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Jovens realizaram a pesquisa desenvolvida durante a pandemia no contraturno das aulas do ensino médio
Jovens realizaram a pesquisa desenvolvida durante a pandemia no contraturno das aulas do ensino médioJovens realizaram a pesquisa desenvolvida durante a pandemia no contraturno das aulas do ensino médio| Foto: IFRS – Osório/Divulgação

Duas estudantes do ensino médio do Instituto Federal do Rio Grande do Sul – Osório desenvolveram uma solução ecológica para a menstruação. O SustainPads, como foi nomeado, é um refil de absorvente biodegradável feito com o pseudocaule da bananeira e com as fibras do coco da palmeira de açaí jussara.

O protótipo apresentou uma capacidade de absorção 17% maior que os absorventes descartáveis convencionais e decompõe-se totalmente em questão de semanas.

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Camily dos Santos e Laura Drebes têm 18 anos e são estudantes do curso técnico integrado ao ensino médio da instituição. A pesquisa, do início até o primeiro protótipo, foi realizada pelas jovens no contraturno das aulas durante nove meses, orientadas pela professora Flávia Twardowski.

Da esquerda para a direita: Laura Drebes com biofilme, Flávia Twardowski com o coquinho do açaí jussara, e Camily dos Santos com o pseudocaule de bananeira
Da esquerda para a direita: Laura Drebes com biofilme, Flávia Twardowski com o coquinho do açaí jussara, e Camily dos Santos com o pseudocaule de bananeira| IFRS – Osório/Divulgação

A ideia surgiu quando Camily soube que sua mãe não havia tido acesso a absorventes adequados em sua juventude. Atualmente, 27 milhões de mulheres no Brasil passam pela mesma falta, fenômeno conhecido por pobreza menstrual. Camily quis, então, pesquisar uma solução acessível e que também fosse ecológica. Cada quilo de algodão, principal matéria-prima dos absorventes descartáveis convencionais, utiliza 10 mil litros de água em seu processamento.

A pesquisa começou pela procura de uma fibra natural que pudesse ser usada no lugar do algodão para absorver o fluxo. Testaram uma série delas, incluindo sabugo de milho e casca de arroz. Os melhores resultados foram com o pseudocaule da bananeira e do açaí juçara, que apresentaram 17% a mais na capacidade de absorção que os absorventes convencionais, que além de algodão levam plástico em sua composição.

Como todos os materiais usados na confecção do SustainPads são resíduos industriais, o custo de produção do protótipo é baixo: a estimativa é de R$ 0,02 por unidade. A solução, além de replicável e barata, traria uma finalidade para o descarte industrial.

As fibras naturais vêm da agroindústria da região, e a matéria-prima para o biofilme, da indústria nutracêutica, segmento farmacêutico. A equipe chegou a testar o mesocarpo do cacau para a produção de biofilme por apresentar amido e pectina em sua composição, mas os resultados não se encaixaram na aplicação ao absorvente.

As três camadas do SustainPads: o biofilme permeável por cima, o miolo de fibras de jussara e bananeira, e o biofilme impermeável por baixo
As três camadas do SustainPads: o biofilme permeável por cima, o miolo de fibras de jussara e bananeira, e o biofilme impermeável por baixo| Reprodução/Youtube

O protótipo do SustainPads ficou com três camadas: a primeira é um biofilme absorvente; seguida de um miolo feito com as fibras do pseudocaule da bananeira e do açaí juçara e, ao final, vem uma nova camada de biofilme, esta impermeável.

Esse absorvente é um refil inserido em uma capa que é fixada na calcinha com botões de pressão. A capa, costurada a partir de retalhos de tecido, pode ser lavada, enquanto o refil é descartado da mesma maneira que um absorvente convencional.

A ideia das pesquisadoras é de que o SustainPads passe a ser produzido por cooperativas de mulheres para contribuir com a geração de empregos e renda local. O investimento previsto para o início das operações de uma cooperativa seria de R$ 5 mil, e uma infraestrutura com prensa, autoclave, reator, estufa.

Reconhecimento

O SustainPads foi apresentado pela primeira vez ao público na edição de 2021 da Mostra de Ensino, Extensão e Pesquisa do Campus Osório e Mostratec, ambas em outubro. Em seguida, vieram os eventos Salão de Pesquisa do IFRS, em dezembro; e a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), em março de 2022, quando a notícia passou a circular nacionalmente. Em abril, as jovens foram homenageadas na Câmara de Vereadores de Osório por sua pesquisa.

Em junho, foi medalha de bronze na Genius Olympiad, feira de ciências sediada em Nova York. Até aí, a participação de todos os eventos foi totalmente virtual.

O projeto SustainPads foi um dos cinco finalistas selecionados para o prêmio internacional Stockholm Junior Water Prize, realizado anualmente em Estocolmo, na Suécia. "O sentimento de orgulho em poder levar a ciência jovem feminina brasileira, de estudantes de escola pública é espetacular. Nossa pesquisa, o SustainPads, que começou para atender uma demanda dentro da nossa comunidade, conquistou mais um lugar no mundo", diz a orientadora Flávia Twardowski. A votação é popular e está aberta até o dia 15 de agosto.

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