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Victor Glove

Artemis: quem é o astronauta cristão que fala de Deus no espaço

Victor Glover: piloto da missão Artemis II citou Jesus Cristo ao vivo para 25 milhões de pessoas
Victor Glover: piloto da missão Artemis II citou Jesus Cristo ao vivo para 25 milhões de pessoas (Foto: Divulgação/Nasa)

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Quatro astronautas estiveram mais longe da Terra do que qualquer ser humano esteve em toda a história. Na última segunda-feira (6), sexto dia da missão Artemis II, a cápsula Orion ultrapassou 406 mil quilômetros de distância do planeta, batendo o recorde que pertencia à Apollo 13 desde 1970.

Horas depois, a tripulação estava prestes a cruzar o lado oculto da Lua, onde a comunicação simplesmente desaparece. Durante cerca de 40 minutos, nenhum sinal de rádio alcançaria a Terra. Mais de 25 milhões de pessoas acompanhavam a transmissão ao vivo pelo canal da NASA pelo YouTube.

Foi nesse instante, antes do apagão, que o astronauta Victor Glover pegou o microfone. Mas ele não disse nada sobre foguetes ou tecnologia. Diante da escuridão total, o tripulante afirmou: “À medida que continuamos a desvendar os mistérios do cosmos, gostaria de lembrar vocês de um dos mistérios mais importantes na Terra, que é o amor”.

Glover prosseguiu. “Cristo disse, ao responder sobre o maior mandamento, que devemos amar a Deus com tudo o que somos. Como grande mestre, ele acrescentou: ‘Dou a vocês um mandamento semelhante, que é amar o próximo como a si mesmo’”.

E após o astronauta dizer “Nós amamos vocês da Lua”, a cápsula mergulhou no silêncio.

“Nave chamada Terra”

Leah Cheshier, oficial de comunicações da NASA e comentarista da transmissão, descreveu o momento como “uma pequena carta de amor do outro lado da Lua”. Em seguida, emocionada, ela sussurrou o nome de uma conhecida música cristã: “How Great Thou Art” (“Quão Grande És Tu”).

O registro viralizou em questão de segundos no mundo inteiro. Mas não foi a primeira vez que Victor Glover falou sobre sua fé durante a missão.

No domingo de Páscoa, um repórter da emissora CBS News perguntou se o astronauta tinha alguma mensagem especial para dizer no feriado. “Não preparei nada”, ele admitiu.

Mesmo assim, Glover fez um discurso de improviso sobre a Bíblia, a criação e a Terra vista do espaço.

“Quando leio a Bíblia e vejo todas as coisas incríveis que foram feitas por nós, que fomos criados, percebo que temos esse lugar extraordinário, essa nave espacial. Vivemos em uma nave chamada Terra, criada para nos dar um lugar no universo. Em meio a todo esse vazio, a essa imensidão que chamamos de cosmos, temos esse oásis, esse lugar bonito onde podemos existir juntos”, disse o tripulante da Orion.

Alta performance

Filho de um policial e de uma contadora, o californiano Victor Jerome Glover Jr., de 49 anos, possui um currículo à altura do que se espera de um astronauta da NASA: técnico, rigoroso e construído ao longo de anos de alta performance.

“Atleta do ano” em 1994, quando cursava o ensino médio, ele se formou em Engenharia Geral antes de ingressar na Marinha. Nos anos seguintes, acumulou três mestrados — em Engenharia de Teste de Voo, Engenharia de Sistemas e Arte e Ciência Operacional Militar.

Seu apelido entre os colegas diz tudo: “Ike”, abreviação de I know everything (“Eu sei tudo”).

Como aviador naval, Victor Glover somou milhares de horas de voo, operou diferentes aeronaves e participou de missões de grande complexidade, incluindo operações em combate. Em 2013, a NASA o escolheu para a sua vigésima primeira turma de astronautas.

O militar fez sua estreia no espaço no final de 2020, como piloto da SpaceX Crew-1. Na ocasião, ele passou 168 dias na Estação Espacial Internacional (ISS), realizou quatro atividades fora da estrutura (também chamadas de “caminhadas espaciais”) e se tornou o primeiro astronauta negro a permanecer em órbita em uma missão de longa duração.

No dia 1º deste mês, a missão Artemis II foi lançada levando Glover, o comandante Reid Wiseman, a especialista Christina Koch e o coronel da Força Aérea canadense Jeremy Hansen em direção à Lua. Ele entrou para a história novamente, desta vez como o primeiro negro a se aproximar do satélite.

Ícone de diversidade? Sim. Mas o mesmo homem que rompeu uma barreira racial também desafia o roteiro politicamente correto esperado pela comunidade woke: levou uma Bíblia “física”, participou de cultos protestantes online enquanto girava ao redor da Terra e citou Jesus numa transmissão ao vivo.

“No Exército, dizem que não existem ateus nas trincheiras. Também não existem ateus em foguetes”, afirmou o astronauta, membro ativo da comunidade protestante Southeast Church of Christ, em Friendswood, no Texas — onde participa da igreja ao lado da mulher e das quatro filhas.

A fé no espaço

Durante 40 minutos, a Orion desapareceu atrás da Lua. Quando o sinal voltou, Victor Glover e os outros tripulantes estavam sãos e salvos, com a aterrissagem no Pacífico marcada para sexta-feira (10).

Mas o que ficou, antes do silêncio, foi a voz de um capitão da Marinha lembrando o maior mandamento de Jesus para 25 milhões de pessoas.

O gesto surpreendeu muita gente. Não deveria. Desde o início da era espacial, a fé tem sido companheira de viagem de muitos astronautas.

Em dezembro de 1968, quando a Apollo 8 orbitou a Lua, Frank Borman (anglicano), Jim Lovell (presbiteriano) e William Anders (católico) leram ao vivo os primeiros dez versículos do Gênesis. A transmissão foi ouvida em 64 países.

No ano seguinte, Buzz Aldrin, presbiteriano, celebrou a primeira comunhão fora da Terra logo após o primeiro pouso na Lua. Ele leu João 15:5 (“Eu sou a videira; vocês são os ramos”), passagem que simboliza a necessidade essencial de conexão entre Jesus e os cristãos.

Em 1971, James Irwin, da Apollo 15, sentiu a presença de Deus enquanto caminhava na superfície lunar. “Não consigo imaginar lugar mais sagrado”, disse.

Décadas depois, no final dos anos 90, o comandante Rick Husband levou a fé a bordo do ônibus espacial Columbia. Batista convicto, ele tinha o hábito de deixar o mesmo recado para seu pastor nos papéis de rotina que todo astronauta preenche antes de partir: “Fale a eles sobre Jesus; ele é real para mim”.

Em 2003, durante o retorno de uma missão, o Columbia não completou seu voo. Mas o comandante já havia cumprido sua missão mais importante. A mensagem estava entregue, e a fé de Husband continuou viva em seu testemunho

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