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Glossário

Quem é quem no escândalo do Banco Master: um guia para entender tudo 

Banco Master
O Banco Master está no centro de um dos maiores escândalos financeiros do Brasil. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

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O escândalo do Banco Master envolve uma trama tão complexa que é digna das melhores séries ou filmes de ficção sobre o gênero. Mas, diante de tantas questões reais, e um tema difícil envolvendo fraudes bilionárias e personagens do primeiro escalão da república, você consegue entender com clareza tudo o que se passa?

Este glossário serve como um guia para decifrar a rede de conexões que sustenta o escândalo. Trazemos termos técnicos, como “crise de liquidez”, e nomes de banqueiros, ministros, empresários e operadores que compõem um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil.

Aílton de Aquino Santos

É diretor de Fiscalização do Banco Central desde 2023. Santos participou de reuniões com Daniel Vorcaro e teria recomendado a compra de carteiras do banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). 

Alexandre de Moraes

O Master contratou o escritório de advocacia da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, por R$ 129 milhões, para atuar na defesa da instituição. E segundo o site Metrópoles, Moraes esteve ao menos duas vezes na mansão de Daniel Vorcaro, controlador do banco, onde bebeu vinhos caros e fumou charutos. Moraes nega os encontros.

Augusto Ferreira Lima

Foi ex-CEO e sócio de Vorcaro. O empresário baiano deixou o Master em 2024 para assumir o Banco Voiter. Ele foi preso na primeira fase da operação sob suspeita de estruturar os instrumentos financeiros usados para captar recursos de forma ilícita e inflar o patrimônio do grupo.

Banco Central do Brasil (BC)

A autarquia federal, autoridade monetária do país, decretou em novembro de 2025 a liquidação extrajudicial do Banco Master devido a “graves violações” às normas financeiras.

Banco Master

A instituição financeira está no centro de um dos maiores escândalos bancários do Brasil em todos os tempos. O banco foi alvo da Operação Compliance Zero e teve a liquidação extrajudicial decretada, sob a suspeita de emissão de títulos sem lastro e irregularidades contábeis que geraram perdas bilionárias.

BRB (Banco de Brasília)

O banco público do DF negociou a compra do Master e recebeu carteiras de crédito inflacionadas, consideradas “podres”. A aquisição, entretanto, foi barrada pelo Banco Central. A operação levantou suspeitas e é investigada pela Polícia Federal. 

Barco de Papel

A operação da Polícia Federal, relacionada ao Caso Master, investiga a criação e circulação de papéis financeiros sem lastro real, usados para inflar ativos e simular solvência de bancos. 

Carbono Oculto

É uma frente de investigação da Receita Federal do Brasil e do Ministério Público do Estado de São Paulo que apura possíveis fraudes envolvendo créditos de carbono, com movimentações bilionárias ligadas à estrutura financeira investigada no Caso Master.

Ciro Nogueira

O presidente do PP atuou como uma das principais pontes de Daniel Vorcaro com os bastidores da política em Brasília. Nogueira participou da negociação de venda do Master para o BRB, que acabou vetada pelo BC. 

Compliance Zero

A operação da Polícia Federal investiga gestão fraudulenta, manipulação de balanços, lavagem de dinheiro e venda de carteiras de crédito fictícias ligadas ao Banco Master.

Crise de Liquidez

É quando uma empresa ou banco não tem dinheiro em caixa para pagar dívidas imediatas, mesmo possuindo patrimônio ou ativos. Foi a situação do Banco Master ao colapsar.

Daniel Vorcaro

O empresário é o presidente e principal controlador do Banco Master. Vorcaro é réu por suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e emissão de créditos fictícios. Foi preso ao tentar deixar o país em 2025 e solto mediante uso de tornozeleira eletrônica. 

Deivis Marcon Antunes

O executivo é citado nas investigações por sua atuação em empresas ligadas à engrenagem financeira do grupo. Seu nome aparece em operações sob suspeita de simular negócios e movimentações usadas para inflar balanços

Dias Toffoli

O ministro do Supremo Tribunal Federal assumiu a relatoria do caso após pedido da defesa de Vorcaro. A condução de Toffoli abriu suspeitas por vínculos com pessoas ligadas ao banco. Dias antes de assumir a relatoria, o ministro Toffoli viajou em um jato particular ao lado de um dos advogados de um diretor do Master. Além disso, o Tayayá Resort, que teve irmãos do ministro no grupo de controladores e era frequentado por ele, teve parte vendida a fundos ligados ao Banco Master. 

Fabiano Zettel

É pastor, advogado e empresário, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Zettel é alvo da Polícia Federal sob suspeita de envolvimento indireto em movimentações financeiras ligadas ao esquema investigado. 

