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Para entender

Santo Agostinho ajuda a entender a atual crise na ordem internacional

O papa Leão XIV celebra missa no estádio Luís II, em Mônaco. (Foto: Sebastien Nogier/EFE/EPA)

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Em pronunciamentos recentes, o papa Leão XIV utilizou a obra clássica A Cidade de Deus para analisar a instabilidade geopolítica global. O pontífice alerta que o abandono do diálogo multilateral e o retorno das guerras de conquista sinalizam uma profunda mudança de época.

Qual é a principal lição que o papa tira da obra de Santo Agostinho?

O papa utiliza o conceito das 'duas cidades' — a de Deus, baseada no amor desinteressado, e a terrena, movida pelo orgulho e sede de poder. Ele explica que as instituições políticas são temporárias e que a queda de impérios, como ocorreu com Roma, é muitas vezes fruto do próprio orgulho e da busca incessante por glória e domínio, uma lição que serve para as nações modernas evitarem a autodestruição.

Por que o multilateralismo está em crise segundo a análise atual?

O multilateralismo é o sistema onde vários países se reúnem para resolver problemas comuns por meio de regras. Atualmente, esse modelo, criado após 1945 com a ONU, está sendo ignorado. A diplomacia do diálogo tem sido trocada pela diplomacia da força. Quando países ignoram fronteiras alheias e buscam impor sua vontade pelo poder militar, quebram-se os acordos que garantiram a paz mundial nas últimas décadas.

Como a confusão no significado das palavras afeta a paz mundial?

O papa alerta que vivemos um desafio linguístico. Quando as palavras perdem a conexão com a realidade — um fenômeno comum na polarização atual —, o diálogo torna-se impossível. Se o conceito de 'paz' ou 'objetivo militar' significa coisas diferentes para cada lado, os países tornam-se como estrangeiros que não falam a mesma língua, preferindo o isolamento ou o confronto em vez do consenso.

O que o pensamento agostiniano diz sobre o uso da religião na política?

O pensamento de Santo Agostinho rejeita a 'teocracia' ou o 'agostinismo político', que é quando se tenta usar a religião para validar o poder estatal absoluto. O cristianismo defende que as esferas de Deus e de César (o governo) devem ser separadas. Ignorar essa distinção leva à idolatria do Estado e ao erro de acreditar que uma ordem política terrena pode ser perfeita ou eterna.

Qual é o perigo de se buscar a paz apenas através das armas?

Buscar a paz mediante a força não é desejo de paz real, mas sim de domínio. Santo Agostinho já observava que quem faz a guerra quer apenas uma 'paz coberta de glória' sob suas próprias condições. O risco atual é a normalização do entusiasmo bélico e o desrespeito ao direito humanitário, tratando ataques a civis e hospitais como meros detalhes estratégicos, o que desumaniza as relações internacionais.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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