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Medicina

Novo microchip permite que pacientes cegos voltem a ler

O implante é direcionado a indivíduos com Atrofia Geográfica (AG).
O implante é direcionado a indivíduos com Atrofia Geográfica (AG). (Foto: Grégoire Hervé-Bazin | Unsplash)

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Pacientes cegos conseguiram voltar a ler após receberem um implante revolucionário de microchip nos olhos. O produto foi testado no hospital Moorfields Eye, em Londres, no fim do ano passado.

Em um experimento liderado pelo cirurgião oftalmológico do hospital inglês, Mahi Muqit, o implante foi inserido em cinco pacientes. À BBC, o médico afirmou que os resultados não só são “incríveis”, como a tecnologia usada no teste é “pioneira e transformadora".

Sheila Irvine, de 70 anos, que participou do experimento, afirmou que a sensação de poder ler é algo de “outro mundo”. “É lindo, maravilhoso. Me dá muito prazer”, disse também ao portal britânico.

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Para quais pacientes o implante ocular é direcionado?

O implante é direcionado a indivíduos com atrofia geográfica (AG), uma etapa avançada da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) – condição ocular que afeta a mácula, uma parte da retina responsável pela visão.

De acordo com a Retina Brasil, uma organização que atua na área da saúde ocular no Brasil, a DMRI é uma das principais doenças que culminam na perda da visão a partir dos 50 anos.

Pessoas com essa condição têm uma pequena área da retina gradualmente danificada, na parte posterior do olho. O resultado é uma visão turva ou distorcida. Além disso, cores e detalhes finos são frequentemente perdidos.

Como funciona o procedimento revolucionário com microchip?

Com o novo procedimento, é feita a inserção de um minúsculo microchip fotovoltaico quadrado, na retina, de 2 milímetros. A partir daí, os pacientes usam óculos com uma câmera embutida.

A câmera envia um sinal infravermelho com imagens de vídeo para o implante no olho. Assim, ele as transmite para um pequeno processador de bolso, onde são aprimoradas e se tornam mais nítidas. Através do implante e do nervo óptico, essas imagens chegam ao cérebro do paciente – que passa meses aprendendo a interpretar as imagens. Isso permite uma recuperação parcial da visão.

Implante ocular revolucionário, que está em estudo, faz pacientes voltarem a enxergar.Implante ocular revolucionário, que está em estudo, faz pacientes voltarem a enxergar.

"Este é o primeiro implante que conseguiu dar aos pacientes uma visão significativa que eles podem usar em sua vida diária, como para ler e escrever. Eu acho que este é um grande avanço", afirmou Muqit.

Quando o microchip pode chegar ao Brasil?

À Gazeta do Povo, o oftalmologista Sérgio Kandelman explicou que o avanço é importante. "Há algum tempo a tecnologia de microprocessadores tem se mostrado promissora para compensar a deficiência visual ocasionado pela interrupção da transmissão de sinais visuais entre a retina e córtex visual através do nervo óptico".

Questionado se ele acredita que microchip revolucionário pode chegar ao Brasil, ele afirmou que "as novidades tecnológicas de ponta na oftalmologia têm um potencial enorme de difusão planetária". O médico afirma que, apesar de terem um custo inicial considerado elevado, essas inovações não exigem grandes estruturas hospitalares ou cuidados de medicina intensiva. "Nesse sentido, grandes invenções oftalmológicas das últimas décadas comumente tem sido difundidas de forma ampla e relativamente democrática dentre as populações", completou Kandelman.

Caso de Sheila Irvine: estudo recuperou parte de sua visão

Sheila Irvine, que voltou a enxergar com o estudo do microchip, começou a perder a visão há mais de 30 anos. Agora, ela diz que consegue ler suas "correspondências, livros e fazer palavras cruzadas e Sudoku", diz.

"Estou muito feliz. A tecnologia está evoluindo tão rápido, é incrível que eu faça parte disso", disse em entrevista à BBC.

Devido à perda de células na retina, Sheila começou a perder a visão central há mais de três décadas e hoje descreve sua visão como se houvesse dois discos pretos em cada olho.

Mas, mesmo com o sucesso em conseguir ler com o novo dispositivo, Sheila ainda enfrenta limitações: ela não o utiliza quando está ao ar livre, porque ele exige um nível elevado de concentração – é preciso manter a cabeça bem firme para conseguir ler.

Além disso, Sheila afirma que não quer se tornar excessivamente dependente do aparelho. O implante ainda não foi licenciado e, portanto, não está no mercado, mas Mahi Muqit afirma que tem a expectativa de que seja liberado para uso "dentro de alguns anos".

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