Gigante do design mundial cria vila urbana com casas modulares, desmontáveis e pagas por ações

Novo projeto da SPACE 10, Urban Village propõe casas sustentáveis e acessíveis que podem ser adquiridas em parcelas por meio de ações

Foto: divulgação/SPACE10

por Gazeta do Povo

18/06/2019

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No rol de soluções pensadas para amenizar o impacto da crise mundial de habitações — com casas de baixa qualidade, preços altos e uma grande quantidade de pessoas sem acesso à moradia —, a mais nova integrante vem de uma velha conhecida do mundo da decoração. A marca sueca IKEA, por meio de seu laboratório de pesquisa SPACE10 e em parceria com o escritório de arquitetura dinamarquês EFFEKT, desenvolveu um novo projeto que visa tornar imóveis mais acessíveis ao mercado.

A ideia do projeto Urban Village é criar vilas com pessoas de diferentes gerações e camadas sociais e incentivá-las a compartilhar instalações em uma comunidade — o chamado “co-living”. Entre a infraestrutura comum, estariam escolas e transportes compartilhados, captação local de água, refeições comunitárias e iniciativas de agricultura urbana — tudo desenhado priorizando a sustentabilidade.

O primeiro ‘pulo do gato’ está na venda dos imóveis. Em vez de comprar a casa da forma tradicional, os moradores teriam a possibilidade de comprar “ações” do imóvel comunitário a cada mês, de forma que “caibam no bolso”. Assim, eles aumentariam progressivamente seu percentual de propriedade sobre a casa ao longo do tempo.

Esse tipo de pagamento dispensaria entradas ou grandes investimentos iniciais, enquanto o aluguel permaneceria acessível, cobrindo eletricidade, água, aquecimento, manutenção e instalações compartilhadas.

Foto: divulgação/SPACE10

Aumentando a família, aumentando o espaço

Além disso, outra novidade é que as casas não sejam fixas, mas se adaptem às necessidades de cada família conforme cada configuração. Por exemplo: enquanto a casa para uma pessoa tem 36 m², um casal ocupa uma casa de 72 m², e pode se mudar para uma de 108 m² após ganhar um filho.

A estrutura das construções seria feita a partir de madeira laminada, material considerado resistente e sustentável. Cada casa ou ambiente comercial é pensado de modo modular, aumentando ou diminuindo seu tamanho total segundo seu uso e se reconfigurando com facilidade. Segundo Sinus Lynge, sócio da EFFEKT, a saída permite “configurar uma ampla gama de diferentes tipologias de moradias para diferentes ambientes urbanos”.

O sistema modular também tem a vantagem de ser pré-fabricado e produzido em massa, reduzindo custos, impacto ambiental e a quantidade de dióxido de carbono emitida durante a construção.

Foto: divulgação/SPACE10

“O sistema é projetado para ser desmontado, criando um ciclo no qual materiais de construção podem ser reutilizados e substituídos ao invés de desperdiçados. Isso pode ser um divisor de águas para a indústria da construção”, acrescentou Lynge, na ocasião da apresentação do projeto.

Acesso digital

Enquanto o aluguel cobre uma base de serviços fixos para todos os moradores, outros são opcionais e podem ser adicionados à “assinatura” da moradia na vila, tais como alimentação, transporte, seguro e atividades culturais. Esses serviços seriam gerenciados e acessados por meio de um aplicativo exclusivo para moradores.

Foto: divulgação/SPACE10

O projeto foi desenvolvido pelas empresas ao longo de dois anos e apresentado no início do mês pela SPACE10 durante o Democratic Design Day, conferência anual da IKEA voltada a novas ideias, que acontece na sede da empresa em Älmhult, na Suécia. O próximo passo é receber investidores e interessados para um feedback e possíveis próximos passos para a concretização do conceito.

Mais informações podem ser encontradas no site do projeto.

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