Você pode não perceber, mas o design é capaz de transformar negócios e vidas; conheça exemplos

Quando bem utilizadas, as técnicas de design ajudam a melhorar serviços e até o bem-estar da sociedade

Kit de Ferramentas para gravidez de alto risco: solução simples que resolve problemas. Foto: Divulgação

por Julliana Bauer*

02/09/2019

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Impulsionar negócios, aumentar o faturamento e encantar o usuário por meio de experiências são algumas das possibilidades menos óbvias do design. O trunfo do uso da ferramenta está na sua possibilidade de solucionar problemas – e é por isso que ele tem sido utilizado como instrumento estratégico para alavancar empresas e dar vida a projetos.

Para Ana Brum, que é diretora técnica do Centro Brasil Design, instituição que monitora e incentiva o uso do design no país, isso ocorre porque o design é uma ferramenta que traz resultados imediatos ao negócio por impactar na percepção de um serviço, no posicionamento de uma marca, na atenção por uma embalagem e até mesmo no desejo por um produto.

“É algo que permite que o negócio se torne inovador com pouco investimento, mas com grande retorno a curto e médio prazo. As iniciativas isoladas do uso do design ou mesmo aquelas realizadas com agrupamentos de empresas mostram que investir em design é muito lucrativo”, complementa. E é isso que os números comprovam. A instituição analisou empresas por meio de um programa de política pública local e constatou que, no Paraná, para cada 1% que as empresas investem em design, é gerado um aumento de vendas de 3% nos produtos e serviços.

Investimento em design que impacta o usuário

Foi o caso da Vuelo Pharma, uma empresa de healthcare da região metropolitana de Curitiba que sentiu nos balanços mensais e na resposta dos clientes o impacto do investimento. De olho no mercado internacional, em 2017, a empresa apostou na ferramenta para desenvolver seu novo modelo de negócios. A marca passou por uma repaginação completa — nome, identidade visual e embalagens foram recriados para atender ao novo posicionamento. “Até mesmo a clássica bula de papel foi eliminada, usando uma solução mais criativa e sustentável, que foi usar a própria embalagem para esse fim”, conta Thiago Rossetto Moreschi, sócio-diretor da empresa.

Dois anos após repaginar a marca, empresa de healthcare aumentou em 53,5% seu faturamento. Foto: Divulgação

As cores escolhidas para a nova fase também mudaram, e a paleta azul e verde, comum ao mercado de healthcare, foi substituída por tons vibrantes. “Com tudo isso, notamos um aumento significativo de vendas”, relata Moreschi. A resposta dos usuários foi rápida e positiva: em dois anos, o crescimento foi de 53,5% no faturamento.

Outro caso recente de sucesso é de um produto tipicamente brasileiro, a cachaça. A Sanhaçu, marca pernambucana de cachaça orgânica, decidiu investir em design para apresentar seus produtos ao mercado internacional. A nova roupagem, mais sofisticada, foi desenvolvida para que a cachaça pudesse se destacar entre suas concorrentes.

Embalagem mais sofisticada foi criada para que a cachaça pudesse se destacar no mercado internacional. Foto: Divulgação

Enquanto aguardavam o momento da exportação, três novas embalagens foram colocadas em teste no mercado brasileiro. Apenas com essa fase de testes, as vendas cresceram em pelo menos 10%. Agora, a cachaça passou a ser exportada para a Bélgica e Luxemburgo.

Design de serviço

E embora retorno financeiro seja algo altamente desejável, muitas vezes o impacto do design vai além do lucro. Quem usa o transporte público em Curitiba certamente já se deparou com pequenas bibliotecas que foram montadas em alguns tubos — as Tubotecas. Feitas com estruturas tubulares e chapas perfuradas de aço, foram criadas de forma a aproveitar a estrutura dos famosos tubos de ônibus curitibanos para ajudar os passageiros a incluir a literatura em suas rotinas.

Uma biblioteca na estrutura de uma estação-tubo é exemplo de design de serviço de sucesso. Foto: Antônio More/ Arquivo / Gazeta do Povo

No local, o usuário pode pegar emprestado um livro e devolvê-lo quando quiser, sem custos ou burocracia, em qualquer uma das demais Tubotecas da cidade. Mas onde exatamente entrou o design nesse projeto? “Em tudo! A proposta de oferecer um serviço gratuito, encaixando uma biblioteca na estrutura de uma estação-tubo para acessibilizar a leitura, é um ótimo exemplo de design de serviço”, explica o arquiteto, urbanista e ex-presidente do IPPUC, Sérgio Pires, que ajudou a idealizar o projeto.

Em 2016, a iniciativa, que foi desenvolvida pelo Ippuc em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e a Urbanização de Curitiba (Urbs), ganhou um IF Design Award — um dos mais importantes prêmios de design do mundo. “É um exemplo menos óbvio do potencial e da aplicabilidade do design, que quando é colocado à serviço da sociedade, transforma a rotina das pessoas”, esclarece Pires.

Também uma aplicação do design de serviço, o High Risk Pregnancy Toolkit (kit de Ferramentas para gravidez de alto risco, em tradução livre) é um produto que ajuda tanto profissionais de saúde quanto voluntários a reconhecer e explicar os sinais de gravidez de alto risco para mulheres que vivem em ambientes de alta vulnerabilidade. Lançado em 2018, nasceu com cunho totalmente social.

Kit de Ferramentas para gravidez de alto risco: solução simples que resolve problemas. Foto: Divulgação

O kit inclui um conjunto de cartões resistentes com informações relevantes sobre gravidez de risco, de forma didática e um fetoscópio — um estetoscópio fetal — que permite ouvir o coração do bebê. A criação é agora utilizada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha para ajudar os profissionais de saúde em campo a prestar melhores serviços às gestantes com complicações.

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*especial para a Gazeta do Povo 

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