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Depois de um mês de janeiro que foi o mais quente da história, em Curitiba, e do século, para diversas cidades brasileiras, as temperaturas finalmente se amenizaram, mas o calor promete retornar ainda em fevereiro. Junto com a temperatura, o que pode ir até as alturas nessa época é a conta de luz – algo que, segundo especialistas em climatização, pode ser culpa dos próprios usuários.

Isso porque a temperatura que aparece no visor do ar-condicionado influencia – e muito! – os índices de consumo de energia, graças a um fator chamado “carga térmica”, a diferença entre a temperatura externa e a desejada pelo usuário do aparelho. Usar o aparelho em 23ºC ou 24ºC pode significar uma economia significativa e o mesmo conforto que se alcança quando o ar está em 18°C ou 20ºC.

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De acordo com o engenheiro mecânico Arnaldo Lopes Parra, especializado em climatização e vice-presidente de marketing da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado e Ventilação (Abrava), entre a cada grau que se reduz no controle remoto do equipamento, são cerca de 3,5% de aumento no consumo de energia. “Existem alguns estudos da Abrava que comprovam que, se o ar estava em 23ºC e a temperatura for aumentada para 25ºC, há uma redução de 7% no consumo”.

Foto: Pixabay
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Ele complementa que, quando as referências são números mais baixos, como 18ºC ou 19ºC, por exemplo, a economia pode ser ainda mais significativa, uma vez que a carga térmica será maior e exigirá mais esforço da máquina. “É o mesmo raciocínio do consumo de combustível de um automóvel. Se você anda a 80 km/h em uma via plana, o consumo de gasolina é menor do que quando você dirige na subida, pois exige muito mais do carro”, exemplifica.

Em outras palavras, quanto mais quente estiver lá fora, mais esforço a máquina tem que fazer para rejeitar o calor do ambiente e alcançar as temperaturas desejadas, o que pode resultar em cerca de 20% de consumo de energia adicional se você optar por 18ºC ou 20ºC no visor.

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Foto: Priscila Forone/ Arquivo Gazeta do Povo
Foto: Priscila Forone/ Arquivo Gazeta do Povo| GAZETA

Segundo a arquiteta da VRF Engenharia, Fernanda Roccon, que é pós-graduada em engenharia da climatização, muita gente acredita que, somente posicionando o ar condicionado na temperatura mínima, ele vai resfriar o cômodo adequadamente. “O equipamento não é feito para ser ligado no mínimo e desligado em seguida. Ele foi pensado para ficar trabalhando por um período longo de tempo em uma temperatura confortável. Quando você liga o ar-condicionado em 23°C, ele vai estabilizar muito rápido, vai ficar mantendo aquela temperatura e não vai desgastar o equipamento”.

Abaixo do intervalo entre 22°C e 26°C graus, recomendado para ambientes residenciais e corporativos de baixa circulação, o ar-condicionado trabalha ininterruptamente para conseguir manter a temperatura solicitada. “Normalmente, isso acontece quando a máquina está mal dimensionada, quando é preciso regular para 20ºC para alcançar os 23ºC que tornam o ambiente confortável”, explica a arquiteta.

Foto: Antonio Costa/ Arquivo Gazeta do Povo
Foto: Antonio Costa/ Arquivo Gazeta do Povo

Outros aspectos de economia

Assim como a temperatura regulada e o dimensionamento do equipamento, há outros fatores que influenciam o consumo de energia de um ar-condicionado. “O melhor item para economizar energia é uma boa instalação do equipamento. Primeiro, a máquina tem que ser bem selecionada, é preciso contratar um técnico com habilitação na área, e que detenha conhecimento especializado”, sugere Parra.

Segundo ele, não basta entender de redes elétricas para garantir que o aparelho vá ser bem instalado. Isso porque o tamanho do cômodo deve influenciar sobre a potência do equipamento, o que vai garantir melhor consumo de energia. “Se o ambiente pede um ar-condicionado de 12 mil btus e o usuário escolher um de 7 ou de 8 mil btus, o consumo será maior do que o adequado”, informa o engenheiro.

Foto: Pixabay
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Além disso, a manutenção preventiva é essencial para minimizar os gastos desnecessários tanto com possíveis futuros estragos de peças quanto com desgaste. “Estudos indicam que a falta de manutenção de qualquer equipamento pode influenciar em um gasto até 40% a mais de energia”, detalha. Cuidados com limpeza e lubrificação aumentam a longevidade dos equipamentos e reduzem drasticamente o custo de manutenção corretiva.

*Especial para Haus.

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