FGC (Fundo Garantidor de Créditos)

É uma entidade privada criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra de bancos ou financeiras. Foi acionada para pagar os credores do Banco Master e do Will Bank após o colapso.

Fraude

O escândalo do Banco Master detonou um rombo de cerca de R$ 40,6 Bilhões, valor estimado de aplicações a serem ressarcidas pelo FGC após o colapso da estimativa. O banco, segundo a investigação da PF, repassou ainda R$ 12 bilhões em créditos falsos ao BRB.  

Fundo Leal

O fundo de investimento integra a rede de veículos financeiros usados para receber e redistribuir recursos ligados ao banco Master. A instituição apareceu nas apurações como parte da engrenagem que ajudava a dar aparência regular a operações suspeitas.

Ibaneis Rocha

Governador do Distrito Federal, filiado ao MDB, Rocha é o controlador político do BRB e negociou com Daniel Vorcaro a compra do Master, que acabou impedida pelo Banco Central.

Influenciadores

Perfis e figuras públicas foram procurados para defender o Master e criticar o Banco Central nas redes sociais. A PF abriu inquérito sobre a campanha coordenada, com contratos milionários, apelidada de “Projeto DV”.

Janaína Palazzo

É a delegada à frente do caso. Palazzo conduziu os principais depoimentos e foi dela também o pedido inicial de prisão de Daniel Vorcaro.

Jhonatan de Jesus

É o relator do Caso Master no Tribunal de Contas da União e ex-deputado federal, com atuação ligada ao Centrão. O ministro determinou uma inspeção no Banco Central para apurar possíveis falhas na supervisão da autoridade monetária. A medida, porém, foi revista após forte reação pública e institucional.

Igreja Lagoinha

Uma das maiores igrejas do país aparece no contexto do caso Banco Master porque há menções a operações financeiras e relações institucionais envolvendo integrantes ligados à Lagoinha. Daniel Vorcaro, pivô do escândalo, tinha um programa na TV da Lagoinha e Fabiano Zettel é pastor da igreja.

Luiz Inácio Lula da Silva

O presidente do Brasil teria se reunido no Palácio do Planalto com Daniel Vorcaro, fora da agenda oficial, em dezembro de 2024, antes da liquidação do banco Master. O encontro foi noticiado pelo portal Metrópoles e confirmado por CNN, Valor, Uol, Folha de S. Paulo e a rádio Band News, sem ter sido negado pelos envolvidos. 

Michel Temer

O ex-presidente do Brasil atuou como negociador para destravar o negócio do banco Master com o BRB, operação que acabaria vetada pelo BC. 

Nelson Tanure

O empresário surge como possível interessado em assumir ativos ligados ao grupo Master após a liquidação. Seu nome está em negociações e articulações de bastidores envolvendo a reestruturação de negócios afetados pelo colapso do banco.

João Carlos Mansur

O advogado aparece como operador jurídico em negociações sensíveis ligadas ao grupo. Mansur seria uma peça técnica na engrenagem do esquema investigado.

Paulo Henrique Costa

Foi o presidente do BRB até o final de 2025. Acabou demitido do cargo por decisão judicial após a deflagração da Operação Compliance Zero. É investigado pela tentativa de compra de ativos do Master pelo BRB, operação que o Banco Central considerou temerária e sem fundamento econômico sólido.

Reag Investimentos

A gestora também foi atingida por liquidação. Foi citada em esquemas de triangulação de recursos com o Banco Master para inflar balanços.

Ricardo Lewandowski

O ex-ministro da Justiça recebeu R$ 5 milhões do Banco Master para prestação de serviços de consultoria jurídica. O contrato com o escritório de Lewandowski foi mantido mesmo depois que ele assumiu o cargo de ministro, em fevereiro de 2024.

Roberto Campos Neto

O ex-presidente do Banco Central aparece em relatos sobre reuniões emergenciais com Vorcaro em 2024, quando se buscava lidar com problemas de liquidez do banco. De acordo com o Estado de S. Paulo, Campos Neto teria evitado tomar medidas extremas contra a instituição, mesmo sabendo de seus problemas.  

Tayayá

É o resort de luxo no Paraná ligado a fundos associados ao caso Master. Se tornou símbolo de possíveis conflitos de interesse, pois os irmãos de Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos, dividiram o controle do resort com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada por Daniel Vorcaro.

Will Bank

Banco digital que também entrou no radar do Caso Master por ter sido afetado pela mesma rede de operações financeiras. Parte de seus clientes e aplicações passou a depender do FGC após o colapso.

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