Para voltar no tempo: um roteiro pela arquitetura tipicamente polonesa da Colônia Murici

Roteiro de turismo rural em São José dos Pinhais é convite para conhecer a história dos imigrantes

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

por Júlia Rohden*

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A ida até a Colônia Murici, em São José dos Pinhais, é um passeio pela cultura e história dos imigrantes poloneses. Fundado em 1878, o local preserva casarões e igrejas com arquitetura característica. Os moradores, a maioria com sobrenomes herdados dos parentes poloneses, ainda fazem comidas típicas, como pierogues e bigos. A festa da colheita, que acontece em março e reúne cerca de duas mil pessoas, é outra marca da cultura dos imigrantes que segue preservada na Colônia Murici.

Portal marca início da rota turística Caminhos da Colônia Murici. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Portal marca início da rota turística Caminhos da Colônia Murici. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A rota Caminhos da Colônia Murici, roteiro de turismo rural promovido pela prefeitura de São José dos Pinhais, recebe visitantes da região metropolitana e grupos de ciclistas que escolhem pedalar pelo local. Em 2015, foi inaugurado um portal que marca o início da rota. Ao lado, está a Colônia Mergulhão, formada por imigrantes italianos que também tem uma rota turística, Caminho do Vinho.

Cerca de vinte famílias vieram da Polônia, principalmente da região Sul, para iniciar a Colônia Murici e trabalhar na agricultura. A chefe de Patrimônio Histórico e Artístico da Secretaria de Cultura, que também é historiadora e moradora da Colônia Murici, Cecília Holtman, conta que foi uma iniciativa do Império e do presidente da província da época, Adolfo Lamenha Lins.

Atualmente, a maioria dos moradores é descendente dos imigrantes poloneses e a agricultura familiar continua sendo a principal atividade. A Colônia Murici é responsável por 80% do abastecimento de hortaliças da região metropolitana.

Confira lugares para visitar na Colônia Murici:

Casa da Cultura Polonesa

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

O casarão que hoje abriga a Casa da Cultura Polonesa fica foi construído em 1905, em madeira, e foi a primeira escola da Colônia Murici. A escola foi idealizada pelo padre Karol Dworaczek, uma figura importante e querida pela comunidade que chegou da Polônia em 1900. Em 1920, a escola foi reformada e passou da madeira à alvenaria. O local funcionou como escola até o final da década de 1960 e, em 2006, se tornou o museu dedicado à memória da imigração polonesa e administrado pela Secretaria de Cultura de São José dos Pinhais.

Museu tem salas que contam a história dos imigrantes da Colônia e instrumentos de agricultura doados pelos moradores. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Museu tem salas que contam a história dos imigrantes da Colônia e instrumentos de agricultura doados pelos moradores. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A casa tem uma sala dedicada à agricultura típica da Colônia, com instrumentos e ferramentas antigos, e um espaço que conta a história do local através de painéis, fotografias e vídeos. A Casa da Cultura também promove atividades educativas, como contação de lendas polonesas, e recebe visitas escolares.

No segundo andar tem cômodos de uma casa tipicamente polonesa. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

No segundo andar tem cômodos de uma casa tipicamente polonesa. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

No segunda andar do museu há dois cômodos que representam moradias típicas dos imigrantes, reunindo objetos de diversos períodos históricos. Todas as peças foram doadas por moradores. “A maioria das casas tinha dois ambientes: o quarto e a cozinha interna, usada para ocasiões especiais como páscoa e natal. E fora da casa havia outra cozinha que era usada no dia a dia, quando as pessoas chegavam da roça”, explica Cecília Holtman. A historiadora também destaca que quadros com imagens de santos preenchendo a parede eram comuns nas salas dos antigos moradores.

A visitação ocorre de terça a sexta-feira, das 8h às 17h, e no primeiro domingo do mês, das 12h30 às 16h30.

Igreja Sagrado Coração de Jesus

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Ao lado da Casa da Cultura está a paróquia da Colônia que remete ao início do século 20. As pinturas no teto da igreja são originais e as características da arquitetura gótica podem ser conferidas nos vitrais e nos arcos abobadados.

Cecília Holtman conta que não se sabe ao certo onde ficava a primeira igreja da colônia, mas a segunda igreja era bem pequena (cerca de 8×8) e feita de pedra. “Essa segunda igreja ficava onde hoje é o altar da Igreja Sagrado Coração de Jesus”, diz.

As pinturas no teto são originais. A igreja tem características da arquitetura gótica. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

As pinturas no teto são originais. A igreja tem características da arquitetura gótica. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Karol Dworaczek foi o primeiro padre a morar na Colônia e é considerado responsável por dinamizar o local. O polonês, além de padre, era também, médico e professor. Foi ele quem ampliou a pequena igreja de pedra e a deixou com estilo gótico, reinaugurando o local em 1911.

No quarto domingo do mês, às 10h, é rezada missa em polonês. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

No quarto domingo do mês, às 10h, é rezada missa em polonês. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A igreja só está aberta nos horários de missa: de terça a sábado às 19h e no domingo às 8h. No quarto domingo do mês, às 10h, o padre Stenislaw Piwowar reza a missa em polonês.

Loja de artesanatos

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Casas com troncos de madeira são construções típica do sul da Polônia. “As pessoas mais pobres usavam todo o tronco da madeira para a parede ficar mais grossa no inverno”, explica Cecília Holtman. “E a madeira se encaixa, com vedação entre os troncos com capim e esterco, sem o uso de pregos”, completa.

As construções com troncos de madeira são típicas do sul da Polônia. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

As construções com troncos de madeira são típicas do sul da Polônia. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A madeira é encaixada, sem uso de pregos. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A madeira é encaixada, sem uso de pregos. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A  loja de artesanatos de Roseli Iedoski Fontes fica próxima ao portal que dá boas-vindas aos visitantes da Colônia Murici. Os proprietários originais eram poloneses e ela acredita que a casa foi construída em 1880. Os netos dos primeiros donos da casa ofereceram para Roseli. Ela aceitou e transportou a cada por quatro quilômetros – catalogando, desmontando e depois encaixando peça por peça.

A loja vende artesanatos produzidos pelos moradores da Colônia Murici. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

A loja vende artesanatos produzidos pelos moradores da Colônia Murici. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

O lugar fica aberto aos sábados, domingos e feriados e vende artesanatos produzidos por moradores da Colônia.

Kawiarnia Café Colonial

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Ao lado da casa onde é oferecido o café colonial, encontra-se uma antiga construção de madeira e alvenaria que é uma espécie de museu com objetos doados por vizinhos e amigos.

Os antigos imigrantes marcavam na madeira o ano que a casa recebeu benção do padre. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Os antigos imigrantes marcavam na madeira o ano que a casa recebeu benção do padre. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo

Café colonial, pequeno museu e armazém com produtos coloniais estão abertos aos fins de semana e feriados. Foto : Hugo Harada / Gazeta do Povo

Café colonial, pequeno museu e armazém com produtos coloniais estão abertos aos fins de semana e feriados. Foto : Hugo Harada / Gazeta do Povo

Perto da lâmpada está marcado 1910. Cecília Holtman explica que os antigos imigrantes gravavam na madeira o ano da primeira visita do padre para benzer a casa, o que normalmente acontecia logo depois que sua construção era finalizada.

No local também tem um armazém colonial que oferece produtos como vinhos, geléias, salames, queijos, pierogue e bolachas artesanais.

O café colonial recebe visitantes aos fins de semana e feriados.

*Especial para Gazeta do Povo.

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