Mentor de bairro inovador em Barcelona vem a Curitiba colaborar com o Vale do Pinhão

Ex-CEO do Distrito de Inovação 22@Barcelona, Josep Piqué afirma que região tem as bases para desenvolver aqui uma revolução urbana similar à realizada na capital catalã

Foto: Agência Curitiba / Divulgação

por Sharon Abdalla

26/11/2018

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Símbolo de revolução urbana desde os anos 1960, quando foram inauguradas as canaletas exclusivas para a circulação dos ônibus, Curitiba se mantém ativa quando o assunto é a cidade do futuro. Prova disso está na visita que o espanhol Josep Piqué, ex-CEO do Distrito de Inovação 22@Barcelona — case mundial de transformação urbana –, fez à cidade na última sexta-feira (23).

Piqué veio à capital a convite do prefeito Rafael Greca para conhecer o projeto do Vale do Pinhão, criado pela prefeitura para incentivar o ambiente de inovação e funcionar como laboratório de revitalização urbana para a cidade, que guarda semelhanças com o que vem sendo realizado há 18 anos na capital catalã.

“Barcelona tinha uma área de 200 hectares no centro da cidade que era uma antiga zona industrial e que estava degradada e obsoleta, com edifícios antigos e sem atividade. Diante deste problema, a cidade trabalhou para transformar urbanística, econômica e socialmente o distrito”, conta Piqué. “Visitamos o @22 durante o Smart City Expo World Congress e percebemos semelhanças entre ele e o Rebouças, antigo distrito industrial de Curitiba. Então, conversamos com o Piqué e surgiu a oportunidade para que ele conhecesse nossa realidade e para que nós pudéssemos ouvir sua opinião sobre o planejamento e o projeto do Vale do Pinhão”, acrescenta Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento.

Além de conhecer o Vale do Pinhão, Josep Piqué também visitou o Ippuc e a Secretaria do Meio Ambiente, em Curitiba. Foto: Cesar Brustolin/SMCS

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Para isso, o atual presidente da Lá Salle Technova visitou o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e a região do Vale do Pinhão, onde conheceu alguns de seus elementos construtivos mais representativos, como as antigas fábricas da cervejaria Brahma e das ceras Canário e o prédio que abriga o Engenho da Inovação.

“Nosso grande objetivo era ouvir a opinião dele sobre se nosso projeto fazia sentido. E ele disse que sim. Viu com muito bons olhos tanto o projeto quanto o potencial que Curitiba tem para transformar nosso laboratório urbano do Vale do Pinhão em um distrito de inovação”, destaca Cris. Ainda na avaliação da presidente, todos os passos dados nestes dois anos de projeto foram concretos, mas ainda há muito a ser feito.

“Acredito que o projeto tem as bases para poder ser desenvolvido um 22@ [aqui]. É importante que hajam os elementos e, depois, o processo urbano, econômico e social. Esta é uma transformação tríplice, [que envolve a] universidade, a administração municipal e a sociedade e onde cada uma precisa entender qual é a sua função, que deve [estar baseada] tanto na atração como na criação de talentos”, completa Piqué.

Projetos

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Nos próximos meses, dois projetos devem movimentar e levar novas ideias para o Vale do Pinhão. De acordo com Cris, a Prefeitura de Curitiba irá lançar no mês de dezembro um edital para a contratação do projeto técnico para a revitalização do prédio localizado ao lado do Engenho da Inovação, onde estão os silos do antigo moinho. O objetivo, segundo a presidente, é o de que ele funcione como uma extensão do Engenho e seja transformado em um espaço de vivência de startups e empresas, um ponto de encontro do ecossistema de inovação da cidade.

Já para o início de 2019, está prevista a abertura de um chamamento para a apresentação de propostas para a região, que contempla os bairros Rebouças e Prado Velho. “O objetivo é que estudantes e profissionais apresentem propostas de projetos de ruas inteligentes, smart squares, reurbanização com foco em smart cities da forma mais colaborativa possível, resultando em uma coletânea de ideias para o bairro”, completa Cris.

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