Viveiro do Ibirapuera será demolido para dar lugar a rede de fast-food?

Afirmação de que o Viveiro Manequinho Lopes daria lugar a um restaurante de fast-food causou polêmica nas redes sociais. Edital de concessão do Parque Ibirapuera prevê revitalização do espaço e ainda está em fase de consulta pública

Estufas não darão lugar a rede de fast-food, afirma Prefeitura. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

por Aléxia Saraiva

16/03/2018

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Responsável pela produção de mudas destinadas às áreas públicas da cidade de São Paulo, o Viveiro Manequinho Lopes, localizado no Parque Ibirapuera, será alvo de uma série de reformas para sua adequação e integração com o parque. Ao contrário do que foi publicado pela Rede Brasil Atual, o local não será demolido para virar um restaurante. A afirmação de que o viveiro daria lugar a um fast-food causou polêmica nas redes sociais durante a semana. Uma petição online para evitar a demolição chegou a ser criada.

A revitalização do espaço está incluída como obrigatória no edital para a concessão do Ibirapuera e outros cinco parques (Jacintho Alberto, Jardim Felicidade, Eucaliptos, Tenente Brigadeiro Faria Lima e Lajeado) que está sendo realizado pela Prefeitura de São Paulo.

“[O viveiro] se trata de um bem tombado pelos órgãos de patrimônio. A preservação e restauro das estufas históricas do Viveiro Manequinho Lopes será uma obrigação do futuro concessionário”, explica a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Desestatização e Parcerias (SMDP) de São Paulo por meio de nota.

O que prevê o Anexo III da minuta do edital, publicada pela SMDP, é a revitalização do viveiro, sua reintegração ao parque e a construção de novas áreas de serviço, como sanitários e lanchonetes. O texto afirma que “a concessionária deverá realizar a reforma do Viveiro Manequinho Lopes no Parque Ibirapuera, no trecho onde se localizam as estufas, de forma a permitir sua integração com o restante do parque, […] como suporte à sua visitação, respeitado seu caráter histórico”.

200 espécies de plantas são criadas no viveiro. Foto: Reprodução/Parque Ibirapuera

A SMDP informa ainda que o edital está em fase de consulta pública até 20 de março, e por isso ainda pode sofrer alterações até que seja efetivamente aberto para licitação. “Tudo aquilo que for definido para o espaço do viveiro vai precisar passar pela aprovação dos órgãos do patrimônio”, afirma Ana Carolina Freitas, assessora da secretaria.

Na última quarta-feira (14), foi realizada uma audiência pública na Universidade Aberta de Meio Ambiente e Cultura de Paz (UMAPaz), onde foi apresentado o projeto da licitação e esclarecidas dúvidas da população. Freitas reforça que qualquer cidadão está apto a enviar contribuições para a versão final da licitação. As sugestões podem ser realizadas diretamente no site da secretaria. A publicação do edital definitivo está prevista para dia 7 de abril, e a definição do vencedor, 1 de junho.

Já em obras

Outra reforma do viveiro foi anunciada em setembro de 2017, a ser realizada pela fabricante de sabonetes Francis. R$ 1,25 milhão serão investidos pela empresa para manutenção das estufas e canteiros do Manequinho Lopes. O viveiro Arthur Etzel, no Parque do Carmo, também está incluído na parceria. A reforma faz parte do projeto SP Cidade das Flores, do programa SP Cidade Linda.

Segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) de São Paulo, a reforma prevista está atualmente em fase de levantamento de dados históricos do viveiro, para que, posteriormente, sejam solicitadas aprovações dos órgãos de tombamento.

Outra reforma já está sendo realizada no viveiro. Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo

A estimativa é que as obras durem três anos. A reforma será mantida mesmo com a licitação do Parque Ibirapuera e a nova revitalização prevista no edital. “Uma coisa não exclui a outra”, afirma a secretaria.

Importância histórica

Professor do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em árvores urbanas, Marcos Buckeridge ressalta a importância do serviço que o Viveiro Manequinho Lopes presta à a capital. “O Manequinho consegue produzir uma quantidade de mudas compatível com as necessidades da cidade”, afirma. “E em São Paulo a gente tem árvores nas ruas, praças, parques [que são responsabilidade da SVMA e fornecidas pelos três viveiros da Prefeitura]”.

O professor destaca que o viveiro é fundamental para a manutenção do índice razoável de arborização na cidade de São Paulo. Segundo o Treepedia — comparador de índices de urbanização em ruas de grandes capitais mundiais realizados pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) —, a megalópole brasileira tem índice maior que a média das cidades e supera capitais como Paris.

Foto: Reprodução/Treepedia

Além da manutenção das áreas verdes da cidade, o viveiro também fornece gratuitamente a seus visitantes mudas para plantio, adequadas ao clima da região.

Criado há 90 anos, antes do próprio Parque Ibirapuera, o Manequinho Lopes já nasceu com o objetivo de arborizar São Paulo. Seu nome é em homenagem a Manoel Lopes de Oliveira Filho, responsável pela ideia de criação do viveiro.

Atualmente, o Viveiro Manequinho Lopes ocupa 48 mil m² do Parque Ibirapuera. São mantidas no local 200 espécies de plantas arbustivas e herbáceas. A estrutura do local inclui 10 estufas, 97 canteiros suspensos, 3 telados (estruturas cobertas com tela de sombreamento) e 39 quadras — onde é mantido um estoque de mudas envasadas para o uso por órgãos públicos municipais.

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