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Convenção coletiva de trabalho. Foto: Unsplash.
Convenção coletiva de trabalho. Foto: Unsplash.| Foto:

Os Estados Unidos acabam de chegar à marca de 400 mil mortos pela Covid-19. E, segundo um estudo recente, pelos próximos quinze anos, os americanos podem esperar cerca de 890 mil óbitos decorrentes não mais da doença, mas do desemprego causado pelas medidas de isolamento social.

Desde o começo da pandemia do coronavírus, que levou nações do mundo inteiro a decretar bloqueios e quarentenas para restringir a circulação do SARS-CoV-2 e evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde, fala-se sobre o impacto econômico de curto e médio prazo destas decisões. Poucos estudos, no entanto, projetam o futuro além dos próximos anos.

Publicada no final de 2020, a pesquisa feita pelo National Bureau of Economic Research foi liderada pelos economistas Francesco Bianchi, da Universidade de Duke e Dongho Song, da Universidade John Hopkins; e pela médica Giada Bianchi, da Escola de Medicina de Harvard.

Divulgado no portal da organização, o estudo foi feito através do cruzamento de dados oficiais de desemprego, expectativa de vida e taxa de mortalidade. “Percebemos que choques de desemprego são seguidos por aumentos estatisticamente significativos nas taxas de mortalidade e declínios em expectativa de vida. Estimamos que este evento seja entre duas e cinco vezes maior do que os choques ‘típicos’, resultando em um aumento de 3% na taxa de mortalidade e uma queda de 0,5% na expectativa de vida dos americanos”.

Lockdown: faca de dois gumes

Os autores do estudo afirmam, inclusive, que os lockdowns podem, sim, ter ajudado a salvar vidas, mas não sem consequências a longo prazo. “A maioria dos artigos interessados na relação entre a pandemia e a atividade econômica argumentam, corretamente, que os bloqueios podem salvar vidas ao custo da redução da atividade econômica, mas não consideram a possibilidade de que graves dificuldades econômicas também possam ter consequências no bem-estar humano”, diz a pesquisa.

“Essa deficiência pode ser explicada pelo fato de que os modelos macroeconômicos atuais não permitem a possibilidade de que a atividade econômica possa afetar as taxas de mortalidade dos agentes econômicos”, explicam os pesquisadores.

Minorias prejudicadas

A pesquisa conta ainda com recortes de raça e gênero. "É importante ressaltar que as perdas de empregos relacionadas ao Covid-19 afetam desproporcionalmente as mulheres, particularmente as latinas; afro-americanos; estrangeiros; adultos com menor escolaridade e pessoas de 16 a 24 anos. Na verdade, a taxa de desemprego subestima a extensão da contração econômica, já que muitos trabalhadores potenciais abandonaram a força de trabalho (especialmente mulheres)", esclarecem os pesquisadores. Para cada 100 mil cidadãos, mostram, um adicional de 33 negros e 25 brancos podem morrer como resultado direto dos impactos econômicos decorrentes da Covid-19.

O documento aponta diversos estudos anteriores que demonstram como o desemprego, literalmente, deixa as pessoas doentes, bem como a intrínseca relação entre crescimento econômico e expectativa de vida. No ano passado, a taxa média de desemprego nos Estados Unidos chegou a 10%, um número comparável ao pico da crise financeira de 2008. Um mês após a decretação da pandemia, 23,1 milhões de americanos estavam desempregados.

No Brasil, a taxa de desemprego chegou a 14% em setembro do ano passado, um recorde registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele período, foram contabilizados 13,5 milhões de desempregados, cerca de 3,4 milhões a mais que em maio: uma alta de 33,1%.

Os autores do estudo americano afirmam que, por hora, na ausência de vacinas para toda a população, o uso contínuo de máscara, a higiene das mãos e a adoção de protocolos de distanciamento dentro de estabelecimentos são as melhores formas de combater o coronavírus.

“Grandes e consistentes investimentos governamentais para apoiar a força de trabalho atualmente desempregada e reduzir o desemprego serão tão importantes quanto os esforços massivos focados em limitar e, eventualmente, erradicar a transmissão", dizem os pesquisadores.

Nada impede, contudo, que os formuladores de políticas públicas tenham em mente a máxima do economista Frédéric Bastiat: "uma ação dá origem não a apenas um efeito, mas a todo um mar deles, alguns dos quais são visíveis, enquanto outros não são".

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