Publicidade
Para entender

Como a Cacique Cobra Coral se tornou consultora climática de governos?

A entidade Cacique Cobra Coral afirma controlar fenômenos climáticos por meio de uma médium e criou, ao longo de décadas, uma rede de relações com governos, políticos e empresas (Foto: Imagem criada com a IA do Google/Gazeta do Povo)

Ouça este conteúdo

A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) construiu, ao longo de décadas, uma rede de influência mística e política no Brasil e no exterior. Liderada pela médium Adelaide Scritori, a entidade afirma controlar fenômenos naturais e mantém, desde os anos 80, parcerias com prefeituras e ministérios para evitar tragédias climáticas, unindo crenças espirituais a um modelo de negócios privado.

Quem é a entidade Cacique Cobra Coral e qual o seu poder?

Segundo a crença da fundação, o Cacique Cobra Coral é um espírito que já teria reencarnado em personalidades como Galileu Galilei e Abraham Lincoln. Por meio da médium Adelaide Scritori, a entidade afirma ser capaz de manipular o clima, como desviar tempestades, dissipar frentes frias ou atrair chuva para áreas de seca. No entanto, para que o 'trabalho espiritual' funcione, a fundação exige que os governantes façam a sua parte, investindo em obras de infraestrutura e preservação ambiental.

Como funciona o modelo de negócios por trás da fundação?

Embora os convênios com governos sejam apresentados como gratuitos, a estrutura é sustentada pela Corporação Tunikito. Trata-se de um conglomerado empresarial gerido por Osmar Santos, marido da médium, que vende produtos como seguros de vida e serviços meteorológicos técnicos para o setor privado. A exposição gerada pelas parcerias com o setor público funciona como uma vitrine, atraindo clientes para as empresas do grupo que lucram com produtos comerciais.

Quais governos já utilizaram os serviços da fundação?

A relação mais longa foi com a prefeitura do Rio de Janeiro, iniciada nos anos 90. Houve também convênios documentados com o governo de Santa Catarina em 1985 e com o Ministério de Minas e Energia em 1986 para monitorar reservatórios de hidrelétricas. Recentemente, a fundação ganhou destaque ao suspender 'assistência' à Argentina e aos Estados Unidos como forma de retaliação política, embora algumas autoridades, como o ex-prefeito de São Paulo João Doria, tenham negado a existência de acordos oficiais.

Por que a atuação da fundação gera polêmica na administração pública?

A polêmica reside no fato de o Estado conferir legitimidade institucional a uma prática mística. Ao registrar parcerias em Diários Oficiais e agendas governamentais, governos criam uma autoridade simbólica para a fundação. Especialistas apontam que o uso de médiuns como consultores técnicos em crises hídricas ou energéticas pode sinalizar uma falha no planejamento e na engenharia, substituindo a prevenção técnica por soluções baseadas em crenças espirituais.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.