadora que corta chapas de madeira a partir de um arquivo digital) – mais ou menos como mandar um PDF para impressão. Com as peças cortadas, é só montar.

O Opendesk tem cerca de 30 de móveis disponíveis para download. Lá o usuário pode baixar um projeto para cortar o móvel ele mesmo, em um FabLab ou oficina pessoal, ou ser conectado através do site com um marceneiro próximo de sua casa que faça os cortes.

No Brasil, já existem fabricantes capacitados em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, como é o caso da Cortare Design & Cortes, da capital paranaense, que é um dos makers da Opendesk. Segundo Marcio José Pereira Machado, sócio da empresa, a fabricação de móveis de open source é possível de diversas formas. “Utilizamos o CNC para fazer o corte a partir de um arquivo no formato .twg e fazemos o processo que chamamos de nesting, a partir de um código que fornece todo o processo da máquina. Depois do corte, a peça passa pelo processo de lixamento, pintura, selador e a finalização com cera”, explica.

Os preços para a fabricação variam de acordo com o que se quer fazer. Se o cliente já tem o projeto baixado gratuitamente ou comprado, a produção pode ser cobrada por hora de trabalho da máquina ou com um valor fechado pelo produto, e varia também de acordo com o tipo de material que se quer usar. Normalmente, se usa compensado, que pode ser de 7 a 13 camadas, sendo este último o utilizado na empresa curitibana.

“Por exemplo, uma das cadeiras disponíveis no OpenDesk é a Valoví [do designer brasileiro Denis Fuzii]. Como é uma peça que já costumamos fazer, ela tem um valor fixo, mas a pessoa pode chegar aqui com um objeto que tenha desenvolvido na faculdade de arquitetura ou design, aí podemos orçar”, explica Machado. O preço da fabricação da cadeira em questão é de R$ 399 e ela leva normalmente 48 horas para ficar pronta, de acordo com o site da Opendesk.

Segundo ele, desde que a Cortare nasceu, dois anos atrás, a empresa já viu crescer a demanda por desde peças até projetos de negócios ou cômodos inteiros, como é o caso de cafeterias, espaços pet, entre outros, mobiliados via open source.

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A disponibilidade de fornecedores, no entanto, não é muito grande. Esta é justamente uma das dificuldades para que o OpenDesk e sites similares alcancem um de seus objetivos principais descritos no site, que é o de construir  “uma cadeia de fornecimento ética e distribuída por meio de uma rede global de fabricantes”, em vez de fabricar e transportar em massa para o mundo todo.

Open Source

Inicialmente, o termo Open Source foi usado para identificar um movimento que surgiu nos anos 1990, criado por desenvolvedores de software – eles disponibilizavam códigos-fonte para uso, redistribuição e modificação por qualquer pessoa. Sendo assim, os usuários passaram a ter liberdade para não só utilizar, mas também para copiar, distribuir, modificar e estudar o software, promovendo um modelo colaborativo de produção intelectual. Um exemplo de software open source é a conhecida plataforma de sites e blogs, WordPress.

Os móveis open source surgiram seguindo essa tendência – somada ao “boom” do movimento faça-você-mesmo. Ao conectar designers, produtores locais e clientes, eliminam-se intermediários e custos de exportação e importação, minimizando também custos de logística e distribuição.

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Na plataforma Opendesk, fica a critério do designer se o download será disponibilizado gratuitamente ou não. Com o projeto em mãos, o usuário pode recorrer a um FabLab ou sua própria oficina para cortar as chapas de madeira através de uma máquina CNC. A outra opção é o usuário comprar o móvel através do site. Dessa forma ele será redirecionado ao marceneiro mais próximo, que recebe o projeto e o fabrica de acordo com as instruções – o Opendesk tem parceria com centenas de marceneiros espalhados pelo mundo todo. O valor pago pelo usuário é então dividido entre a taxa do marceneiro, a taxa do designer e da plataforma.

Todos os projetos de móveis Open Source, mesmo os disponibilizados gratuitamente, tem uma patente que protege os direitos de propriedade intelectual do criador e só podem ser baixados para uso pessoal –  podendo ser personalizados e readequados para outros contextos. Mesmo não lucrando diretamente com os downloads, os móveis Open Source oferecem uma grande vantagem aos designers: distribuição global.

Através dos móveis Open Source, os projetistas podem tornar o seu trabalho mais conhecido internacionalmente e ter a disposição um número maior de clientes potenciais, uma vez que o principal problema enfrentado por esse mercado é que, apesar dos números crescentes de downloads e de móveis sendo produzidos dessa forma pelo mundo, open source em mobiliário ainda é algo muito novo, em desenvolvimento e, portanto, pouco conhecido.

*Especial para Haus

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