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Finalista

Católico, técnico da Espanha na Copa do Mundo encontra força na oração

Luis de la Fuente dirige a Espanha durante partida contra a Áustria na Copa do Mundo.
Luis de la Fuente durante partida contra a Áustria na Copa do Mundo. (Foto: EFE/Lavandeira Jr)

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Enquanto a seleção da Espanha disputa os momentos decisivos da Copa do Mundo de 2026, um aspecto da personalidade de Luis de la Fuente, de 65 anos, tem despertado tanta atenção quanto seu trabalho à frente da equipe: a naturalidade com que fala sobre a própria fé. 

Em um ambiente esportivo onde manifestações religiosas costumam ser discretas, o treinador espanhol faz questão de afirmar que é católico praticante e que a oração é parte inseparável de sua vida, independentemente de títulos, derrotas ou competições.

Em entrevista coletiva concedida em 14 de julho de 2026, no Dallas Stadium, em Arlington (Texas), na véspera da semifinal contra a França, De la Fuente foi questionado sobre suas convicções religiosas. A resposta resumiu a maneira como enxerga a relação entre fé e futebol.

“Rezo todos os dias, mas não porque esteja disputando uma Copa do Mundo nem porque queira conseguir um resultado", afirmou. "Dou graças todos os dias. Todos os dias acordo bem, olho para mim mesmo e digo: 'Mais um dia para aproveitar a vida'. Agradeço por essas pequenas coisas. Rezo porque rezo todos os dias, não para que Deus me ajude mais." 

De la Fuente ressaltou que sua oração não é por uma vitória, pois, segundo ele, seria injusto pedir que Deus o ajudasse e não ajudasse o adversário.

"Peço outras coisas: saúde, acima de tudo. Quanto ao resto, peço que me deem oportunidades para continuar lutando. É isso que eu quero. Com saúde, não tenho problema nenhum em lutar. Sou um guerreiro e luto contra tudo. Se não tivesse saúde, aí sim haveria um problema”, pontuou.

Das vinhas de Haro ao futebol profissional

Luis de la Fuente Castillo nasceu em 21 de junho de 1961, em Haro, na comunidade autônoma de La Rioja, no norte da Espanha. A região abriga a DOCa (Denominación de Origen Calificada) Rioja, uma das mais tradicionais e prestigiadas áreas produtoras de vinho do mundo.

Ele era o caçula de uma família de cinco irmãos, filho de Alberto, marinheiro mercante, e de Berta Castillo, proprietária de uma tradicional mercearia na Plaza de la Paz, no centro de Haro.

A profissão do pai marcou profundamente sua infância. Alberto passava cerca de 11 meses por ano embarcado e, em alguns períodos, chegou a permanecer até 17 meses consecutivos longe de casa. 

Em entrevista concedida à revista espanhola Lecturas, na sexta-feira (17), De la Fuente afirmou que essa longa ausência ajudou a moldar seu caráter, tornando-o mais independente desde cedo.

Apesar da distância física, foi Alberto quem despertou no filho a paixão pelo Athletic Club. Natural de Bilbao e torcedor apaixonado da equipe basca, levava De la Fuente ao estádio San Mamés sempre que estava em terra.

O treinador costuma afirmar que dificilmente teria vestido a camisa do Athletic sem a influência do pai, já que o vínculo familiar com Bilbao foi determinante para seu ingresso nas categorias de base do clube.

Ainda adolescente, De la Fuente ingressou nas categorias de base do Athletic Club. Como lateral-esquerdo, integrou a equipe que conquistou os Campeonatos Espanhóis das temporadas 1982-83 e 1983-84, a Copa do Rei de 1983-84 e a Supercopa da Espanha de 1984. Posteriormente, defendeu Sevilla e Alavés, onde encerrou a carreira profissional em 1994. 

Depois de encerrar a carreira como jogador, De la Fuente iniciou a trajetória como treinador nas categorias de base do Athletic Club. Em 2013, assumiu a seleção espanhola sub-19 e, posteriormente, comandou as equipes sub-21 e olímpica antes de ser escolhido pela Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) para dirigir a seleção principal, em dezembro de 2022. 

