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Reservatório do Carvalho na Serra do Mar pode ser reconhecido como patrimônio histórico nacional. 
Fotos: André Rodrigues/Gazeta do Povo
Reservatório do Carvalho na Serra do Mar pode ser reconhecido como patrimônio histórico nacional. Fotos: André Rodrigues/Gazeta do Povo| Foto: Gazeta do Povo

Fundamental para o crescimento e a urbanização da Curitiba do início do século 20, o sistema formado pelos reservatórios do Carvalho, na Serra do Mar, e do Alto São Francisco busca o reconhecimento como patrimônio nacional. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-PR) estão dando andamento ao processo que solicita o tombamento federal do conjunto, que foi o primeiro sistema de abastecimento de água do estado e continua em funcionamento passados mais de 100 anos de sua inauguração.

Complexo foi inaugurado em 1908.
Complexo foi inaugurado em 1908. | Gazeta do Povo

Para se compreender a relevância histórica da construção é preciso voltar no tempo. No ano de 1903, o então presidente do Estado, Francisco Xavier da Silva, sancionou a Lei 506, que autorizava a contratação dos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto de Curitiba.

“Desde 1871 o abastecimento era feito pelo chafariz público instalado no Largo da Ponte, onde hoje é a Praça Zacarias. A cidade foi crescendo e a população precisando de mais água, então, depois de testes com a água do Rio Belém, que já tinha focos de poluição, foi aprovado o projeto para se buscar o recurso nos Mananciais da Serra, em Piraquara”, conta Manoel César, técnico em patrimônio histórico da Sanepar.

A obra

Assim, em 1904 deu-se início à construção das duas pontas do sistema, com projeto dos engenheiros Octaviano Machado de Oliveira e Álvaro de Menezes. De um lado, estava o conjunto dos Mananciais da Serra, que compreendia 17 caixas coletoras localizadas nas bacias do Rio Caiguava e Litorânea e o Reservatório do Carvalho, com capacidade para 800 mil litros d’água. Na outra ponta, construía-se o Reservatório do Alto São Francisco, que iria receber o líquido vindo daquele reservatório depois de percorrer os 38 quilômetros de adutoras que ligavam as duas construções.

“O que marcou este primeiro sistema foi o fato de a água chegar a Curitiba por gravidade, sem o auxílio de nenhum outro mecanismo. Foi um trabalho topográfico incrível, que deu o que falar. As pessoas saíam de casa para visitar as obras nos finais de semana”, conta César.

Abastecimento

A inauguração do sistema ocorreu em agosto de 1908, período a partir do qual ele passou a fazer, sozinho, todo o abastecimento de água da cidade, então com cerca de 35 mil habitantes. Para isso, a água vinda do Reservatório do Carvalho e armazenada no Reservatório do Alto São Francisco, com capacidade para sete milhões de litros d’água, era distribuída em 28 torneiras públicas espalhadas pela cidade.

Mesmo com mais de 100 anos de construção, o sistema é importante para o abastecimento de água em Curitiba e região.
Mesmo com mais de 100 anos de construção, o sistema é importante para o abastecimento de água em Curitiba e região. | Gazeta do Povo

O sistema se manteve desta maneira até por volta de 1950, quando o Reservatório do Carvalho deixou de funcionar em sua totalidade. Com isso, o do Alto São Francisco passou a ser alimentado pela barragem do Iraí e, ainda hoje, abastece o Centro e mais 15 bairros de Curitiba, como Mercês, Boa Vista, Bigorrilho e Batel, por exemplo.

Das 17 caixas coletoras, apenas uma, a do Rio Carvalhinho, ainda alimenta o Reservatório do Carvalho, como lembra o técnico da Sanepar. Mesmo assim, ele continua abastecendo Curitiba, só que de forma indireta. Sua água ajuda a alimentar a barragem de Piraquara, uma das principais da capital e da região metropolitana.

“Trata-se de um sistema fundamental para o abastecimento de água e para a história da urbanização de Curitiba. Um dos fatores de maior relevância do bem é que o sistema ainda está em pleno uso, abastecendo boa parte da região central da cidade. Esse fator constitui-se em um dos elementos essenciais para a sua preservação”, destaca Moisés Stival, chefe substituto dá divisão técnica do Iphan-PR.

O Reservatório do Alto São Francisco é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná. Já o do Carvalho integra a área referente ao tombamento da Serra do Mar.

Além de conhecer a centenária construção, visitar os Mananciais da Serra  é uma oportunidade de se conectar com a natureza.
Além de conhecer a centenária construção, visitar os Mananciais da Serra é uma oportunidade de se conectar com a natureza. | Gazeta do Povo

Visitação

Para quem deseja conhecer de perto toda esta história e as belezas da Serra do Mar, o Mananciais da Serra é aberto à visitação todos os segundos finais de semana de cada mês (com exceção dos de feriado). Além do Reservatório do Carvalho, o local conta com um centro de educação ambiental, mirante, trilhas e um santuário dedicado a São Francisco de Assis. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail mananciaisdaserra@sanepar.gov.br.

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