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São indiscutíveis os impactos que a pandemia da Covid-19 tem sobre o dia a dia das pessoas. Em todas as esferas da vida - profissional, pessoal, familiar -, fomos obrigados a alterar drasticamente e rapidamente nossas rotinas para dar conta dos afazeres (afinal, a vida não pode parar) ao mesmo tempo em que nos mantemos saudáveis e protegemos os demais.

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E esta celeridade de adaptação (ou pelo menos a tentativa dela) levou também a outro movimento: o da antecipação de tendências que eram vislumbradas para um futuro de médio ou longo prazo ou que já eram uma realidade, porém em escala muito reduzida, nos aspectos que envolvem o morar.

"Quando se fala de futuro e se analisa as tendências macro, relacionadas ao comportamento e aos novos movimentos da sociedade, pode-se dizer que todas, de uma forma ou de outra, foram reforçadas [pela pandemia]", resume Iza Dezon, especialista em tendências e representante exclusiva da Peclers Paris (agência de previsão de tendências) no Brasil.

A imposição do isolamento social, necessária à prevenção da contaminação pelo coronavírus, obrigou as pessoas a passarem mais tempo nas suas residências. "A casa, que antes era vista basicamente como o local onde se começava e fechava o dia, [assumiu inúmeras outras funções], se tornando o espaço para relaxar, trabalhar, se divertir, fazer exercícios físicos", lembra Luiza Loyola, expert da WGSN, multinacional de previsão de tendências, com sede no Brasil.

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Consequentemente, isso fez com que as pessoas repensassem seus espaços para fazer deles um efetivo lugar de bem-estar, um antídoto contra a ansiedade, tendência que já aparecia no pré-pandemia, e um local onde podem aliviar as tensões. Assim, ambientes e soluções como banheiros inspirados nos spas ou destinados a práticas meditativas e de relaxamento ganham cada vez mais destaque. "Estamos à procura do nosso hygge", sintetiza Lourdes Manzanares, diretora-geral, comercial e de marketing da Interprint do Brasil, sede brasileira da multinacional alemã de papéis decorativos, referindo-se ao estilo dinamarquês que preza pelo conforto e bem-estar, extrapolando a decoração e também englobando os momentos da vida em casa.

Menos (com qualidade) é mais

Com cada vez mais tarefas para acrescentar à agenda e preocupações ocupando a mente, é natural que, dentro do possível, as pessoas busquem pelo fim do excesso no ambiente físico, seguindo o conceito do menos é mais.

A tendência, que já aparecia há algum tempo, ganha força no período da pandemia, no qual as pessoas passaram a reavaliar ou reforçaram seus projetos no sentido de possuir menos itens e consumir de forma cada vez mais consciente.

"Não estamos falando que as pessoas irão parar de consumir. Mas elas irão consumir de forma mais inteligente. Terão menos objetos, menos artigos de decoração", pontua Luiza, da WGSN. Neste sentido, ganham ainda mais destaque os chamados móveis 360º, ou seja, peças multifuncionais, que se adaptam às diversas necessidades de uso dos moradores, como lembra Lourdes.

Para as empresas, este é um desafio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade, uma vez que as marcas terão, cada vez mais, que justificar sua existência e repensar seus mix de produtos, com coleções e lançamentos cada vez mais enxutos. "Será o fazer menos, mas sendo mais assertivo, e não o sair atirando para todos os lados", completa a expert da WGSN.

DIY: de alimentos à decoração

O popular "Faça Você Mesmo" é outra das tendências que as especialistas listam entre as que foram aceleradas pela pandemia da Covid-19. Isso porque, o passar mais tempo em casa, aliado à insegurança de trazer profissionais para realizar serviços na residência, faz com que muitos moradores se aventurem a colocar a mão na massa para consertar aquela torneira que está pingando, montar aquele móvel comprado pela internet ou pintar a parede para dar aquela renovada na decoração.

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"Ficar mais em casa desperta o senso de conserto, do Do It Yourself (DIY). Para as marcas, esta é uma oportunidade de gerar conteúdo em vídeo ou nas redes sociais para dar este tipo de suporte, que não está, necessariamente, atrelado à venda", sugere Luiza.

Aliado à preocupação com o bem-estar e com uma pitada de DIY aparece também o desejo de cultivar alimentos em casa, seja em hortas ou vasos, ao mesmo tempo em que se busca a redução dos desperdícios.

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"As gerações nativas digitais, final da millenial e "Z", ao se depararem com a quantidade de lixo gerada dentro de casa (uma vez que não vemos o lixo no restaurante), passam a pensar mais em dinâmicas que apareciam como microfenômenos, como o uso de composteiras e de novas técnicas de reciclagem", afirma Iza, da Peclers. "Temos que vislumbrar as chances que tudo isso irá nos trazer, de nos reconectarmos com os valores humanos, tendo uma visão positiva dessas transformações", conclui Lourdes.

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