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Documento histórico

Como um jornal uruguaio noticiou a conquista da primeira Copa do Mundo

Time do Uruguai que venceu a primeira Copa do Mundo da história, em 1930.
Time do Uruguai que venceu a primeira Copa do Mundo da história, em 1930. (Foto: EFE)

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Em 8 de junho de 2030, a partida inaugural da Copa do Mundo de futebol será realizada no Estádio Centenário, em Montevidéu, em celebração aos 100 anos do torneio. Foi no Uruguai que 13 seleções disputaram, pela primeira vez, em 1930, um título mundial reconhecido pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Até então, o campeonato mais importante do esporte era realizado nas Olimpíadas, desde 1900.

A primeira final de Copa foi realizada em 30 de julho de 1930. O Estádio Centenário registrou a presença de 68.346 espectadores. A partida foi disputada com duas bolas diferentes, uma em cada tempo, segundo a preferência de cada um dos times, primeiro a dos argentinos. O tempo inicial terminou com o placar de 2 a 1 para a Argentina. Mas o placar final, 4 a 2, selou a primeira das duas conquistas uruguaias em Copas até hoje.

Naturalmente, a imprensa local louvou o feito, caracterizado como um terceiro título mundial, em referência às conquistas olímpicas anteriores, na França, em 1924, e na Holanda, em 1928. Quanto ao Brasil, perdeu a partida de estreia por 2 a 1, para a Iugoslávia, com Preguinho marcando o primeiro gol nacional na história da competição. Venceu o segundo jogo, 4 a 0 contra a Bolívia, e encerrou o torneio na sexta colocação.

Leia trechos da reportagem sobre o jogo publicada pelo jornal local El País em 31 de julho de 1930

“Por trás dos muros do Estádio Centenário. Lá dentro, a partir da uma da tarde, não se via uma alma viva. Setenta mil torcedores sortudos estavam presentes, dos cento e cinquenta mil que haviam solicitado seus ingressos.

A hora se aproximava. Grandes bandeiras uruguaias podiam ser vistas, juntamente com milhares de outras menores, agitadas nervosamente pelos uruguaios, que aguardavam ansiosamente a entrada dos campeões. Em vários setores do grandioso estádio, uma multidão de bandeiras argentinas de diferentes tamanhos nos fazia acreditar que metade de Buenos Aires estava ali.

Quando a bandeira nacional ascendeu ao mastro de honra, o apito do árbitro sinalizou o fim da luta titânica entre os dois gigantes. E com ela, selada pela vitória, selaram os méritos do Uruguai, este Uruguai, pequeno em extensão territorial, mas imensamente grande, por seus valores morais, pela força orgulhosa de sua raça, com seu sangue valente, como o verdadeiro sangue charrúa.”

Os campeões, os vitoriosos de Colombes, de Amsterdã e agora de Montevidéu, prestaram homenagem ao gigantesco esforço realizado: à imponente emoção que preencheu seus valentes corações e à extraordinária impressão causada pelos aplausos delirantes de toda a nação.

Pela terceira vez bebemos do cálice da glória! Mais uma vez, desde ontem, cada uruguaio é um ser transbordante de otimismo e alegria, um ser triunfante que ecoa pelo ar com seus gritos de vitória. É um homem diferente, mais ardente, mais jubiloso, transbordando de vida. Porque o triunfo de ontem provocou tamanha comoção em todos os aspectos da vida de nossa nação que ela permanecerá transformada por vários dias.

Escrevemos este artigo com a emoção patriótica do momento, com a alegria ilimitada do triunfo, cuja onda se espalhou pelo mundo, levando o nome do Uruguai em uma nota harmoniosa e doce. Ontem, todo o Uruguai, toda a América, vibraram de júbilo com o anúncio do triunfo; um triunfo para o Uruguai e um triunfo para a América, um triunfo para todas as nações que educam seus jovens nas atividades saudáveis ​​e nobres do esporte, que revigoram a raça, contribuindo para o cultivo das mais belas virtudes espirituais.

Fonte: Artigo acadêmico “El Mundial de 1930: Un análisis de la prensa uruguaya acerca del evento”.

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