Prefeitura abre licitação e bairro ecológico da Caximba promete sair do papel

Objetivo é dar início ao levantamento de custos reais e captar recursos com o governo federal

Foto: Arquivo/Gazeta do Povo

por Paola Marques*

22/03/2019

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Uma intervenção socioambiental em uma área conhecida por um aterro sanitário que abriga um conjunto de vilas derivadas de ocupação irregular, formadas ao longo dos últimos dez anos. Assim nasce o novo bairro de Curitiba, 326 anos após a fundação da cidade: o Bairro Novo da Caximba.

Entre equipamentos previstos para a região está a implantação de um parque para o amortecimento das cheias, criando um dique e bacias de contenção para aliviar o volume de água que promove alagamento nas comunidades. O dique será coberto e vai conter uma ciclovia, quadras de esportes, praças e uma área de plantio de flores que pode funcionar também como fonte de renda das famílias do local. Além de ampliar a infraestrutura com a construção de novas escolas, centros de educação infantil e unidades de saúde na região.

Imagem: Ippuc/Divulgação

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A prefeitura de Curitiba já abriu concorrência pública para os projetos executivos do Bairro Novo da Caximba. O edital, publicado pelo Ippuc, é para a contratação de projetos de engenharia e arquitetura que somam pouco mais de R$ 2 milhões. A obra prevê a implantação do parque linear às margens do Rio Barigui, intervenções de macro e microdrenagem, infraestrutura viária, além da elaboração do Relatório Ambiental Prévio para a urbanização da Vila 29 de Outubro, nome oficial de uma das vilas da região.

R$ 200 milhões. É o custo estimado para a intervenção na Caximba, que prevê implantação de um parque, infraestrutura e remoção de famílias.

21 anos. Foi o tempo durante o qual funcionou o aterro da Caximba, que recebeu mais de 12 milhões de toneladas de resíduos.

Este é o primeiro passo para dar início ao levantamento de custos real dos projetos. Com isso, abre-se a possibilidade de captar recursos junto a uma entidade do governo federal ou até mesmo com instituições financeiras internacionais. Segundo o Ippuc, uma carta-consulta está sendo elaborada junto ao Ministério da Economia visando a viabilização de um financiamento externo para a execução das obras.

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“Nós estamos tratando há mais de um ano com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) que é um dos agentes que têm interesse na área por se tratar de uma ação socioambiental”, conta o arquiteto Mauro Magnabosco, que coordena o projeto no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Até agora, o custo estimado para a intervenção é de R$ 200 milhões.

Os envelopes contendo proposta técnica, proposta de preços e documentos de habilitação podem ser protocolados diretamente no Ippuc até o dia 15 de abril. Eles serão abertos em sessão pública do mesmo dia.

Com a licitação acontecendo agora no primeiro semestre de 2019, os projetos protocolados devem levar cerca de um ano para serem aprovados. “Dentro da programação, além dos projetos, temos uma série de desapropriações a serem feitas para a implantação das novas moradias. Depois, todo um processo de busca de recursos e aprovação desses projetos. Tudo isso deve levar cerca um ano e meio”. A ideia é que as obras comecem em meados de 2020, tendo o dinheiro, projetos e licenças aprovadas.

Projeto

O parque chega para resolver questões ambientais como drenagem, mas também visa integrar o espaço à cidade. “Dentro do nosso sistema de parques, esse é mais um parque que deve ser absorvido pela população como um grande equipamento de lazer, de desenvolvimento econômico e de preservação ambiental”, diz o arquiteto Mauro Magnabosco.

“Esse é mais um parque que deve ser absorvido pela população como um grande equipamento de lazer, de desenvolvimento econômico e de preservação ambiental.” Mauro Magnabosco, arquiteto do Ippuc.

O projeto é iniciativa do prefeito Rafael Greca e desenvolvido pelo Ippuc em conjunto com outros agentes públicos como a Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab Curitiba), a Procuradoria Geral do Município e as secretarias municipais de Governo, Meio Ambiente, de Obras Públicas, Defesa Social, Educação e Fundação de Ação Social (FAS). No novo bairro serão realocadas 1.147 unidades habitacionais.

Foto de 2009, quando o aterro operava na região, recebendo toneladas de lixo. Foto: Aniele Nascimento/ Arquivo Gazeta do Povo

Como preparativo para as mudanças que deve receber, o bairro da Caximba já recebeu mutirões de limpeza das áreas inundadas e atendimento de saúde e atenção social por parte da prefeitura. No final de 2018, a Cohab, em conjunto com a Organização Não Governamental TETO, realizou uma ação de desocupação das margens do Rio Barigüi.

Vinte e uma famílias do bairro que viviam em situação de risco na beira do rio foram transferidas para novas residências construídas por voluntários da ONG. “Além da preocupação com as chuvas, há também risco de erosão do solo”, relatou na época a assistente social e chefe do serviço social do órgão, Danniele Gatto Pereira. A ação, feita com objetivo emergencial, buscou garantir a segurança dos moradores das áreas alagadiças.

Histórico

O aterro sanitário da Caximba começou a receber resíduos em novembro de 1989. Ao longo da vida útil, o aterro recebeu mais de 12 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Quando encerrou as atividades, em outubro de 2010, ou seja, 21 anos após a abertura do local, a Caximba recebia uma média de 2,4 mil toneladas por dia de resíduos de coleta pública de 18 municípios da Região Metropolitana de Curitiba. Mesmo após o fechamento do aterro, é mantido um trabalho de tratamento do chorume – líquido de coloração escura e odor forte que possui alta carga poluente.

*Especial para Gazeta do Povo.

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