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Para entender

Como a iniciativa privada impede o SUS de ficar obsoleto?

No SUS, dependência das parcerias com prestadores privados aumenta conforme a complexidade dos atendimentos. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

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O SUS enfrenta um cenário crítico de subfinanciamento e dependência do setor privado para atendimentos de alta complexidade em 2026. Com um orçamento que equivale a quase R$ 4 diários por brasileiro, o sistema público recorre a parcerias para garantir tratamentos tecnológicos e exames básicos.

Por que o SUS depende tanto de empresas e hospitais privados?

A dependência ocorre porque o governo não consegue suprir sozinho a demanda por tecnologias avançadas e tratamentos caros. Embora a Constituição de 1988 preveja que o setor privado atue de forma complementar, a falta de eficiência e de recursos públicos transformou o que deveria ser um suporte estratégico em uma necessidade básica para que o sistema continue funcionando e não pare no tempo.

Quanto custa o atendimento do sistema público para cada brasileiro?

Atualmente, o orçamento federal destinado à saúde para 2026 é de R$ 255 bilhões. Na ponta do lápis, considerando a população total, esse montante representa um investimento de aproximadamente R$ 3,83 por dia para cada cidadão. Especialistas apontam que as pessoas muitas vezes acreditam que o serviço é gratuito, mas ele é custeado pelos impostos e mantém um valor por pessoa considerado baixo para cobrir toda a complexidade médica necessária.

O que a Constituição diz sobre a participação privada na saúde pública?

A lei máxima do Brasil estabelece que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, mas permite que as ações sejam executadas diretamente ou por meio de terceiros. O texto constitucional autoriza instituições privadas a participarem do SUS de forma complementar, seguindo as regras do setor público. O problema atual é que essa linha entre o que é público e o que é privado ficou embaçada devido à extrema necessidade de socorro financeiro e técnico.

Como a falta de recursos afeta diretamente os pacientes com câncer?

A situação é angustiante para quem depende de diagnósticos. Embora existam leis que exijam exames em 30 dias e início de tratamento em 60 dias, a realidade mostra filas que superam seis meses apenas para o resultado de uma biópsia. Essa demora é o que torna os prestadores privados essenciais, pois eles possuem a estrutura que falta na rede pública para realizar exames de imagem e cirurgias especializadas com rapidez.

Qual é a nova tecnologia que está chegando para o tratamento oncológico?

Uma parceria recente foca na imunoterapia, um tratamento moderno que usa o Pembrolizumabe para ajudar o próprio corpo a combater o câncer. O acordo prevê a transferência da tecnologia de uma farmacêutica para o Instituto Butantan. Diferente da quimioterapia comum, essa técnica sinaliza as células tumorais para que o sistema de defesa do paciente as reconheça e ataque, gerando menos efeitos colaterais e aumentando as chances de sobrevivência.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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