O renascimento da arquitetura e da dinâmica urbana de Milão

A poucos dias do Salão Internacional do Móvel, conheça o novo skyline de Porta Garibaldi, a revitalização do bairro Navigli e a inauguração de espaços culturais que fazem reviver a capital da moda e do design italiano

por Andrea Torrente

17/03/2016

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À sombra do Duomo respira-se um ar novo, de renascença. E isso tem pouco ou nada a ver com a Expo 2015, a Exposição Universal que no ano passado atraiu mais de 20 milhões de visitantes. A verdade é que bem antes disso a cidade símbolo do design e da moda tenta se reinventar. Objetivo? Entrar no mapa das cidades mais cosmopolitas, inovadoras e modernas da Europa ao lado de Londres, Paris, Berlim, Barcelona e Madri.

Enquanto a cidade se reinventa, o Duomo continua sendo o símbolo de Milão. Fotos: Mariana Quintana.

Enquanto a cidade se reinventa, o Duomo continua sendo o símbolo de Milão. Fotos: Mariana Quintana.

Foto: Bigstock.

Foto: Bigstock.

Quem visitou Milão poucos anos atrás, hoje já pode notar as diferenças. Novos projetos urbanísticos estão em fase de realização, bairros foram revitalizados, espaços culturais abriram as portas, a rede de metrô está em fase de ampliação e formas de transporte urbano alternativo, como o car sharing e o bike sharing, já estão consolidadas. Mérito da administração da cidade e dos investimentos estrangeiros que Milão, no meio da crise econômica, atraiu das potências da Ásia e Oriente Médio.

No ranking feito pelo diário Il Sole 24 Ore, Milão foi apontada como a segunda melhor cidade para se viver na Itália em 2015 – no ano anterior estava em oitavo lugar.

Espaços culturais

A célebre Galleria Vittorio Emanuele II, de 1867, tem estilo neorenascentista e é considerada a sala de estar da cidade. À direita,o bairro Navigli que foi revitalizado: nas margens dos canais se concentram bares e restaurantes. Fotos: Mariana Quintana.

A célebre Galleria Vittorio Emanuele II, de 1867, tem estilo neorenascentista e é considerada a sala de estar da cidade. À direita,o bairro Navigli que foi revitalizado: nas margens dos canais se concentram bares e restaurantes. Fotos: Mariana Quintana.

Se a história milenar sempre foi o ponto de força das cidades italianas, Milão parece se mover contra a corrente. A nova aposta é a arte contemporânea. A Fondazione Prada, ativa há mais de 20 anos na cidade, ganhou no ano passado uma nova sede na zona sul. O espaço projetado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas reaproveita uma antiga destilaria construída no começo do século 20 e a combina com três novas construções. O museu (o ingresso custa 10 euros) abriga exposições de arte contemporânea, permanentes e temporárias, além do Bar Luce, projetado pelo diretor de cinema Wes Anderson, que recriou a atmosfera de um típico café da Milão antiga.

A Fondazione Prada e o Pirelli HangarBicocca abrigam exposições de arte contemporânea. Acima, o bar Luce, na Fondazione Prada, foi projetado pelo diretor de cinema Wes Anderson. Fotos: Divulgação.

A Fondazione Prada e o Pirelli HangarBicocca abrigam exposições de arte contemporânea. Acima, o bar Luce, na Fondazione Prada, foi projetado pelo diretor de cinema Wes Anderson. Fotos: Divulgação.

 

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Do outro lado da cidade, o Pirelli HangarBicocca fez uma operação parecida: converteu uma velha fábrica de trens em lugar dedicado à arte contemporânea e a projetos site-specific, que se relacionam com as características do ambiente. E como gastronomia também é cultura, o espaço abriga ainda o moderno bar-cafeteria Dopolavoro Bicocca dedicado à comida de rua e especialidades locais e do mundo.

Bairros revitalizados

Falando em comida, o Mercato Metropolitano é sem dúvida a novidade mais saborosa da revitalização do bairro Navigli, coração boêmio da cidade. No mercado gastronômico se encontram produtos locais, cervejarias artesanais, opções de comida de rua, vinho em taça, empórios e hortifrúti. O espaço de 15mil m² foi inaugurado nos galpões da antiga estação de Porta Genova. É a vocação industrial de Milão que se reinventa.

O Mercato Metropolitano no bairro Navigli. Foto: Bigstock.

O Mercato Metropolitano no bairro Navigli. Foto: Bigstock.

Na mesma região, milaneses e turistas voltaram finalmente a ver a darsena, uma bacia hídrica localizada no centro de Milão que foi utilizada por séculos como porto. As obras se arrastaram por anos, mas agora em volta do espelho d’água foi construída uma área onde é possível caminhar e ver o tempo passar. Na revitalização entrou também o Mercato Comunale, um espaço à margem da darsena que conta com lojinhas, empórios dedicados a especialidades locais, peixarias, açougues, hortifrúti e bares. O lugar virou point para fazer um happy hour ou comprar ingredientes frescos.

A darsena, velho porto da cidade, revitalizada. Foto: Bigstock.

A darsena, velho porto da cidade, revitalizada. Foto: Bigstock.

Na zona norte, perto da estação Porta Garibaldi, Milão ganhou um novo skyline feito de arranha-céus e prédios de vidro. Ali surge também o Bosque Vertical, duas torres residenciais de 111 e 78 metros de altura projetadas pelo arquiteto Stefano Boeri. A peculiaridade destes edifícios é a presença de 900 espécies de árvores e plantas. Ao lado fica a Unicredit Tower, que com 231 metros é um dos prédios mais altos da Itália, e a praça Gae Aulenti que virou um espaço de encontro: nela há fontes, várias lojas e a livraria-restaurante Feltrinelli.

O novo skyline futurista de Porta Garibaldi. Foto: Bigstock.

O novo skyline futurista de Porta Garibaldi. Foto: Bigstock.

A nova praça em homenagem ao arquiteto e designer Gae Aulenti. Foto: Bigstock.

A nova praça em homenagem ao arquiteto e designer Gae Aulenti. Foto: Bigstock.

Mobilidade

O crescimento da cidade exigiu investimentos em mobilidade, tanto públicos quanto privados. Linhas de trens e metrô são cada vez mais integradas e o carro já não é mais a melhor opção para se deslocar na cidade. Os veículos privados sofrem limitações rígidas para circular no centro. Por isso, o car sharing ganha a cada dia novos adeptos. Diversas empresas oferecem o serviço com diferentes modelos de carros, alguns elétricos, a partir de 5 euros por hora.

O bike sharing também já é uma realidade consolidada: o sistema BikeMi conta com cerca de 400 estações para retirar ou deixar a bicicleta. O custo é de 0,50 euros a cada meia hora, sendo a primeira meia hora gratuita. Embora Milão seja uma cidade plana, há também bikes elétricas. Por outro lado, em 2015, foi completada a linha 5 (lilás) do metrô, enquanto a linha 4 (azul) entrará em funcionamento até 2022. Milão está nos trilhos.

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