Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE

cinema

“O Rei do Show” e a beleza do espírito empreendedor

Um filme imperdível para empreendedores e pessoas que têm sonhos grandes

  • Brittany Hunter Foundation for Economic Education
Cena do filme “O Rei do Show” | Divulgação
Cena do filme “O Rei do Show” Divulgação
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Adoro histórias sobre azarões que desafiam as previsões e provam que são mais fortes do que as pessoas imaginavam. Isso ajuda a explicar meu entusiasmo enorme pelo musical “O Rei do Show”. 

Mas esse filme contém muito mais que sua trama: uma história sobre párias da sociedade que alcançam o sucesso usando meios nada convencionais. Acima de tudo, “O Rei do Show” é uma homenagem à resiliência e força do espírito empreendedor. 

O filme conta a história de P.T. Barnum, o fundador do circo Ringling Brothers. Não sei muito sobre o P.T. Barnum da vida real, mas o personagem do filme, representado por Hugh Jackson, é o herói de quem quero falar. 

Você se torna mais do que poderia ser 

Nascido na pobreza, Barnum é um empregado humilde que trabalha para uma família rica e tem sonhos grandes. Sem família ou base de apoio, desde criança ele é obrigado a ser autossuficiente. E, por mais que o resto do mundo possa lhe tratar com crueldade, ele não se deixa afetar pelas opiniões e os atos de outros. 

Depois de flertar com a filha de seu patrão, Barnum leva um tapa na cara. Mas ele não desanima. Cercado de luxo que ultrapassa de longe sua própria condição de vida, ele tem um vislumbre de como poderia viver se superasse suas próprias circunstâncias de vida. E toma a decisão de realizar alguma coisa impressionante e grande. 

Na canção “A Million Dreams”, o jovem Barnum revela seu otimismo eterno, cantando: 

“Porque todas as noites, deitado na cama / minha cabeça se enche das cores mais fortes / um milhão de sonhos não me deixam dormir / penso no mundo que pode virar realidade / a visão do mundo que enxergo / um milhão de sonhos, é só disso que vou precisar / um milhão de sonhos para o mundo que vamos criar.” 

Mas em vez de apenas ficar repisando fantasias e sonhos, Barnum converte seu sonho em realidade. Ele cresce, se casa com a mesma garota com quem tinha flertado anos antes e por quem tinha sido estapeado, e tem empregos diversos em fábricas. Demitido, ele decide que já chega e sai em busca de sua verdadeira vocação. Como todo empreendedor entende, partir sozinho para realizar seu sonho incorre riscos, e Barnum enfrenta vários. Mas altos riscos muitas vezes trazem grandes recompensas. 

Barnum gasta tudo que possui para comprar um edifício e convertê-lo em seu “Museu Americano”. O empreendimento fracassa. Os únicos ingressos que ele vende são para sua mulher e suas duas filhas. Então, como bom empreendedor, Barnum volta à prancheta para tentar decifrar o que as pessoas realmente querem. 

O mais admirável nesta parte de sua vida é como ele se dedica a trabalhar duro. As histórias sobre sonhadores muitas vezes dão ênfase excessiva aos sonhos propriamente ditos e não ao que é preciso fazer para que eles virem realidade. 

Na canção “Come Alive” vemos Barnum trabalhando incansavelmente para concretizar seus sonhos e refletindo sobre o fato de poder concretizar seus sonhos por meio do trabalho. Ele canta “e o mundo vira uma fantasia, e você vira mais do que poderia ser, porque está sonhando com os olhos abertos”. 

O mercado é o grande nivelador 

Barnum sonha em criar algo extraordinário, algo que o mundo nunca viu. Mas percebe que, para isso, não pode apenas imitar o que já foi feito antes. Ele resolve fazer algo mais ousado. Com isso, acaba acrescentando valor ao mundo de maneiras que nunca havia imaginado. 

O mercado é o grande nivelador, fato que este filme mostra muito bem. O museu original de Barnum destacava as maravilhas espetaculares e inacreditáveis do mundo. Infelizmente, nenhuma dessas raridades era verdadeira. Seu museu original continha réplicas baratas de sereias e outros fenômenos míticos. Os consumidores não se interessaram. Mas a falta de clientela levou Barnum a partir em busca de atrações humanas reais e raras. 

Lettie Lutz, que ficaria conhecida como a “mulher barbada”, estava resignada a uma vida de humilhações e isolamento. Ela ganhava a vida como lavadeira e não tinha outra aspiração senão passar despercebida. Até conhecer P.T. Barnum. 

Depois de ter postado placas pedindo atrações raras e exóticas para sua produção, Barnum topou com Lettie e se surpreendeu com seu dom vocal. Ele a convidou para entrar para seu espetáculo, como cantora. 

O entusiasmo de Barnum por seu projeto era contagiante, e Lutz aceitou o convite. Entusiasmado depois de encontrar Lutz, Barnum redobra seus esforços para montar o maior espetáculo do mundo. 

Ele reúne um elenco de outros chamados “freaks de circo”, desde um homem incrivelmente alto até outro incrivelmente tatuado, passando por uma dupla de trapezistas que desafiam a morte com seu número. Seu bando de marginalizados prova que essas pessoas merecem fazer parte da sociedade, e mais, que têm valor para acrescentar ao mundo através do entretenimento. É então que a produção de Barnum começa a decolar de fato. 

