Restaurante se torna autossuficiente em energia ao transformar estacionamento em usina solar

Bellagio, em Curitiba, construiu estrutura que deve garantir economia anual de quase R$ 70 mil na conta de luz. Formato de compensação com painéis fotovoltaicos é aplicável também em residências; veja como funciona

Foto: Eneas Gomez

por Luciane Belin*

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Depois de passar anos assustado com a conta da provedora de energia elétrica, o empresário Roberto Cerulli Vezozzo resolveu buscar uma alternativa que economizasse dinheiro e fosse mais amigável com o meio-ambiente. Todos os meses, ele pagava cerca de R$ 5,7 mil à Companhia Paranaense de Energia Elétrica, a Copel, pelos kilowatts utilizados no Restaurante Bellagio, de sua propriedade. No ano passado, Vezozzo começou a buscar fornecedores para construir sua própria fonte de energia fotovoltaica e, neste ano, mandou construir sua própria miniusina de energia solar.

Ao invés de instalar painéis solares no endereço do próprio restaurante, no entanto, ele optou por captar a radiação solar em outro lugar: o estacionamento, que fica no outro lado da rua, também na Avenida Sete de Setembro. “Não foi possível usar o telhado do próprio restaurante pois nele não caberia a quantidade de placas necessária para a autossuficiência. Além disso, uma Araucária na frente do local faria um sombreamento em quase um quarto do telhado, então optamos por essa alternativa”, explica Alexandre Rossi, da Gena Energia Solar, empresa que forneceu os materiais e construiu a estrutura.

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Foto: Eneas Gomez

Segundo ele, a opção do empresário se tornou viável economicamente desde que este recurso se tornou disponível para os paranaenses de cidades onde a concessionária de energia é a Copel. Isso porque a energia excedente é “vendida” para a distribuidora pelo mesmo valor que o kilowatts/hora custa para o consumidor.

Graças a esse sistema de compensação em kilowatts/hora, a economia do empresário vai beirar os R$ 70 mil por ano. A mini-usina de energia do Bellagio foi montada com 270 placas de captação e tem área de 459 m², que vão gerar 7.500 kwh/mês, representando cerca de 110% da energia de que o restaurante precisa. Com isso, Vezozzo paga não apenas a conta do restaurante, como também consegue descontar o excedente da conta do próprio apartamento e da residência da filha. O custo de todo o processo, segundo o empresário, foi de R$ 495 mil, valor que ele financiou via BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). “É um financiamento para ser pago em sete anos, mas o investimento todo vai se pagar em cerca de quatro anos e meio com a economia que vamos ter”, detalha.

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Foto: Eneas Gomez

De acordo com Rossi, existem diferentes tipos, tamanhos e índices de captação de energia no mercado. No caso do Bellagio, foram utilizadas placas de 72 células, maiores que as mais comumente utilizadas no mercado, que costumam ser de 60 células. “São maiores e geram mais energia, e as células do painel são de qualidade superior. Por ter potência individual das placas mais alta e uma grande área total, conseguimos maximizar a produção, utilizando módulos de 285 watts, ou seja, com alta classificação de eficiência energética, que normalmente parte de 260 watts”.

É possível ter energia solar em casa?

Embora ainda esteja fora do alcance da maior parte da população, o formato de compensação de kWh utilizada pelo Bellagio é uma possibilidade cada vez mais real também para residências. Segundo Rossi, a alternativa é economicamente viável para propriedades que consomem cerca de 500kW por mês, equivalente a entre R$ 300 e R$ 400 de gastos.

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Com um investimento a partir de R$ 32 mil, é possível instalar 28 m² de painéis, que geram energia suficiente para manter uma residência com um consumo relativamente alto por um mês. “Este valor já inclui o desenvolvimento de um projeto de um painel fotovoltaico, com aprovação na Copel, instalação de inversores e placas, quadros de proteção, homologação do sistema e garantia de funcionamento, que é de 25 anos”, explica Rossi.

De acordo com ele, a energia sobressalente gerada fica como crédito para utilização em outros endereços ou para ser descontada em contas nos meses seguintes, com validade de cinco anos.

Foto: Eneas Gomez

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Apesar da fama de cidade pouco ensolarada, Curitiba tem um grande potencial de geração de energia solar graças à alta incidência de raios luminosos. A capacidade de transformar luz do sol em energia da capital paranaense está acima de regiões como a cidade de Salvador, por exemplo, que tem muito mais dias ensolarados por ano do que Curitiba, segundo estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

*Especial para Haus.

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