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Bitcoin: uma moeda para preservar a privacidade e a liberdade individual

Criptomoedas
Bitcoin: uma moeda para preservar a privacidade e a liberdade individual (Foto: Pixabay)

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O dinheiro como o conhecemos está mudando de pele: de um lado, criptomoedas como Bitcoin e Ethereum; do outro, stablecoins como Tether e USDC, até as moedas digitais dos bancos centrais, como o e-yuan e, no futuro, o euro digital que o BCE se prepara para emitir até 2029. Em comum, o fato de se tratar de dinheiro digital e, portanto, imaterial, que “circula” em arquiteturas denominadas blockchain. Mas com uma diferença fundamental, em termos de privacidade e liberdade.

A tecnologia na qual se baseiam as criptomoedas, a chamada blockchain, prevê a distribuição das informações relativas a cada troca em uma miríade de “nós” descentralizados: o termo técnico é DLT, Distributed Ledger Technology. Fala-se, a esse respeito, de “DeFi”, ou seja, Decentralized Finance, finança descentralizada: isso torna a “corrente” segura, inatacável por hackers, oferecendo ao mesmo tempo uma tutela completa da privacidade porque as informações são criptografadas. A progressão da oferta de uma criptomoeda, além disso, não é manipulável a bel-prazer por ninguém. Essas vantagens vão compensar o risco ligado à imaterialidade da divisa digital.

A expansão do Bitcoin, que é a criptomoeda mais conhecida, está ligada a um incremento segundo uma série geométrica – com um halving (divisão pela metade) a cada 4 anos (o último ocorreu na primavera de 2024) – que tende a um montante máximo predefinido de 21 milhões de unidades. Até hoje foram extraídas cerca de 20 milhões de unidades, equivalentes a 95% do total. O limite máximo fixado ex-ante a torna atraente para uma aposta na alta do valor ao longo do tempo: ou seja, não é inflacionável, ao contrário do dinheiro legal, denominado justamente fiat porque criado ex-nihilo pelos bancos centrais sem limites predefinidos, considerado legal tender, isto é, de curso forçado por imposição pública, com o dever, portanto, dos credores de aceitá-lo nos pagamentos e dos contribuintes de usá-lo para pagar os impostos. O dinheiro legal é depois “multiplicado” quase ad libitum pelos bancos comerciais a reserva fracionária, que o injetam nos circuitos como moeda escritural. Um processo, portanto, estruturalmente inflacionista, que desvaloriza o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo.

Desde a sua introdução próximo de zero em janeiro de 2009, o Bitcoin permaneceu abaixo da cotação de US$ 1.000 por unidade até a primavera de 2017, para depois explodir, atingindo um máximo próximo de US$ 70 mil no final de 2021; as cotações depois desabaram para cerca de US$ 16 mil no final de 2022, para então retomar a subida de forma impetuosa, registrando um máximo histórico próximo de 126 mil dólares em outubro de 2025. E depois, em correspondência com o salto do ouro, da prata e dos outros metais preciosos e industriais, as cotações do Bitcoin se reduziram à metade, colapsando para cerca de 60 mil dólares no início de março, para depois se consolidar abaixo de 70 mil dólares. A capitalização do Bitcoin é de cerca de US$ 1,3 trilhões, em níveis significativos, embora marginais em relação à liquidez global em dinheiro fiat, superior a US$ 100 trilhões.

O andamento extremamente volátil das cotações, embora tendencialmente em forte alta, torna o Bitcoin ainda pouco adequado para assumir o papel de reserva de valor e, consequentemente, de unidade de conta, que são duas funções típicas do dinheiro. Isso não impede, no entanto, o seu uso como meio de troca, obviamente em base voluntária entre sujeitos privados, uma vez que não se trata de dinheiro legal e, portanto, não pode ser utilizado para extinguir dívidas ou pagar impostos. A função de troca, porém, é aquela essencial para considerar um bem como dinheiro, como bem evidenciado pelo economista Carl Menger (1840-1921), fundador da Escola Austríaca de Economia. O dinheiro, explica Menger, nasce historicamente como um processo de seleção espontânea de algumas commodities particularmente apreciadas nas várias comunidades humanas: do sal às conchas, do gado aos metais preciosos, dependendo dos lugares e dos tempos. Esses bens tornam-se com o tempo cada vez mais procurados e, portanto, acumulados, não apenas por suas características intrínsecas específicas, mas também, e sobretudo, para intermediar, em caso de necessidade, a compra e venda de todos os outros bens e serviços possíveis.

O dinheiro nasce, portanto, como um meio que surge espontaneamente de baixo, na interação cotidiana dos privados, e não como uma imposição política, ainda que bem cedo os Estados assumam o seu controle monopolístico. O Bitcoin e as outras criptomoedas repropõem esse processo em chave moderna, configurando-se como uma espécie de ouro digital. Até hoje, infelizmente, o Bitcoin não conseguiu decolar como meio de pagamento e permaneceu uma espécie de aposta, uma atividade financeira sui generis, confinada, portanto, a um restrito círculo de “amadores”. É uma pena, porque tecnicamente poderia tornar-se um meio de pagamento alternativo, ao menos em pequena parte, em relação ao dinheiro fiat gerido politicamente, garantindo maior privacidade e liberdade.

Em conclusão, ou o Bitcoin se torna realmente dinheiro, isto é, um meio universal de troca, ainda que trocado em base voluntária entre privados; ou então está destinado a permanecer uma aposta financeira de nicho, reservada a traders e investidores. Sem cumprir, porém, o objetivo para o qual nasceu: sair da Matrix do dinheiro fiat, estruturalmente inflacionista e condenado a perder sistematicamente poder de compra ao longo do tempo, como é experiência comum de todos nós.

Nos últimos anos assistimos, em todos os campos, ha uma tendência evidente rumo a uma centralização e controle cada vez maiores, explorando habilmente toda crise – real, presumida ou instrumentalizada – como um álibi, uma exceção para impor agendas de cunho tecnocrático. Tudo o que é descentralizado e impossível de controlar e manipular de cima, como o Bitcoin, deve portanto ser considerado como um instrumento de proteção da liberdade, da privacidade e da autonomia pessoal e familiar.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italianoBitcoin, una moneta per preservare la privacy e la libertà personale

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