Empresa brasileira cria película que gera energia e pode ser aplicada em janelas e fachadas

Tecnologia libera menos carbono do que placas solares. No entanto, o custo para uso residencial ainda é considerado alto

O filme fotovoltaico orgânico é uma alternativa para a geração de energia solar. Foto: Divulgação

por RBS, por Iarema Sorares

10/07/2019

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A busca por fontes de energia sustentáveis tem movimentado o setor civil mundial. E o Brasil não está fora dessa corrida. Durante o 2° Fórum da Inovação na Construção Civil, que aconteceu em Porto Alegre no dia 4 de julho,  foi apresentada uma novidade que está revolucionando, desde 2017, o mercado de prédios verdes. Criada pela empresa mineira Sunew, uma espécie de lâmina leve, resistente, fina e extremamente maleável produz energia elétrica por meio da luz solar.

Lâmina aplicada em fachada. Foto: Divulgação.

Identificadas como filme fotovoltaico orgânico (OPV, na sigla em inglês), essas folhas são feitas com materiais recicláveis e não tóxicos. Cada lâmina é composta por cinco nano folhas de polímeros (cadeias longas de carbono, hidrogênio e oxigênio) sintetizados em laboratório. Por fim, este material é impresso em rolo plástico, como uma bobina de papel.

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Geralmente, o suporte mais popular de geração de energia solar são as placas, que chegam a pesar 25 quilos. Os filmes fabricados pela empresa mineira ficam na faixa de 300 gramas por metro quadrado, têm 0,3 milímetros de espessura e podem ser colocados em estruturas curvas. O grande trunfo da tecnologia é o ganho ambiental, explica o diretor de novos negócios da Sunew, Filipe Ivo. “A vantagem é que chegam a liberar 20 vezes menos carbono no ambiente quando comparadas com os painéis solares tradicionais, porque usamos materiais sintéticos na fabricação”, aponta.

Novidade deve chegar ao público em quatro anos 

A tecnologia é mais versátil e em sintonia com as atuais tendências arquitetônicas. Em São Paulo, por exemplo, prédios que priorizam a vista externa estão em alta na construção civil. Assim, as janelas ganham importância nos edifícios, mas acabam não tendo outra função, além da estética. Com a chegada dos filmes, os vidros podem ser adesivados ou fabricados com a tecnologia aplicada na estrutura. Além de gerar energia, o OPV proporciona conforto térmico, economia no sistema de refrigeração e controle de luminosidade ao bloquear 99% dos raio infravermelhos e 95% dos ultravioletas.

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Modelo de “árvore” geradora de energia que fica em frente ao Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação.

O OPV pode ser utilizado também em mobiliários urbanos, como paradas de ônibus e bicicletários. No Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, pode ser visto por meio da OPTree, um mobiliário com formato de árvore que capta luz solar e a transforma em energia elétrica, o que possibilita o carregamento de celulares de modo independente e sustentável.

Atualmente, a novidade é encontrada em grandes prédios e shoppings. Como a demanda é pequena, o preço de instalação ainda é alto. Um metro quadrado de OPV custa cerca de R$ 1 mil. Para se ter uma ideia, uma casa com dois moradores gasta, em média, 100 KW/h por mês, o que gera uma conta de luz em torno de R$ 82. Caso fosse instalado OPV, o custo seria de aproximadamente R$ 12 mil para gerar a mesma quantidade de energia.

Ou seja, seriam necessários cerca de 12 anos para recuperar o valor investido. Essa conta espanta interessados no uso residencial, mas o futuro é promissor, acredita Ivo. “Assim que o OPV se tornar mais popular, os preços vão baixar e o produto chegará às pessoas. Esperamos que isso aconteça em até quatro ano”, sinaliza.

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