Jardim agroecológico com mais de 100 espécies é cultivado no terraço de prédio em Curitiba

Empreendimento social atua como laboratório e vitrine de tecnologias sustentáveis bem no centro da cidade e processa 400 kg de lixo orgânico mensalmente

Fotos: Divulgação

por Luciane Belin*

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Localizado no topo de um prédio de três andares na região do Alto da Glória, em Curitiba, o Terraço Verde lançou oficialmente seu espaço voltado ao cultivo de mais de 100 espécies de plantas nesta quinta-feira (22).

Depois de atuar como um laboratório de tecnologias sustentáveis e de desenvolver e aprimorar técnicas de cultivo de plantas e processamento de lixo orgânico, o Terraço Verde lançou um projeto de financiamento coletivo para convidar a comunidade a incentivar a agroecologia urbana por meio do trabalho que é realizado no espaço.

À frente do espaço, o empreendedor social João Paulo Mehl, o co-empreeendedor Fabio Henrique Nunes e Rafael Gomes, que atua com paisagismo ecológico e funcional, vêm desde 2011 trabalhando na documentação de processos e na elaboração de um espaço que pudesse transformar um piso de concreto em um lugar de incentivo à agroecologia urbana.

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Foi somente neste ano, no entanto, que eles conseguiram resolver questões práticas do prédio onde estão instalados há uma década, como a infiltração do edifício que impedia o início dos trabalhos. “A gente começou a construir a passos largos e muitas mãos, se preocupando muito com a documentação dos processos de modo que seja uma experiência a ser replicada, que se espalhe pela cidade. A gente não gosta de ser centro de referência em nada, a gente gosta de pensar em ser um ponto de ação para um mundo sustentável”, explica Mehl.

Fotos: Divulgação

De acordo com Nunes, foram mais de 30 voluntários e empreendedores envolvidos para formar a estrutura que o Terraço Verde tem hoje. “Neste campo em que emergiram todas essas tecnologias estavam muitas pessoas ligadas à Universidade Federal do Paraná, ao setor de Agrárias e a um grupo de pesquisa de agroecologia, junto com outros empreendedores e algumas empresas, que estavam trabalhando com isso”, diz ele, complementando: “Levou um tempo de maturação das pessoas e dos profissionais, o complexo cresceu e com a vinda dos bares, com a movimentação, a energia da região, tudo isso junto permitiu a criação de um espaço de efervescência cultural e social”.

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Depois de adaptar a laje, eles começaram a trazer as espécies de plantas para compor o jardim, que hoje são mais de 100. São plantas nativas, melíferas, medicinais, rústicas, suculentas e as plantas alimentícias não convencionais (Panc). “As espécies selecionadas vieram de um pequeno ecossistema, isso favorece para o desenvolvimento de raízes umas com as outras, da planta como um todo e atrai polinizadores que, quando fechar todo o terraço, isso vai influenciar no bioclimatismo, diminuir o calor do prédio como um todo”, adianta.

Fotos: Divulgação

Cada um com seu terraço

A relação do terraço não é somente com o andar em que ele se situa, o terceiro, mas com toda a estrutura, já que grande parte do lixo orgânico gerado nos demais andares é processado pelo Terraço Verde – são mais de 400 kg de lixo processado todos os meses, um total de quase duas toneladas somente neste ano.

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Esse tratamento dos resíduos orgânicos acontece por meio de três diferentes tipos de composteiras e um biodigestor, algo que o Terraço Verde não apenas tem para uso próprio, como também oferece como produto, para revenda. “Queremos repensar a forma de lidar com o solo; normalmente as formas de preparar o crescimento é com a química. Então a gente vai fazendo tudo por processo natural, e dentro disso encaixa a compostagem. Começa a fechar um ciclo e por isso que é ecológico. Tudo o que morre, volta para a terra, para o terraço, como adubo”, explica Gomes.

Fotos: Divulgação

O objetivo é que eventualmente o tratamento englobe em breve 100% do descarte orgânico gerado no local, incluindo o dos bares que ficam no térreo do conjunto. “Nosso projeto, com esse sistema, é zerar a destinação errada, via aterro, dos resíduos orgânicos, a gente não quer que o resíduo orgânico saia daqui”, diz Nunes.

Ele explica ainda que as composteiras são fáceis de serem utilizadas em condomínios ou casas, bem como restaurantes e estabelecimentos comerciais em geral. “A pessoa pode colocar em um canto na lavanderia e utilizar somente colocando o lixo e as folhas secas para iniciar a compostagem. Elas não geram cheiro forte e ajudam a esvaziar os aterros”, detalha.

Fotos: Divulgação

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Além da venda de produtos, como as próprias composteiras, o Terraço Verde também organiza cursos e oficinas sobre agroecologia urbana e sustentabilidade, sendo um espaço aberto para o desenvolvimento de negócio diversos no ramo. O propósito é incentivar ainda outros prédios a replicarem este mesmo tipo de iniciativa, o que resultaria na redução de ilhas de calor no centro da cidade, diminuição da vazão de água de chuva, além da produção de alimentos orgânicos e biofertilizantes – no caso do Terraço, são mais de 100 litros por mês.

Fotos: Divulgação

O Terraço Verde fica na Rua Itupava, 1299, cj 312, no Alto da Glória, em Curitiba (PR).

*Especial para Haus.

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