Como Barnum havia previsto, as plateias ficaram chocadas e interessadas em ver indivíduos tão singulares se apresentando em público sem esconder nada. Em 1850, a época em que o filme é ambientado, ser diferente não era algo festejado. Quem não se enquadrasse nas categorias sociais prescritas era marginalizado. Era simples assim. Mas, pelo fato de oferecerem algo que os consumidores desejavam, esses artistas nada convencionais aproveitaram seus supostos “defeitos” e os converteram em um produto para o qual havia muita procura no mercado. 

Esses artistas pobres puderam ganhar muito mais do que haviam imaginado ser possível. Ao mesmo tempo, formaram uma espécie de família e encontraram aceitação e paz interior. 

Muitos desses artistas eram rejeitados, até por suas próprias famílias, por serem diferentes. Mas Barnum lhes ofereceu o senso de pertencimento e camaradagem que eles tinham procurado desde sempre. Na canção “This is Me”, Lutz canta a aceitação, dizendo que está de bem com quem é, apesar do que as pessoas talvez digam. Ela criou valor, e, com isso, conquistou nova autoestima. 

“Quando as palavras mais duras querem me derrubar / vou enviar uma enchente para afogar todas / Sou corajosa, estou machucada / Eu sou quem eu deveria ser, esta sou eu / Se cuide porque estou chegando / e estou marchando ao ritmo do meu próprio tambor / Não tenho medo de ser vista / e não estou pedindo desculpas a ninguém. Esta sou eu.” 

 Críticos de cinemas se apressaram a condenar esse aspecto do filme, dizendo tratar-se de exploração, já que Barnum lucrou com seus artistas-raridades. Mas cada membro do circo dele estava ali porque queria. A participação voluntária não é exploração, especialmente considerando que os artistas puderam melhorar seu padrão de vida e seu bem-estar emocional. 

Reapresentando a narrativa 

No seriado “Mad Men”, da AMC, o personagem principal, o publicitário Don Draper, diz algo que fica famoso: “Se você não gosta do que está sendo dito, mude o rumo da conversa”. Barnum coloca esse tipo de conselho em prática. 

Um crítico de cinema famoso, arrogante e intelectual assiste a uma das apresentações de Barnum e escreve uma crítica especialmente destrutiva. Ele chega a descrever o espetáculo como um “circo” – palavra que, na época, significava “uma cena pública de atividade frenética, barulhenta e intrusiva” – (ou seja, não era exatamente um elogio) e diz que ela não é digna de ser visto por plateias de alta classe. Mas Barnum não se deixou desanimar. 

Em vez disso, mudou o nome de seu espetáculo – “O Grande Museu Itinerante, Coleção de Animais, Caravana e Hipódromo de P.T. Barnum” – para incluir a palavra “circo”, criando uma nova definição desse termo. Pelo fato de não apenas não se deixar ofender, mas chegar a adotar o termo ofensivo para designar seu espetáculo, ele consegue recuperar o controle da narrativa e continuar a mostrar que é mais do que outros talvez pensem. 

Mas ele não fica apenas nisso. 

Em seguida, Barnum decide acrescentar mais credibilidade a seu espetáculo. Tendo ouvido falar em Jenny Lind, que era conhecida como “a maior cantora de toda a Europa”, Barnum lhe oferece um valor exorbitante para ela fazer parte de seu grupo. 

Seus artistas são talentosos, mas nenhum deles tem formação clássica ou é conhecido entre a classe alta europeia. Quando Jenny Lindt sobe ao palco e seduz a plateia completamente, Barnum comprova que seu chamado “circo” é tudo menos isso, fato que o crítico de teatro acaba reconhecendo mais tarde. 

Mas em pouco tempo ele se vê diante de uma crise. Uma turba de cidadãos enfurecidos pelo fato de artistas tão pouco convencionais estarem sobre o palco ateia fogo a seu edifício, reduzindo seus sonhos a cinzas. 

Após um período breve de dúvida e consternação, Barnum recupera seu espírito empreendedor e descobre uma maneira de levar seu show adiante. Como não pode arcar com a reconstrução do teatro nem comprar um teatro novo, ele tem a ideia genial de poupar custos, usando grandes tendas em vez de uma estrutura de tijolos – as mesmas tendas hoje tão estreitamente associadas ao circo. Quando éramos crianças, não imaginávamos que essas tendas de circo surgiram primeiro como resposta empreendedora a uma tragédia. 

Mas o espírito empreendedor é um espírito de dedicação e resiliência. Com todas as decepções e dificuldades que enfrentou, Barnum conseguiu deixar um legado não apenas para si mesmo, mas para cada artista que encontrou sua realização pessoal através de seu show. Ele pôde sustentar sua família e lhe dar o nível de vida com que sonhou quando era garoto. 

“O Rei do Show” foi malvisto por muitos críticos, injustamente, mas está sendo bem recebido por empreendedores, lembrando a eles que o importante é perseverar e trabalhar duro para concretizar seus sonhos.

©2018 Foundation for Economic Education. Publicado com permissão. Original em inglês

Tradução de Clara Allain


o que você achou?

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Ideias

PUBLICIDADE