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Ano Novo em setembro? Entenda a celebração judaica

Judeus ortodoxos comemoram o Ano Novo Judaico em Uman, na Ucrânia, em outubro de 2024.
Judeus ortodoxos comemoram o Ano Novo Judaico em Uman, na Ucrânia, em outubro de 2024. (Foto: EFE/EPA/MAXYM MARUSENKO)

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Grande parte dos povos - e com certeza praticamente todo o mundo ocidental - comemora a passagem de ano na noite de 31/12, iniciando o ano novo em 1º de Janeiro. No entanto, há diversos outros “anos novos” comemorados por diferentes religiões e culturas.

Neste setembro, a partir do entardecer do dia 22 e por dois dias consecutivos, os judeus estarão comemorando seu ano novo, o ano judaico de 5786. A diferença entre as datas se dá porque o calendário gregoriano segue a orientação solar, enquanto o judaico segue a orientação lunisolar. Há ainda calendários que seguem a orientação lunar, como o calendário Islâmico.

Outros “anos novos” bastante importantes são o Ano Novo Chinês, cujo primeiro dia ocorre na lua nova que aparece entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro - o próximo sendo 17/02/206. Os hindus também têm seu próprio ano novo, o Ugadi, celebrado no primeiro dia do mês Hindu de Chaitra, que se dá na primeira Lua Nova após o equinócio de março.

Para os islâmicos, o Ano Novo, chamado de Hijri, ocorre no mês chamado Muharram. Como o calendário muçulmano é exclusivamente lunar e tem 11 ou 12 dias a menos que o calendário gregoriano, não há qualquer correspondência fixa com o calendário universal. Os bengalis usam o calendário solar e seu ano novo é em 15 de abril, exceto nos anos bissextos, quando é celebrado um dia antes. Já os coreanos denominam seu Ano Novo como Seollal, e ele ocorre sempre na segunda lua cheia após o solstício de dezembro.

O Ano Novo Judaico, denominado Rosh Hashaná, ocorre nos dois primeiros dias do mês Judaico de Tishrei, geralmente entre o fim de agosto e início de outubro. A comemoração judaica difere totalmente da comemoração ocidental do ano novo. São dois dias consecutivos dedicados à introspecção, oração, análise dos próprios erros e tomada de resoluções para ser um ser humano melhor no novo ano. A maior parte do dia é passada dentro das sinagogas, em oração.

O ponto alto da data é o toque do shofar, um chifre geralmente de carneiro, cujo som estridente visa chamar a coletividade à meditação, arrependimento e correção de rumos. É neste dia que D’us promulga o destino do mundo. As famílias se reúnem em jantares pomposos, onde sempre está presente tanto o mel como a maçã.

A partir do Rosh Hashaná iniciam-se os chamados Dias Terríveis, um período de 10 dias de profunda introspecção que levam ao dia mais sagrado do judaísmo, o Yom Kippur - Dia do Perdão. O destino traçado a cada pessoa no Rosh Hashaná será sancionado por D’us neste dia e pode ser mudado em função de arrependimento sincero que tenha ocorrido durante os Dias Terríveis.

O Yom Kippur inicia-se no anoitecer do 9º dia do ano judaico e se prolonga até o anoitecer do 10º dia. Dedicado praticamente exclusivamente à oração e contemplação, é um dia de jejum absoluto, que dura pouco mais de 25 horas.

Em Israel não há nenhum estabelecimento comercial aberto, não há transporte, rádio, TV, shows e praticamente não se vê nenhum veículo nas ruas - exceção a uma eventual ambulância ou veículo policial. No entanto, em função de ruas absolutamente vazias, as crianças com suas bicicletas estão em todas as ruas, avenidas e praças.

Seguindo a tradição judaica, desejo a todos os leitores um Shaná Tová uMetuká - um ano bom e doce. Queira D’us que os seres humanos consigam transformar as diferenças em confluência, o ódio em amor e que guerras e destruição sejam extintos da face da terra.

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