Adepto do minimalismo extremo, japonês vive com apenas 200 itens

Seis anos depois de adotar estilo de vida que aposta no “menos é mais”, Fumio Sasaki segue firme no propósito de viver com pouco

Reprodução/ Youtube Asian Boss

por Luciane Belin*

16/07/2019

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Olhe ao redor. Quantos itens você consegue contar na sua sala de estar ou na sua cozinha? E quantos deles são realmente essenciais para a sua existência? As chances são grandes de que, em um único cômodo, cada brasileiro seja o feliz proprietário de muito mais objetos do que o japonês Fumio Sasaki contabiliza em toda a sua casa.

Há cerca de seis anos, ele adotou um estilo de vida minimalista, em que procura subsistir com entre 150 e 200 itens em casa – entre roupas, móveis, louças e produtos de higiene. Até hoje, embora tenha promovido algumas mudanças na decoração, Sasaki mantém a proposta adotada na época: a de consumir menos.

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No começo, o escritor dormia em um colchão dobrável que, pela manhã, poderia ser guardado dentro do armário, liberando espaço no chão e mantendo tudo mais organizado em seu flat de 20 metros quadrados. Hoje, Sasaki já acrescentou uma cama de madeira ao lado da escrivaninha — um item a mais, mas que se percebeu necessário.

Foto: Reprodução/Youtube CNA Insider

A casa minimalista já lhe rendeu a autoria de um livro, o “Goodbye, things” [Adeus, coisas!], de 2017, que já foi traduzido para mais de 20 idiomas e vendeu 160 mil cópias. Neste, o autor conta como foi a transição de alguém que tinha muitas coisas dentro de casa para alguém que agora vive com o que é realmente essencial — e como identificar o que é necessário e o que apenas pensamos ser. 

“É mais fácil sair, quando você vive em um quarto tão simples. Conforme você seleciona e reduz suas coisas, você se entende melhor, o que é central e o que é fundamental para você. E acho que essa é a essência do minimalismo”, disse ele em entrevista à CNA Insider, disponível no YouTube.

O antigo colchão dobrável cabia dentro do armário. Foto: Reprodução/Youtube CNA Insider

Menos é o futuro

É com esse lema que Sasaki conduz sua rotina desde que adotou o minimalismo. Antes disso, no entanto, ele tinha uma vida bastante convencional: colecionava CDs e livros, saía com frequência para beber com os amigos, dormia tarde e acordava atrasado.

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Antes, uma enorme coleção de CDs. Foto: Reprodução/Youtube CNA Insider

Agora, apenas a paisagem do outro lado da janela. Foto: Reprodução/Youtube Asian Boss

Mas, como tinha muita bugiganga dentro de casa, fazer uma simples limpeza se tornava uma tarefa insuportável, daquelas que se adia até não poder mais. Foi enquanto trabalhava em um editora e no auge da tendência do “decluttering” [remover o que não é essencial], no Japão, que ele conheceu o minimalismo e decidiu adotá-lo.

Não foi fácil.

O escritor precisou de um ano para se livrar de tudo o que tinha — vender discos e livros em lojas de itens usados, doar o que não conseguiu vender, dispensar as roupas sobressalentes e substituir parte dos utensílios de casa por outros que tivessem mais do que uma função. As roupas também ficaram menos diversas e o armário agora tem itens mais versáteis.

Foto: Reprodução/Youtube CNA Insider

Mas uma mudança tão grande no mobiliário demanda, antes e mais do que tudo, repensar a forma como se vive. Para ter apenas um ou dois tipos de produtos de limpeza, por exemplo, ele precisou encontrar um detergente que servisse tanto para lavar os vegetais quanto seu próprio cabelo e o chão do banheiro.

Passa, também, por uma revisão no cardápio. Para equilibrar sua alimentação, o japonês faz várias das refeições fora de casa. Quando cozinha, prefere preparar os mesmos pratos todos os dias, graças à pouca variedade de utensílios. Em um país de culinária vasta e diversificada como o Brasil, por exemplo, essa seria uma das partes mais desafiadoras do processo, especialmente para quem aprecia cozinhar.

Foto: Reprodução/Youtube Asian Boss

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Receber amigos é outro desafio. Quando tem convidados, ele sugere que cada um traga seu próprio copo ou adota os copos de papel, e o delivery em geral se faz necessário, já que não é possível cozinhar.

Mas as vantagens também são muitas: sem excessos, bagunça vira palavra extinta no vocabulário, é mais fácil manter cada item em seu lugar, sem deixar roupas e materiais espalhados quando chega de um dia cansativo de trabalho.

Foto: Reprodução/Youtube CNA Insider

A limpeza também se torna uma tarefa de poucos minutos quando os cacarecos e bibelôs foram eliminados, e quanto não há dezenas ou centenas de itens acumulando poeira.

Com o tempo que sobra e o dinheiro que economiza, Fumio passeia, continua saindo com os amigos, cuida da mente com práticas saudáveis e agora consegue viajar muito mais.

*Especial para HAUS.

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