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Para os Estados Unidos, a boa notícia de agosto é a queda acentuada na taxa de crimes violentos. O último relatório do FBI confirma: o país registra a redução mais expressiva de crimes violentos desde que as estatísticas começaram a ser coletadas, ou seja, há 90 anos. A mão dura da presidência Trump tem relação com isso. Mas a causa principal é o declínio da ideologia woke, cada vez mais renegada inclusive pela esquerda política americana (e italiana).
O que o movimento woke tem a ver com o aumento da criminalidade? A relação é direta e indireta. Indiretamente: os Estados com governos mais progressistas, mais sensíveis à revolução cultural do novo século, foram os primeiros a fechar os cidadãos em casa no início da pandemia de Covid-19 e os últimos a reabrir. O fechamento das escolas, em particular, empurrou muitos jovens para as ruas e bastaram poucos meses para que os piores hábitos se espalhassem — entre eles, um aumento sem precedentes nos crimes violentos. Em média, as cidades americanas registraram um incremento de 30% na taxa de homicídios. Um terço a mais de assassinados, um cenário assustador.
A ideologia woke tem algo a ver com os lockdowns? É tanto causa quanto consequência. Causa porque, no pensamento progressista, as medidas restritivas antipandêmicas eram uma "oportunidade" para refundar a sociedade sobre bases coletivistas. Veja-se, também na Itália, os argumentos usados pelo então ministro Speranza: Covid e lockdown como uma oportunidade para a esquerda "reconstruir uma hegemonia cultural". Mas a ideologia woke também é consequência do trabalho e do estudo em casa: uma pessoa comum nunca tinha passado tanto tempo diante de uma tela e nunca teve tantas ocasiões para radicalizar seu pensamento através dos conteúdos que consumia nas redes sociais.
Por fim, a ideologia woke foi responsável pelo aumento de homicídios também de forma direta, por causa da campanha ideológica para desfinanciar a polícia. Após a morte de George Floyd, um negro, por policiais de Minneapolis, a reação dos governantes de esquerda, a começar pela própria administração de Minneapolis, foi a de desmantelar ao máximo a estrutura de segurança e retirar o máximo de fundos possível das forças policiais. As corporações policiais não apenas foram enfraquecidas, mas sua presença no território diminuiu. Sem chegar aos excessos dos municípios que descriminalizaram furtos de até 100 dólares em mercadorias roubadas, em todas as cidades americanas a polícia ficou de mãos atadas: menos patrulhas, menos policiamento ostensivo, menos bloqueios viários. E muito mais desmoralização: menos engajamento de novos recrutas e também menos disposição para agir em um ambiente político muito mais hostil.
Bandeiras políticas com propostas maximalistas, como abolir presídios, abolir a polícia e abolir fronteiras, saíram do nicho e se tornaram mainstream. A intenção era proteger os negros, os mais expostos à violência policial. No entanto, acabaram atingindo justamente as pessoas que pretendiam defender. Entre 2019 e 2020, a taxa de homicídios entre homens negros não hispânicos aumentou 39%, passando de 43,8 para 61,0 (por 100 mil homens negros na população). Para os homens brancos não hispânicos, o aumento foi de 22% (de 3,6 para 4,4 a cada 100 mil homens brancos). Como resultado, a proporção entre homicídios de homens negros e brancos saltou de 12:1 no ano imediatamente anterior à pandemia para cerca de 14:1 em 2020 e 2021.
A revolução woke falhou também — e sobretudo — por isso. Agora assistimos ao refluxo, inclusive em termos de ordem pública. A tendência já havia se invertido em 2023 e 2024, quando a taxa de homicídios e de crimes violentos em geral começou a cair rapidamente. Mas 2025, o primeiro ano da administração Trump, é o ano do recorde.
A taxa de homicídios caiu 18,1%, fixando-se em 4,1 por 100 mil habitantes e igualando os níveis de 1955 e 1956 — os mais baixos já registrados desde o início das estimativas nacionais. E a queda não parou: uma análise da agência de notícias Axios mostra que os crimes violentos nas grandes cidades voltaram a diminuir na primeira metade de 2026. As taxas de criminalidade violenta em diversas categorias também registraram reduções significativas na comparação anual em todo o país: segundo o relatório do FBI publicado em agosto, as agressões graves diminuíram 7,2%, os estupros 7,6% e os roubos 18,5%. Em outras categorias, os furtos de veículos caíram 22,7% em 2025 e os arrombamentos residenciais/comerciais caíram 15,8%. O relatório destacou ainda que os episódios denunciados de crimes de ódio caíram cerca de 7%.
Sociólogos americanos estão trabalhando para entender por que a violência diminuiu e apontam diversas causas de longo prazo: menor consumo de bebidas alcoólicas, menor uso de drogas, um rápido envelhecimento da população e o retorno definitivo à normalidade após as condições anômalas de trabalho e estudo do período pandêmico.
Contudo, não se podem negar as causas políticas que determinam uma mudança de curto e pouquíssimo prazo. Em primeiro lugar, melhoraram os meios à disposição das forças de segurança: os departamentos de polícia estão utilizando cada vez mais ferramentas de inteligência artificial, análises preditivas e plataformas como a Gotham, da Palantir, para distribuir suas forças e identificar áreas de risco. Desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025, a administração Trump adotou uma abordagem intransigente em matéria de segurança pública. Esses esforços incluíram grandes operações de combate à imigração ilegal em cidades por todo o país, além do desdobramento da Guarda Nacional em apoio à polícia, inclusive na própria capital. Menos políticas woke: menos crimes.
© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: Usa: meno woke, meno crimini. Gli effetti benefici del riflusso