Sob seu comando, a Espanha conquistou o Campeonato Europeu Sub-19 da UEFA de 2015, o Europeu Sub-21 de 2019, a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, a Liga das Nações da UEFA de 2023 e a Eurocopa de 2024. 

Na entrevista coletiva concedida na véspera da semifinal da Copa do Mundo de 2026, De la Fuente emocionou-se ao recordar os pais, já falecidos, e afirmou que gostaria que eles estivessem ali para compartilhar aquele momento. 

Uma fé herdada na infância e escolhida na vida adulta

Embora tenha crescido em uma família católica, De la Fuente afirma que sua adesão à fé não foi apenas consequência da educação recebida.

Em entrevista publicada pela Revista Ecclesia, em 8 de março de 2025, o treinador contou que viveu períodos de questionamento antes de assumir conscientemente a fé.

"Venho de uma família católica, mas fui eu quem escolheu ser católico por convicção. Tive meus momentos de dúvida, como todos. Viver minha fé com coerência me dá paz. Minha fé me ajuda e me dá tranquilidade na hora de tomar decisões”, relatou.

"Sem Deus, a vida não teria sentido"

Muito antes da Copa do Mundo, De la Fuente já falava publicamente sobre espiritualidade.

Em novembro de 2023, durante entrevista ao jornal espanhol El Mundo, De la Fuente definiu a fé e o futebol como "os motores” da sua vida. Na mesma entrevista, disse que acredita em Deus porque, "sem isso, a vida não teria sentido". 

Em outra entrevista, concedida ao programa La Plaza del Pueblo, do El Resurgir de Madrid, e divulgada em 5 de julho de 2026, De la Fuente voltou a falar sobre a importância da fé em sua vida. 

"Sou católico. Minha fé me dá muita força, muita segurança e me permitiu ser a pessoa que sou hoje", afirmou. Na mesma conversa, disse que viver a fé em público é um exercício de liberdade.

Trabalho, não superstição

No universo do futebol, onde amuletos e rituais são frequentes, De la Fuente procura fazer uma distinção clara entre fé e superstição.

O sinal da cruz que costuma fazer antes das partidas, explica, não representa qualquer tentativa de influenciar o resultado. É apenas uma manifestação espontânea de sua crença.

Na entrevista concedida em Dallas, insistiu que Deus não escolhe vencedores. O sucesso esportivo, afirmou, depende do trabalho realizado durante toda a preparação.

Em entrevista concedida ao jornal El Español, em março de 2025, De la Fuente defendeu o direito de os cristãos manifestarem publicamente sua fé e afirmou que os católicos também devem ser respeitados por suas convicções religiosas. 

O treinador disse compreender quem não acredita em Deus, mas observou que muitas pessoas compartilham das mesmas crenças que ele e evitam demonstrá-las por receio de críticas.

"Há pessoas com as mesmas inquietações religiosas que eu, mas, por medo, não se atrevem a exteriorizá-las. Não renuncio à minha fé nem aos meus princípios. Só peço que, como católico, eu seja respeitado", afirmou.

As devoções que o acompanham

A espiritualidade de De la Fuente também está ligada a devoções tradicionais da Igreja na Espanha.

O treinador é devoto do Cristo de la Expiración de Sevilla, conhecido popularmente como El Cachorro, uma das imagens mais veneradas da Semana Santa de Sevilha.

Também mantém devoção especial à Virgen de la Vega, padroeira de Haro, cidade onde nasceu.

Um testemunho que ultrapassou o esporte

Nos últimos anos, as manifestações públicas de De la Fuente repercutiram para além do futebol.

O treinador relatou ao El Español que passou a ser frequentemente abordado por pessoas nas ruas que agradecem por falar de Deus de maneira simples e natural.

As manifestações públicas de De la Fuente também repercutiram no meio católico espanhol. A entrevista em que o treinador falou sobre sua fé foi destacada por veículos ligados à Igreja, que ressaltaram seu testemunho pessoal e sua defesa de uma vivência religiosa marcada pela liberdade.

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